Na madrugada desta terça-feira (22), um incêndio consumiu 18 residências no bairro de Kebayoran Lama, região sul de Jacarta, Indonésia. As chamas se alastraram rapidamente devido à alta densidade de construções e à precariedade das instalações elétricas. Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Jacarta, Heryanto Siregar, em entrevista à Associated Press, o incêndio foi controlado após quatro horas de trabalho, mas o saldo é de uma família inteira desalojada e um prejuízo material calculado em 1,2 bilhão de rúpias indonésias (cerca de R$ 400 mil).
A região de Kebayoran Lama é conhecida por sua ocupação desordenada, com vielas estreitas e construções que não seguem padrões mínimos de segurança. A prefeitura de Jacarta, em nota oficial divulgada nesta tarde, afirmou que vai “prestar assistência temporária às vítimas e investigar as causas do sinistro”. No entanto, o FORTIS NEWS apurou que a maioria das famílias não possuía seguro residencial. Dados do Banco Mundial indicam que menos de 10% dos imóveis na Indonésia são segurados contra incêndio, reflexo de um mercado altamente regulado e com custos proibitivos para a população de baixa renda.
Por que isso importa? O incêndio em Kebayoran Lama não é um acidente isolado, mas um sintoma de um problema estrutural: a falta de liberdade econômica no setor de seguros. Na Indonésia, o governo impõe exigências burocráticas pesadas para a abertura de novas seguradoras e limita a atuação de empresas estrangeiras, o que reduz a concorrência e mantém os prêmios artificialmente elevados. Resultado: o cidadão comum fica desprotegido. Enquanto isso, o estado gasta mal os recursos tributários — a arrecadação indonésia cresceu 12% nos últimos dois anos, mas os gastos com prevenção de incêndios urbanos caíram 3% no mesmo período, conforme relatório da auditoria pública.
Análise FORTIS: A tragédia de Kebayoran Lama é um exemplo clássico de como a intervenção estatal, ao invés de proteger, fragiliza o cidadão. Primeiro, o governo impede que o mercado de seguros funcione livremente, deixando as famílias à mercê do acaso. Segundo, os próprios serviços públicos de combate a incêndios apresentam deficiências — testemunhas relataram que o primeiro caminhão de bombeiros levou 40 minutos para chegar, tempo mais que suficiente para as chamas se alastrarem. O prejuízo de Rp1,2 bilhão poderia ter sido coberto por um seguro privado de baixo custo se houvesse concorrência real. Em países com mercados mais abertos, como o Chile, a taxa de penetração de seguros residenciais é três vezes maior, e os incêndios têm impacto financeiro muito menor sobre as famílias.
Contraponto: A prefeitura de Jacarta alega que o atraso na resposta se deu devido ao trânsito intenso e à falta de hidrantes na área — problemas de infraestrutura que seriam resolvidos com mais investimento público. No entanto, dados do Instituto de Pesquisa Econômica da Indonésia mostram que o orçamento para infraestrutura urbana cresceu 8% no último ano, mas a maior parte foi destinada a projetos de mobilidade na região central, não às áreas periféricas como Kebayoran Lama. Ou seja, o estado prioriza obras de visibilidade política em detrimento da segurança real dos bairros mais pobres. A solução não é gastar mais dinheiro do contribuinte, mas liberar a iniciativa privada para construir hidrantes, instalar sensores e oferecer seguros populares.
Por Renan Filho · 2026-09-22