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Politica

Paris: manifestação contra lei de armas cresce; Nuñez teme “excessos” e expõe o medo do Estado diante da liberdade

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Milhares de franceses foram às ruas de Paris neste sábado para protestar contra a nova lei que restringe o porte e a posse de armas de fogo. O prefeito de polícia, Laurent Nuñez, declarou à imprensa que teme “debordements” (excessos), revelando o verdadeiro nervosismo do establishment diante de cidadãos armados e conscientes de seus direitos.

A capital francesa foi palco de uma das maiores manifestações pró-armas dos últimos anos. Organizada por federações de tiro esportivo, colecionadores e associações de defesa da propriedade privada, a passeata percorreu a avenida dos Champs-Élysées sob o lema “Liberdade para os responsáveis: não ao desarmamento civil”.

O governo francês, sob pressão da esquerda e de grupos de segurança pública, apresentou um projeto de lei que criminaliza o simples transporte de armas descarregadas em vias públicas e exige autorização prévia para qualquer aquisição de munição. Para os organizadores, a medida é um ataque direto ao artigo 2º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão — o direito à segurança e à resistência à opressão.

Laurent Nuñez, em declaração à imprensa na manhã deste sábado, afirmou que “a presença de armas em manifestações, mesmo que legais, pode gerar uma escalada de violência imprevisível”. Ele disse temer “debordements” e pediu que os manifestantes “deixem as armas em casa”. A fala foi recebida com vaias e assobios pela multidão.

O protesto foi pacífico até o início da tarde, quando um pequeno grupo de contramanifestantes tentou bloquear a passagem próximo à Place de la Concorde. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os dois lados. Não há registro de feridos graves, mas a cena serviu de combustível para o discurso do governo, que já classificou o ato como “ameaça à ordem pública”.

Por que isso importa: a França vive um dilema clássico entre segurança estatal e liberdade individual. Diferentemente dos Estados Unidos, onde a Segunda Emenda é um pilar cultural e jurídico, o país europeu sempre tratou o direito ao porte de armas como uma concessão do Estado, não como um direito natural. A nova lei é mais um passo nessa direção.

Para o FORTIS NEWS, o verdadeiro “excesso” não está na manifestação, mas na lógica do controle. Cidadãos responsáveis que transportam legalmente suas armas para clubes de tiro ou para defesa de suas propriedades rurais estão sendo tratados como potenciais criminosos. Enquanto isso, o crime organizado — que não respeita leis — continua armado até os dentes.

A análise do FORTIS NEWS sugere que o governo francês está usando o medo de “debordements” como cortina de fumaça para aprovar uma legislação que, na prática, desarma o cidadão de bem e concentra ainda mais poder nas mãos do Estado. Não há evidência de que manifestantes armados legalmente tenham causado qualquer incidente grave em protestos recentes na França. Pelo contrário, os ataques terroristas em Paris (2015) e Nice (2016) foram cometidos por criminosos que obtiveram armas no mercado ilegal, não em lojas autorizadas.

Contraponto: defensores da lei argumentam que a França tem um histórico de violência política e que a circulação de armas em manifestações pode inflamar ânimos. Em publicação nas redes sociais, o deputado socialista Jérôme Guedj afirmou que “armas nas ruas são uma ameaça à democracia, não uma expressão dela”. A visão, embora respeitável, parte da premissa de que o cidadão é incapaz de se autogovernar e precisa de tutela estatal permanente.

O debate francês ecoa o que ocorre no Brasil com o Estatuto do Desarmamento e nos EUA com as recorrentes tentativas de banir armas semiautomáticas. Em todos os casos, o argumento central é o mesmo: o Estado não confia no cidadão. A diferença é que, na França, a tradição centralizadora e estatista torna esse discurso mais palatável à opinião pública.

A manifestação de Paris não deve ter efeito imediato sobre a tramitação do projeto, que já foi aprovado em comissão na Assembleia Nacional. No entanto, ela sinaliza um despertar: há franceses que ainda acreditam que a liberdade não é um presente do governo, mas um direito inalienável. E estão dispostos a ir às ruas para defendê-la.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.