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Internacional

Zelensky pressiona por fim da guerra 'antes do inverno' com apoio dos EUA — e França no meio do jogo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que a Ucrânia e os Estados Unidos concordam em encerrar a guerra com a Rússia 'antes do inverno', durante declaração à imprensa em Paris. A pressão revela o desgaste ocidental e os custos crescentes de um conflito que já dura mais de dois anos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acendeu um sinal de urgência em Paris ao declarar, em coletiva de imprensa conjunta com o presidente francês Emmanuel Macron, que tanto Kiev quanto Washington desejam um fim para a guerra 'antes do inverno europeu'. 'Nós e os Estados Unidos queremos que isso termine antes do inverno', disse Zelensky, segundo relato de agências internacionais presentes no Palácio do Eliseu. A declaração ocorre em um momento em que as forças ucranianas enfrentam dificuldades no front leste e a ajuda militar americana enfrenta crescentes questionamentos no Congresso dos EUA.

O contexto da fala de Zelensky não pode ser ignorado: o inverno é historicamente um período de desaceleração das operações militares, mas também de crise humanitária e energética. Em 2022 e 2023, a Rússia usou o inverno como arma, bombardeando infraestrutura elétrica e de aquecimento da Ucrânia. Para Kiev, encerrar o conflito antes da nova estação gelada significa evitar mais uma onda de destruição civil e estabilizar o sistema energético. Já para os EUA, o timing coincide com o fim do ano fiscal e as eleições presidenciais de 2024 — embora a declaração de Zelensky tenha sido feita em setembro de 2026, um ano depois do pleito americano, a pressão por resultados no campo de batalha permanece.

Por que isso importa? A guerra na Ucrânia já custou aos contribuintes americanos mais de 100 bilhões de dólares em ajuda militar e econômica, sem contar os impactos indiretos na inflação e nas cadeias de suprimentos globais. Do ponto de vista liberal e de livre mercado, cada dia de conflito representa distorções no comércio internacional, preços elevados de energia e uma expansão do Estado de bem-estar militar. O envio contínuo de armas e munições drena recursos que poderiam ser aplicados em cortes de impostos, desregulamentação e investimentos produtivos. O fim da guerra, portanto, não seria apenas uma vitória diplomática, mas um alívio para as economias ocidentais sufocadas por gastos públicos crescentes.

A análise FORTIS: O desejo declarado de Zelensky e dos EUA reflete uma mudança tática, não necessariamente estratégica. O presidente ucraniano sabe que o apoio ocidental não é infinito. A Rússia, por sua vez, aposta no cansaço europeu e nos altos custos energéticos para forçar uma negociação favorável. A França, historicamente menos belicosa que os EUA, atua como ponte para um eventual acordo. Mas a verdade é que, sem uma sinalização clara de Vladimir Putin de que aceita cessar-fogo, a frase de Zelensky soa mais como um apelo desesperado do que como uma realidade iminente. Liberais devem ver com bons olhos qualquer movimento que reduza o tamanho do Estado e da interferência governamental nos mercados — e uma paz negociada é o caminho mais rápido para isso, mesmo que imperfeita.

Contraponto: Há quem argumente que encerrar a guerra 'antes do inverno' seria uma rendição disfarçada. Analistas militares ouvidos pela imprensa americana destacam que congelar o conflito agora deixaria a Rússia com 20% do território ucraniano e capacidade de rearme. 'Uma pausa só serve para Moscou reconstruir seu complexo militar', afirmou um ex-funcionário do Pentágono em entrevista à Fox News. Além disso, setores mais conservadores nos EUA defendem que a única saída é a derrota total da Rússia, mesmo que isso custe mais tempo e dinheiro. A economia europeia, entretanto, já não suporta outro inverno sem gás russo, como mostram os preços dos futuros de gás natural negociados na TTF, que subiram 15% nas últimas semanas com as incertezas.

Enquanto Zelensky viaja pela Europa tentando costurar uma saída, os mercados financeiros reagem com volatilidade. As bolsas de Paris e Frankfurt oscilaram após a declaração, sinalizando que investidores veem tanto riscos quanto oportunidades em um cessar-fogo. Para o cidadão comum, a guerra representa inflação e perda de poder de compra. O liberalismo defende que a paz, quando possível, deve ser buscada sem dogmas — e o relógio do inverno está correndo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.