FORTIS
← FORTIS
Internacional

Anak Krakatau atinge 341,5 hectares e supera área anterior ao colapso de 2018; lições para a gestão de riscos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

O vulcão Anak Krakatau, no Estreito de Sunda, Indonésia, alcançou 341,5 hectares de área emersa, ultrapassando o tamanho registrado antes da erupção que gerou o tsunami de 2018. O fenômeno reacende o debate sobre o papel do Estado na prevenção de desastres naturais e os limites da tributação quando o setor público falha em proteger cidadãos e investimentos.

O Centro de Vulcanologia e Mitigação de Riscos Geológicos da Indonésia (PVMBG) divulgou, em relatório técnico no final de setembro de 2026, que a área emersa do Anak Krakatau alcançou 341,5 hectares. O número supera os 290 hectares medidos antes do catastrófico colapso do flanco sul do vulcão, em 22 de dezembro de 2018, que matou 437 pessoas e gerou ondas de até cinco metros.

O crescimento é resultado da contínua atividade vulcânica desde 2019 – com fluxos de lava e deposição de material piroclástico – e demonstra que a natureza segue seu curso independentemente de gastos estatais em sistemas de alerta. O PVMBG informou que a taxa de crescimento vertical está em cerca de 2,5 metros por mês, e a área total deve ultrapassar 400 hectares no próximo ano, caso o ritmo se mantenha.

**Por que isso importa**

O fato de a ilha vulcânica ter recuperado – e superado – o tamanho pré-tsunami expõe duas verdades incômodas. Primeira: a capacidade de regeneração natural é muito maior do que qualquer projeto de engenharia ou sistema de monitoramento financiado com impostos. Segunda: o dinheiro público gasto em sirenes, barreiras e planos de evacuação não impediu a tragédia de 2018, e continua sendo insuficiente para cobrir a extensão real do risco.

Em 2018, o governo indonésio havia investido milhões de rúpias em sistemas de detecção de tsunamis, mas a maioria dos sensores estava quebrada ou mal calibrada. Um relatório do Banco Mundial apontou que apenas 20% dos bóias de alerta tsunâmicas da Indonésia funcionavam adequadamente. Ou seja, o Estado tributou a população, gastou mal e entregou pouco. O resultado: vidas perdidas e prejuízos superiores a US$ 200 milhões em infraestruturas turísticas e portuárias.

**Análise FORTIS**

O caso do Anak Krakatau é um exemplo perfeito de como a intervenção estatal hipertrofiada em áreas de mitigação de desastres naturais gera ineficiência e falta de responsabilidade. A Indonésia, país com mais de 130 vulcões ativos, gasta anualmente cerca de 1,2% do PIB em programas de gestão de riscos, segundo dados do Ministério de Finanças indonésio. A maior parte desse orçamento é consumida por burocracia e contratos superfaturados com empresas estatais de construção civil.

Em vez de um Estado gigante que tenta controlar o incontrolável, a FORTIS acredita que a prevenção de desastres seria mais eficaz com mecanismos de mercado. Seguros privados obrigatórios para propriedades em zonas de risco, por exemplo, forçariam os preços a refletir a real exposição ao perigo, incentivando a realocação voluntária de residentes. Além disso, incentivos fiscais para empresas que desenvolvessem sistemas de alerta descentralizados – como sensores de baixo custo operados por comunidades – gerariam inovação e redução de custos.

O governo indonésio, porém, insiste em manter o monopólio estatal do monitoramento vulcânico através do PVMBG. Em declaração à imprensa local, o chefe do PVMBG, Hendra Gunawan, afirmou que “a ampliação da rede de estações sísmicas é essencial”. Mas não apresentou dados de custo-benefício. A FORTIS questiona: se o Estado já gastou bilhões e o sistema falhou, por que repetir a mesma receita?

**Contraponto**

Defensores da atuação estatal argumentam que a mitigação de desastres é um bem público que o mercado não consegue prover adequadamente. Ressaltam que o colapso de 2018 foi um evento geológico extremo e que, sem o sistema de alerta que existia (embora imperfeito), as mortes poderiam ter sido ainda maiores. Dados da ONU indicam que, após o tsunami, a Indonésia investiu US$ 50 milhões em novos sensores e treinamento de equipes de evacuação.

A FORTIS reconhece o mérito desses esforços, mas aponta que o custo total do aprimoramento do sistema público não é transparente. O governo indonésio contraiu dívidas para financiar esses gastos, dívidas que serão pagas com tributos sobre a renda e o consumo da população – inclusive de pessoas que vivem a centenas de quilômetros do vulcão. Ou seja, o cidadão comum paga por riscos que não assumiu voluntariamente.

Além disso, a experiência internacional mostra que sistemas de alerta comunitários, baseados em associações de moradores e empresas locais, podem ser mais ágeis e baratos. No Japão, por exemplo, a prevenção de tsunamis combina monitoramento estatal com seguro privado obrigatório e planos de evacuação autônomos – e o resultado é uma taxa de letalidade muito menor.

**1. O crescimento do Anak Krakatau significa que um novo tsunami é iminente?** Não há evidências científicas de que o aumento da área emersa, por si só, aponte para uma erupção de grande porte. O PVMBG classificou o nível de alerta vulcânico como II (em uma escala de I a IV), indicando atividade moderada. No entanto, o histórico do vulcão é imprevisível: o colapso de 2018 ocorreu após meses de erupções menores. A FORTIS recomenda que moradores e turistas consultem dados oficiais atualizados e, principalmente, que o governo indonésio torne públicos os relatórios completos de monitoramento sem censura ou atrasos burocráticos.

**2. Como a abordagem de livre mercado poderia reduzir os riscos vulcânicos na Indonésia?** Um sistema baseado em seguros privados, zoneamento econômico de áreas de alto risco e incentivos fiscais para inovação em sensores de baixo custo poderia substituir parte do monopólio estatal. Empresas seguradoras teriam forte incentivo para exigir planos de evacuação eficientes e estruturas resistentes, sob pena de sinistros caros. Além disso, a competição entre fornecedores de tecnologia tenderia a reduzir os custos de monitoramento – hoje inflados por licitações públicas ineficientes. O papel do Estado ficaria restrito à regulação básica e à coordenação de emergências, não à operação direta de sistemas caros e falhos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.