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O artista, compositor e político indonésio Guruh Sukarnoputra morreu neste sábado, 26 de setembro de 2026, segundo informações que circulam na imprensa local. Filho do líder da independência Sukarno e irmão da ex-presidente Megawati Sukarnoputri, Guruh tinha 73 anos. A causa da morte não foi confirmada oficialmente até o fechamento desta edição. Uma das primeiras manifestações públicas partiu do ex-presidente Susilo Bambang Yudhoyono, o SBY. Em mensagem reproduzida por seus canais oficiais, ele lembrou a doação conjunta de uma pintura em uma exposição dedicada à Indonésia, ressaltando o gesto como símbolo de união acima das divergências políticas.
CONTEXTO
Guruh nasceu em 13 de janeiro de 1953, em Jacarta, em uma família que viveu o auge e o drama da política indonésia. A história da Indonésia no século XX é inseparável da família Sukarno: o nome Guruh carrega, ao mesmo tempo, herança política e independência criativa. Sua trajetória pública misturou nacionalismo, cultura e debate institucional. Foi parlamentar por vários mandatos, ligado ao Partido Democrático Indonésio de Luta, mas é na arte que sua memória encontra terreno mais fértil. Ao longo da vida, Guruh trabalhou com música, coreografia e pintura, sempre com forte presença de símbolos javaneses e balineses. SBY, que governou a Indonésia entre 2004 e 2014, também é pintor e já apresentou obras em mostras internacionais. A aproximação entre os dois nomes ocorreu em parte porque a arte ocupava espaço que a política não conseguia preencher. A obra referida pelo ex-presidente nasceu desse encontro: uma tela feita a quatro mãos, doada a uma exposição realizada em Jacarta. A mostra tinha caráter coletivo e reuniu artistas de diferentes gerações. O episódio, segundo SBY, é uma lembrança de que projetos comuns em torno da cultura podem superar as fronteiras do debate público.
ANÁLISE FORTIS
A morte de Guruh Sukarnoputra abre uma janela para que a classe política indonésia reaja da pior forma possível: transformar luto em orçamento. Há sempre quem proponha criar um ministério, um museu nacional ou uma secretaria de memória para homenagear o morto. Do ponto de vista liberal-conservador, essa é a maneira errada de honrar um artista. A arte de Guruh pertence, em primeiro lugar, às famílias, aos colecionadores e ao público que voluntariamente decide preservá-la. Quando o Estado assume a curadoria da memória, ele também assume o controle da narrativa. Mais cedo ou mais tarde, a obra passa a servir a um projeto político. O gesto de SBY, ao lembrar a doação conjunta, aponta na direção contrária: a amizade, o respeito e o capital social, não o poder público, foram capazes de produzir um bem simbólico. Em um ambiente de liberdade, a memória de Guruh será cuidada por instituições privadas, por editoras, por galerias e pelo público. Num Estado mínimo, homenagens são livres, espontâneas e descentralizadas. Nenhum decreto será capaz de fazer isso com a mesma qualidade. A verdade cobrada pela imprensa deve acompanhar a biografia sem adjetivos exagerados. Não é preciso transformar Guruh em herói ou santo. Basta reconhecer o que ele efetivamente fez. Para o Brasil, a lição é direta: um país que aprende a fazer luto sem abrir a carteira do contribuinte respeita mais o morto e defende quem paga a conta.
Por Renan Filho · 2026-09-26