O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou em publicação nas redes sociais que receberá o presidente da França, Emmanuel Macron, na próxima segunda-feira, em Nova York. O anúncio ocorre em um momento de expectativas sobre a política externa americana para a Europa, especialmente em relação a tarifas comerciais, defesa e regulação tecnológica. Trump, que assume em janeiro, sinaliza uma agenda de confronto com a União Europeia, mas busca aliados pontuais em países-chave como a França.
A reunião, marcada para a Trump Tower, terá como pano de fundo a guerra comercial latente entre EUA e Europa. Macron, que recentemente defendeu maior autonomia estratégica do continente, deve pressionar por uma exceção nas tarifas de aço e alumínio impostas por Washington. Em contrapartida, Trump deve exigir que a França e a UE aumentem seus gastos com defesa e reduzam o superávit comercial com os EUA, especialmente em setores como o de aviação e vinhos.
Segundo analistas internacionais, o encontro é visto como uma oportunidade para Macron exercer seu papel de interlocutor entre os EUA e a Europa, mas o cenário é de negociação dura. Trump, que historicamente critica a Otan e a burocracia de Bruxelas, deve usar o encontro para reforçar sua política de "América Primeiro", com foco em acordos bilaterais e redução de déficits. A França, por sua vez, tenta evitar que as tarifas americanas atinjam seus produtos de luxo e agrícolas, que somam bilhões em exportações.
Em declaração à imprensa, um porta-voz do governo francês confirmou a reunião e afirmou que os dois líderes discutirão "temas de interesse mútuo, como segurança global, mudanças climáticas e comércio justo". No entanto, a expectativa é que o tom do encontro seja mais pragmático do que cordial, refletindo as diferenças históricas entre os dois líderes. Trump, que já chamou Macron de "egocêntrico" e criticou sua política de defesa europeia, deve adotar uma postura de negociação agressiva.
**Por que isso importa:**
A reunião acontece em um momento crítico para as relações transatlânticas. A Europa enfrenta uma crise energética e uma desaceleração econômica, enquanto os EUA buscam reindustrializar sua economia com medidas protecionistas. Trump, que prometeu impor tarifas de 10% a 20% sobre produtos europeus, vê na França um parceiro estratégico, mas não abre mão de seus interesses comerciais. Para o mercado, a notícia sinaliza um alívio temporário em relação a uma guerra comercial total, mas a incerteza permanece.
Em termos de livre mercado, a reunião pode abrir espaço para acordos setoriais que beneficiem empresas americanas e francesas, como no setor de energia nuclear e tecnologia. No entanto, o protecionismo de Trump pode afastar investidores estrangeiros, que temem barreiras comerciais. A França, que recentemente aprovou uma lei que regula grandes plataformas digitais, pode enfrentar retaliação dos EUA, que veem a medida como uma forma de discriminação contra empresas americanas.
**Análise FORTIS:**
A abordagem de Trump é clara: ele quer negociar de forma bilateral, enfraquecendo o poder de barganha da UE. Ao receber Macron, Trump busca dividir o bloco europeu e conquistar concessões que não conseguiria em Bruxelas. Para o liberal, essa estratégia é um acerto, pois incentiva a competição entre nações e reduz o tamanho do Estado regulador. No entanto, o risco é que a negociação se torne uma barganha política que beneficie setores específicos, em vez de promover um comércio verdadeiramente livre.
A França, por sua vez, tenta se posicionar como uma potência intermediária, mas sua economia altamente regulamentada e seu setor agrícola protegido são obstáculos para um acordo amplo. Macron, que enfrenta protestos internos contra a reforma da previdência, pode usar a reunião para mostrar um papel internacional relevante, mas sua capacidade de ceder é limitada.
**Contraponto:**
Críticos de Trump apontam que sua política comercial é errática e prejudicial aos EUA. Ao impor tarifas sobre europeus, ele encarece produtos para consumidores americanos e pode desencadear retaliações que afetam o agronegócio, como a taxação de produtos de estados-chave para sua base eleitoral. Além disso, a abordagem beligerante pode enfraquecer alianças históricas, como a Otan, em um momento de crescente tensão com a China e a Rússia. Macron, por outro lado, é criticado por tentar agradar os EUA enquanto vende armas para a Rússia, o que demonstra a complexidade das relações internacionais.
No entanto, para os liberais, a reunião é uma oportunidade para reafirmar a importância do comércio como ferramenta de paz e desenvolvimento. Se Trump conseguir negociar um acordo que reduza barreiras para empresas americanas sem sacrificar a liberdade econômica, o encontro pode ser um marco positivo. A guarda de fronteira comercial, contudo, deve ser observada de perto.
**1. Quais são os principais pontos de discórdia entre Trump e Macron na reunião?**
Os principais pontos incluem as tarifas americanas sobre aço e alumínio, a taxação de serviços digitais (que afeta Google, Apple e Meta) e os gastos com defesa na Otan. A França também quer garantir que não haverá novas tarifas sobre seus produtos de luxo e agrícolas, enquanto os EUA buscam acesso a mercados europeus para seus produtos agrícolas e de energia.
**2. Como a reunião pode afetar o comércio entre EUA e França no curto prazo?**
No curto prazo, a expectativa é que não haja mudanças imediatas nas tarifas, mas a reunião pode estabelecer um canal de negociação para acordos setoriais. Se Trump anunciar uma trégua tarifária, empresas de tecnologia e aviação podem ser beneficiadas. No entanto, se as conversas fracassarem, é provável que os EUA avancem com as tarifas sobre vinhos e queijos franceses, o que já havia sido ameaçado em 2023.
Por Renan Filho · 2026-09-21