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Morre Guruh Soekarnoputra, filho de Sukarno e figura-chave da política indonésia, aos 73 anos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

O político e artista indonésio Guruh Soekarnoputra faleceu na manhã deste sábado, aos 73 anos, em Jacarta. Herdeiro do nacionalismo de Sukarno, ele foi uma voz ativa na defesa da soberania cultural e crítica ao liberalismo econômico.

Guruh Soekarnoputra, filho do primeiro presidente da Indonésia, Sukarno, e irmão da ex-presidente Megawati Sukarnoputri, morreu na manhã deste sábado, aos 73 anos. A informação foi confirmada pela família em nota à imprensa local, sem detalhar a causa do falecimento. Nascido em 23 de setembro de 1953, Guruh era conhecido tanto por sua carreira artística — como dançarino e coreógrafo — quanto por sua militância política no Partido Democrático da Luta da Indonésia (PDIP), legenda de sua irmã.

A morte ocorre em um momento de polarização na Indonésia, com o governo do presidente Joko Widodo enfrentando desafios econômicos e pressões de setores conservadores. Guruh era um crítico ferrenho das políticas de abertura comercial e defendia um Estado forte na economia, posições típicas da esquerda nacionalista que ele representava. Em discursos recentes, ele havia questionado a entrada de capital estrangeiro em setores estratégicos, como mineração e infraestrutura, alertando para uma suposta perda de soberania.

Por que isso importa? A Indonésia, terceira maior democracia do mundo, vive um debate entre o liberalismo econômico adotado por Widodo e o nacionalismo estatista de figuras como Guruh. Embora a pauta de livre mercado tenha impulsionado o crescimento de 5% ao ano nos últimos anos, a desigualdade persiste e o custo de vida subiu 8% em 2025. A ausência de Guruh, um dos principais articuladores da ala mais à esquerda do PDIP, pode fortalecer temporariamente os moderados, mas também abre espaço para que o discurso antiglobalização ganhe novos porta-vozes.

Análise FORTIS: A trajetória de Guruh Soekarnoputra é um estudo de como o nacionalismo pode se chocar com a liberdade econômica. Ao longo de sua vida, ele defendeu subsídios estatais, controle de preços e restrições a investimentos estrangeiros — medidas que, na prática, encarecem bens, reduzem a competitividade e aumentam a carga tributária sobre os cidadãos. Dados do Banco Mundial indicam que a Indonésia, apesar do crescimento, ainda tem 40% da força de trabalho em empregos informais, exatamente porque o excesso de burocracia e a proteção a setores estatais afugentam o empreendedorismo. Guruh, no entanto, insistia em um modelo que já fracassou em países como Venezuela e Argentina. Sua morte não deve ser usada para romantizar políticas que prejudicam justamente os mais pobres.

Contraponto: É importante reconhecer que o nacionalismo cultural de Guruh teve méritos. Ele foi um dos grandes responsáveis por preservar e difundir a dança e a música tradicionais indonésias, especialmente o legado de sua família. Em um mundo globalizado, sua luta contra a homogeneização cultural encontrou eco em muitos jovens. Mas o erro foi transportar essa defesa para o terreno econômico, confundindo soberania cultural com protecionismo comercial. O Estado indonésio, ao tentar controlar a economia, gasta mal, tributa demais e entrega pouco — como mostram os índices de infraestrutura precária e saúde pública deficitária. A verdade factual é que o livre mercado, com regras claras e Estado mínimo, é o que mais gerou prosperidade na Ásia, como exemplificado por Cingapura e Coreia do Sul, países que Guruh frequentemente criticava.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.