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Opiniao

2026: Projeto Ligue 2? Torcedores do OM voltam a atacar McCourt

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

A derrota para o PSG no último domingo reacendeu a fúria da torcida marseillaise. Acusado de sucatear o clube, o proprietário Frank McCourt é alvo de protestos que pedem sua saída imediata. Nos bastidores, o temor de um rebaixamento à Ligue 2 em 2026 já não é mais uma hipótese absurda.

O clássico entre Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain terminou com mais uma derrota amarga para os alvirrubros. 3 a 0 no Vélodrome. Mas o placar foi apenas o estopim para uma explosão de revolta que já dura meses. Nas arquibancadas, faixas com os dizeres “McCourt, vá embora” e “2026: Ligue 2 project?” estamparam o descontentamento de uma torcida que não vê luz no fim do túnel.

A referência ao ano de 2026 não é aleatória. Em publicação nas redes sociais, o grupo de torcedores “Commando Ultra 84” afirmou que, se o clube continuar sob a gestão de McCourt, o rebaixamento para a segunda divisão será inevitável dentro de três temporadas. A afirmação ecoa uma análise financeira que circula entre especialistas: o OM acumula dívidas de mais de € 300 milhões e não apresenta sinais de recuperação sustentável.

Frank McCourt comprou o clube em 2016 por € 45 milhões, prometendo um projeto vencedor. Nove anos depois, o Marseille não conquistou um único título nacional relevante e viu sua receita estagnar. Enquanto o PSG fatura € 800 milhões por ano com patrocínios e direitos de TV, o OM mal chega a € 200 milhões. A diferença, segundo nota oficial do clube divulgada em julho, é explicada pela falta de investimento em infraestrutura e marketing – exatamente o que McCourt prometeu fazer e não fez.

Por que isso importa. O futebol francês vive um momento de reestruturação econômica. A Ligue 1 perdeu contratos bilionários de transmissão e clubes médios como Bordeaux e Saint-Étienne já amargaram a Ligue 2. O OM, com sua enorme base de torcedores, seria o maior nome a cair. Para o mercado, isso significaria uma desvalorização brutal do ativo e uma perda de credibilidade para o futebol local. Para os contribuintes, que indiretamente subsidiam estádios e segurança pública, o custo de um clube falido é real.

Análise FORTIS. A livre iniciativa não é desculpa para gestão irresponsável. McCourt age como um rentista: comprou um clube com potencial, extraiu receitas pontuais (como a venda de jogadores) e não reinvestiu. O resultado é uma empresa que perde competitividade. Em qualquer outro setor, um acionista que não moderniza a fábrica e deixa a concorrência tomar mercado seria cobrado pelos investidores. No futebol, a torcida cumpre esse papel – e faz bem. O protesto contra McCourt é legítimo porque defende o valor do clube como marca e negócio.

Contraponto. Há quem defenda que a torcida exagera. Em declaração à imprensa, um analista esportivo do jornal L’Équipe argumentou que o rebaixamento é improvável porque o OM ainda tem receita de bilheteria e venda de jogadores para se manter na elite. Mas esse raciocínio ignora o custo de oportunidade. Enquanto o clube patina, seus concorrentes diretos – Lyon, Monaco, Nice – se modernizam com arenas novas, centros de treinamento e gestão profissional. O “projeto Ligue 2” não é uma profecia, é a consequência lógica da inércia.

Os torcedores sabem disso. Em entrevista à Rádio France Bleu Provence, um porta-voz do grupo “Les Minots” disse que a paciência acabou. “Não queremos um milagre, queremos um plano de negócios sério. McCourt trata o OM como um brinquedo, e o brinquedo está quebrado.” A pressão popular já forçou a saída de dirigentes no passado. Resta saber se será suficiente para tirar o americano do controle.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.