Na madrugada desta sexta-feira, uma oficina de automóveis na região de Kemayoran, centro de Jacarta, foi consumida pelo fogo. Em comunicado oficial, o Corpo de Bombeiros local (Damkar) informou que mobilizou 22 viaturas e dezenas de profissionais para conter as chamas. Em publicação nas redes sociais, a administração da cidade declarou que não há feridos, mas os danos materiais são estimados em bilhões de rúpias.
O combate ao incêndio durou mais de quatro horas. Em declaração à imprensa, o chefe operacional do Damkar, citado pelo jornal Kompas, afirmou que a densidade de edificações no local e a falta de hidrantes próximos dificultaram o trabalho. O bairro é conhecido pela concentração de oficinas informais, muitas sem alvará de funcionamento.
O que para muitos é apenas mais um acidente, para a FORTIS NEWS representa um sintoma de um sistema que penaliza a iniciativa privada e engorda o Estado. A oficina incendiada operava há anos sem licença, segundo relatos de vizinhos colhidos pelo portal local Detik. A ausência de fiscalização preventiva não é exceção: em Jacarta, estima-se que mais de 40% dos estabelecimentos comerciais funcionem na informalidade.
O custo da operação de 22 viaturas é suportado integralmente pelo contribuinte indonésio. Cada chamado do Damkar envolve combustível, manutenção de equipamentos e horas extras de bombeiros que poderiam estar disponíveis para emergências reais. Em um ambiente de livre mercado, o proprietário da oficina seria obrigado por contrato de seguro a instalar sprinklers, manter extintores e cumprir normas mínimas de segurança.
A regulação atual, no entanto, cria um ciclo perverso. Como o Estado promete apagar qualquer incêndio, o dono da oficina não tem incentivo para investir em prevenção. E como a fiscalização é frouxa, a informalidade prolifera. O resultado é que o Damkar, uma estrutura pesada e cara, é chamado para atender ocorrências que poderiam ser resolvidas com equipamentos simples.
A análise FORTIS parte de um princípio liberal clássico: quem causa o risco deve arcar com o custo. Se o proprietário da oficina tivesse de responder financeiramente pelo chamado dos bombeiros, a conta de 22 viaturas o levaria à falência. Isso o forçaria a contratar seguro, e a seguradora, por sua vez, exigiria medidas de prevenção. O mercado, e não o Estado, regularia o risco.
Um contraponto necessário: o Damkar desempenha papel essencial em desastres de grande escala. Ninguém defende a extinção do corpo de bombeiros. Mas a estrutura atual é desenhada para ser o único provedor de combate a incêndios, o que gera ineficiência e falta de responsabilização. Países como o Reino Unido já experimentam modelos híbridos, com seguros privados cobrindo parte dos custos operacionais.
O incêndio em Kemayoran também expõe a fragilidade do zoneamento urbano. A oficina estava localizada em uma área mista, com residências e comércios justapostos. Em declaração à Rádio Elshinta, um urbanista da Universidade da Indonésia afirmou que o plano diretor de Jacarta permite usos conflitantes, sem exigir distanciamento ou barreiras corta-fogo. A liberdade de construir, quando não acompanhada de responsabilidade contratual, gera externalidades negativas.
A FORTIS NEWS defende que a solução não é mais regulação estatal, mas a substituição de regras burocráticas por mecanismos de mercado. Um sistema de licenciamento ágil, combinado com a obrigatoriedade de seguro contra incêndios, reduziria a informalidade e a demanda por bombeiros públicos. A conta, hoje paga por todos, seria paga por quem gera o risco.
Enquanto isso, o contribuinte indonésio arca com o prejuízo. As 22 viaturas do Damkar retornaram à base após a operação, mas o custo de oportunidade é imenso — recursos que poderiam ser aplicados em educação, saúde ou infraestrutura foram queimados junto com a oficina.
**1. Por que foram necessárias 22 viaturas do Damkar para apagar um incêndio em uma única oficina?** Segundo o Corpo de Bombeiros, a quantidade se deve à alta densidade de construções no entorno e à falta de hidrantes públicos. Em publicação nas redes sociais, o Damkar explicou que foi preciso montar uma operação para evitar que o fogo se alastrasse para residências vizinhas. Para a FORTIS NEWS, o episódio revela que a prevenção privada — como seguros e inspeções — poderia ter evitado o uso de tamanha estrutura pública.
**2. A existência de seguros privados poderia ter mudado o desfecho?** Sim. Em um sistema de livre mercado, o proprietário da oficina, obrigado por contrato de seguro a seguir normas de segurança, teria instalado extintores e sistemas de combate a incêndio. A seguradora, para reduzir seu risco, exigiria manutenção periódica. Sem seguro, o Estado é o fiador do risco, e o contribuinte paga a conta. Em declaração à imprensa, um especialista em seguros da Associação de Seguradores da Indonésia afirmou que apenas 15% das oficinas informais possuem cobertura contra incêndios.
Por Renan Filho · 2026-09-21