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Malaria na gravidez: o que acontece e por que o Reino Unido alerta viajantes

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

Contrair malaria durante a gravidez pode levar a anemia grave, aborto espontaneo e parto prematuro. Com o aumento de viagens para regioes endemicas, especialistas britanicos reforcam a prevencao.

**Lead**

A malaria durante a gravidez e uma das complicacoes obstetricas mais perigosas e negligenciadas no mundo, e o Reino Unido tem visto um numero crescente de casos importados em gestantes que viajam para Africa subsaariana e Asia do Sul. Embora o tema nao seja tipicamente associado ao desporto, a conexao surge quando atletas e equipas britanicas viajam para regioes endemicas para competicoes internacionais, como o Mundial de Atletismo ou torneios de cricket no subcontinente indiano. O FORTIS NEWS explica os riscos, os sintomas e as medidas de prevencao que toda mulher grávida — incluindo as do meio desportivo — deve conhecer antes de embarcar.

**Contexto**

A malaria e causada por parasitas do genero Plasmodium, transmitidos pela picada do mosquito Anopheles. Durante a gravidez, o sistema imunitario da mulher fica naturalmente suprimido, e os parasitas tendem a acumular-se na placenta, onde podem causar danos graves. Segundo a Organizacao Mundial da Saude (OMS), a malaria na gravidez contribui para cerca de 20% dos casos de anemia materna grave e esta associada a um risco aumentado de aborto espontaneo, morte fetal, parto prematuro e baixo peso ao nascer.

No Reino Unido, a maioria dos casos de malaria e importada — ou seja, contraida por residentes que viajam para paises tropicais. Dados do Public Health England (PHE) indicam que, em anos recentes, foram registados entre 1.500 e 2.000 casos anuais no pais, com uma pequena mas significativa proporcao em mulheres gravidas. A maioria das infeccoes em gestantes britanicas ocorre em viagens de visita a familiares e amigos (VFR) na Africa Ocidental, onde a malaria por Plasmodium falciparum é predominante e mais letal.

Para atletas e equipas desportivas, o risco é particularmente relevante. Competicoes como os Jogos da Commonwealth, torneios de rugby na Africa do Sul ou etapas do circuito mundial de surf em Mocambique colocam atletas — incluindo mulheres em idade fertil — em contacto directo com zonas de transmissão. Muitas atletas podem nao saber que estao gravidas nas primeiras semanas, e a profilaxia antimalarica nem sempre é iniciada a tempo.

**Analise**

O impacto da malaria na gravidez vai alem do dano fisico imediato. Estudos publicados na revista *The Lancet* mostram que criancas nascidas de maes com malaria placentaria têm maior risco de anemia nos primeiros meses de vida e de atrasos no desenvolvimento cognitivo. No contexto desportivo, uma atleta que contrai malaria durante a gravidez pode ver a sua carreira interrompida por meses, com fadiga cronica, febres recorrentes e necessidade de internamento hospitalar — sem falar no risco para o feto.

A prevencao é a ferramenta mais eficaz. O National Travel Health Network and Centre (NaTHNaC), orgao do NHS, recomenda que mulheres gravidas evitem viajar para areas de alta transmissão de malaria, a menos que seja estritamente necessario. Se a viagem for inevitavel, devem usar repelentes com DEET, dormir sob mosquiteiros tratados com insecticida e tomar quimioprofilaxia adequada — como mefloquina ou atovaquona-proguanil, que sao considerados seguros durante a gravidez, ao contrario da doxiciclina, que é contraindicada.

O diagnostico precoce é igualmente crucial. Os sintomas — febre, calafrios, dores de cabeca e musculares — podem ser confundidos com uma gripe comum, mas em gravidas qualquer febre apos regresso de zona tropical deve ser tratada como emergencia medica. O teste rapido e o exame de gota espessa sao essenciais, e o tratamento com artemisinina combinada (ACT) é recomendado pela OMS mesmo em gravidas, desde que supervisionado por especialista.

No Reino Unido, ha uma rede de clinicas de medicina tropical em hospitais universitarios, como o Hospital for Tropical Diseases em Londres, que oferecem suporte especializado a gestantes com malaria. A conscientizacao, no entanto, ainda é insuficiente. Muitas mulheres — e tambem treinadores e dirigentes desportivos — desconhecem os riscos especificos da malaria na gravidez, e a falta de informacao pode levar a decisoes tardias e tragicas.

**Fontes**

As informacoes deste artigo foram baseadas em dados publicos da Organizacao Mundial da Saude (OMS), do Public Health England (PHE) e do National Travel Health Network and Centre (NaTHNaC). Estudos de referencia publicados em *The Lancet* e *BMJ Global Health* tambem foram consultados para contextualizar os riscos obstetricos e as recomendacoes de tratamento. Nenhuma entrevista ou citacao directa foi utilizada, e todos os numeros apresentados sao provenientes de fontes oficiais verificaveis.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.