A Bali International Fashion Week 2026, realizada entre os dias 15 e 20 de setembro, atraiu designers e modelos de 15 países, consolidando a ilha indonésia como um polo global de moda e negócios. O evento, organizado por iniciativa privada com apoio logístico do governo local, movimenta estimados US$ 45 milhões em contratos e turismo, segundo dados do Ministério do Turismo da Indonésia divulgados na última segunda-feira.
Diferentemente de muitos eventos financiados com dinheiro público na América Latina, a Bali Fashion Week opera com orçamento majoritariamente privado. Patrocinadores como marcas têxteis independentes, hotéis e plataformas de e-commerce bancam a estrutura, enquanto o governo provincial oferece apenas isenções fiscais temporárias e facilidades de visto para participantes estrangeiros. Em publicação nas redes sociais, o diretor do evento, Wayan Suardana, afirmou que “a moda não precisa de esmola do Estado, precisa de liberdade para criar e vender”.
O Brasil, que há décadas financia eventos de moda com recursos do BNDES e de estatais, poderia aprender com a abordagem indonésia. Enquanto a São Paulo Fashion Week recebeu mais de R$ 30 milhões em renúncias fiscais e patrocínios públicos entre 2020 e 2025, segundo relatório do Tribunal de Contas da União, a edição balinesa gerou receita tributária líquida positiva para os cofres locais. O contraste é evidente: menos Estado, mais resultado.
Por que isso importa? Porque o modelo de livre mercado aplicado à moda prova que a criatividade e o talento não dependem de subsídios. Dos 180 designers presentes, 70% são micro e pequenos empreendedores que financiam suas coleções com vendas diretas e crowdfunding. A participação de marcas de países como Nigéria, Vietnã e Ucrânia mostra que a moda pode ser uma ponte comercial sem a necessidade de acordos diplomáticos complexos ou verbas públicas.
Análise FORTIS: A Bali Fashion Week é um estudo de caso sobre como o Estado mínimo e a liberdade econômica geram prosperidade. A Indonésia, sob o governo de Prabowo Subianto, tem avançado em reformas pró-mercado, como a simplificação de licenças e a redução de impostos para pequenas empresas. O evento reflete essa política: sem burocracia excessiva, os negócios fluem. Enquanto isso, no Brasil, a moda enfrenta uma carga tributária que consome até 45% do faturamento, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. Não é à toa que estilistas brasileiros de médio porte estão de olho em feiras internacionais como a de Bali para escapar do custo Brasil.
Contraponto: críticos apontam que a isenção fiscal concedida pelo governo indonésio ainda é uma forma de intervenção estatal. De fato, há um custo de oportunidade: o governo deixou de arrecadar cerca de US$ 2 milhões em impostos para viabilizar o evento. No entanto, o retorno em arrecadação indireta — hotéis, restaurantes, transporte — foi de US$ 12 milhões, segundo o Instituto de Economia da Universidade Udayana. Ou seja, o Estado “perdeu” 2 para ganhar 12. No Brasil, o governo frequentemente gasta 10 para gerar 5, como no caso dos grandes eventos esportivos.
Por Renan Filho · 2026-09-23