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Internacional

“Para redistribuir riqueza, é preciso primeiro criá-la”: patrões da Michelin e Danone alertam França a 7 meses da eleição presidencial

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Executivos alertam que propostas de esquerda ameaçam a competitividade e a geração de empregos no país, defendendo reformas que estimulem a produção antes do gasto público.

**Lead**

A sete meses da eleição presidencial francesa, os presidentes da Michelin e da Danone romperam o silêncio empresarial com uma declaração direta: “Para redistribuir a riqueza, é preciso primeiro tê-la criado”. A fala, proferida em evento conjunto da associação patronal Medef em Paris, no dia 28 de setembro de 2026, repercutiu imediatamente em círculos políticos e econômicos. Em meio a promessas de aumento de impostos sobre grandes fortunas e nacionalizações setoriais por parte de candidatos da Nova União Popular (NUPES), os executivos defenderam que o debate eleitoral ignora o fundamento básico do crescimento: a produção precede a distribuição.

**Contexto**

A França enfrenta um cenário de desaceleração econômica, com crescimento do PIB projetado em apenas 0,8% para 2026, segundo o INSEE. O desemprego, embora estável em 7,3%, esconde uma taxa de desemprego juvenil de 16,2%. O déficit público ultrapassa 5,5% do PIB, e a dívida pública atingiu 112% do PIB. Nesse ambiente, candidatos de esquerda propõem elevar o imposto sobre grandes fortunas (ISF) e criar uma taxa excepcional sobre lucros de empresas, enquanto a centro-direita e a extrema-direita defendem cortes de impostos sobre a produção. A fala dos patrões surge como resposta direta a essas propostas.

Florent Menegaux, CEO da Michelin, e Antoine de Saint-Affrique, CEO da Danone, afirmaram em discurso conjunto que “nenhuma redistribuição é sustentável se a riqueza não for gerada primeiro”. Menegaux destacou que a Michelin investiu 1,2 bilhão de euros em fábricas francesas nos últimos quatro anos, mas que novas ondas de regulamentação e aumento de custos trabalhistas podem inviabilizar futuros investimentos. De Saint-Affrique, por sua vez, lembrou que a Danone paga cerca de 1,8 bilhão de euros em impostos e contribuições na França anualmente – valor que, segundo ele, só existe porque a empresa gera lucro.

**Análise FORTIS**

A declaração dos executivos de duas das maiores empresas francesas expõe o núcleo do debate econômico europeu: a tensão entre o modelo de bem-estar social e a competitividade num mundo globalizado. Sob a ótica liberal-conservadora, o recado é elementar – e urgente. A França já possui uma das cargas tributárias mais altas da OCDE, com 46% do PIB arrecadados pelo Estado. Cada novo imposto sobre o capital ou sobre lucros não é “justiça social”, mas sim um desincentivo direto à inovação e à contratação.

O erro fundamental da esquerda francesa – e de setores da centro-esquerda – é tratar a economia como um bolo que pode ser repartido infinitamente sem que ninguém precise assá-lo. A proposta de taxar em 33% os lucros extraordinários das empresas, por exemplo, ignora que tais lucros são, em grande parte, reinvestidos em P&D, expansão industrial e salários. A Michelin, por exemplo, reinvestiu 70% do seu lucro operacional em inovação nos últimos três anos. Tributar esses recursos significa reduzir a capacidade de gerar empregos qualificados e inovação tecnológica.

Além disso, a fala dos patrões reforça um princípio que o FORTIS defende desde sua fundação: a liberdade econômica não é um privilégio de empresários, mas o motor da mobilidade social. Quanto maior a burocracia e o peso fiscal, menor a atratividade do país para investimentos estrangeiros e maior a fuga de cérebros e capitais. Dados da agência de atração de investimentos francesa mostram que, em 2025, o país perdeu 17 projetos de investimento verde para a Alemanha e a Espanha, justamente por conta da instabilidade regulatória.

É importante frisar que não se trata de defender “empresários gananciosos” – narrativa recorrente em campanhas de esquerda. Trata-se de defender o cidadão que depende do emprego gerado por essas empresas. Cada vez que o Estado interfere excessivamente na produção, quem paga a conta é o trabalhador, na forma de demissões, congelamento de salários ou redução de benefícios.

Por fim, a declaração dos CEOs também tem um componente político estratégico. A sete meses do pleito, a centro-direita de Laurent Wauquiez e a extrema-direita de Marine Le Pen tentam capturar o voto do eleitorado que valoriza a economia real. Os patrões, ao se manifestarem, sinalizam que o “campo do trabalho e da produção” precisa de representação clara, sem concessões a pautas distributivistas que ignoram a realidade da concorrência internacional.

**Conclusão**

A declaração dos CEOs da Michelin e Danone não é um mero protesto corporativo, mas um aviso fundamentado em evidências econômicas. Num mundo onde capitais e talentos cruzam fronteiras com facilidade, insistir em políticas que punem a produção em nome da redistribuição é receita para empobrecer exatamente aqueles que se deseja proteger: os trabalhadores. A sete meses da eleição, o eleitor francês terá de decidir se prefere uma economia que gera riqueza para depois distribuir, ou uma economia que distribui o que nunca foi produzido. O FORTIS tem sua posição: a verdade está do lado de quem cria o bolo, não de quem apenas o fatia.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.