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Internacional

Putin vence e aposta na fragmentação europeia: o plano russo para esmagar sanções e reerguer a indústria

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Com a reeleição consolidada, Vladimir Putin inicia um novo ciclo de poder mirando a desunião da União Europeia e a reindustrialização russa via parcerias com Ásia e África. O mercado europeu, especialmente a França, será pressionado por energia barata e acordos bilaterais que driblam o bloqueio ocidental.

A vitória eleitoral de Vladimir Putin, com 87% dos votos segundo a Comissão Eleitoral Central russa, não surpreendeu analistas independentes. O dado relevante não está no placar, mas no que o Kremlin fará com o capital político acumulado. Em publicação no canal Telegram oficial do governo, Putin afirmou que “a Rússia não recuará diante de pressões externas” e que o país “entrará em uma nova fase de desenvolvimento soberano”. A frase ecoa o discurso de março de 2024, quando o presidente russo sugeriu uma reorganização completa da economia nacional.

O contexto imediato é de isolamento diplomático e sanções ocidentais que completam dois anos sem sinais de enfraquecimento. No entanto, dados do Fundo Monetário Internacional indicam que o PIB russo cresceu 3,6% em 2024, impulsionado por gastos militares e pela substituição de importações. Para a França, tradicional parceira comercial da Rússia antes de 2022, a retomada de contatos ainda é incerta. Em declaração à imprensa francesa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, disse que “Moscou está aberta a negociações com países que demonstrem pragmatismo, não subserviência”.

Por que isso importa? O governo francês depende de uma estabilidade energética que a Rússia ainda pode influenciar. Apesar da redução drástica das importações de gás russo, Paris ainda compra urânio enriquecido e fertilizantes. Em entrevista à Rádio France Inter, a economista Agnès Bénassy-Quéré, do Conselho de Análise Econômica francês, alertou que “qualquer nova interrupção no fornecimento de matéria-prima russa teria impactos imediatos na inflação industrial francesa”. O Kremlin sabe disso e usa a informação como alavanca nas negociações informais que ocorrem em fóruns como a ONU e o G20.

A análise FORTIS enxerga uma estratégia clara: Putin não tentará um reaquecimento das relações com a Europa como bloco. Em vez disso, apostará em acordos bilaterais com países que demonstrem maior abertura – Hungria, Sérvia, e até mesmo a França, se o contexto político permitir. Em discurso no Fórum Econômico de São Petersburgo, transmitido pela TV estatal Rossiya 24, o presidente russo afirmou que “a soberania energética europeia é uma miragem” e que “a Rússia sempre será o fornecedor mais competitivo”. A lógica liberal de mercado sugere que, enquanto houver demanda, haverá oferta – e os consumidores franceses, assolados por contas de energia 40% mais altas desde 2021, tendem a concordar.

O contraponto vem de analistas do Carnegie Endowment for International Peace, que em relatório publicado em agosto de 2025 argumentam que a economia russa “já opera em modo de guerra” e que a capacidade industrial civil está comprometida. A escassez de mão de obra qualificada e o êxodo de 1 milhão de russos desde 2022 são fatores estruturais. No entanto, o mesmo relatório admite que a Rússia conseguiu redirecionar 70% do seu comércio de energia para China e Índia. Em publicação nas redes sociais do think tank, o pesquisador Alexander Gabuev destacou que “Moscou aprendeu a viver sob sanções melhor do que Bruxelas esperava”.

Para a França, o cenário mais provável é a continuidade da tensão com momentos de cooperação tática. Em nota oficial do Palácio do Eliseu, o governo francês reafirmou “o apoio incondicional à Ucrânia” e a “manutenção das sanções”. Mas nos bastidores, conforme revelou o jornal Le Monde em matéria de setembro de 2025, existem canais de diálogo entre empresários franceses e a cúpula russa para a retomada de negócios no setor agrícola e farmacêutico. A FORTIS NEWS projeta que, em até 12 meses, veremos acordos discretos de fornecimento de grãos e fertilizantes, validados por governos locais sob o pretexto de “segurança alimentar”.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.