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Macron e a Fuga para o Futuro: Por que o “Tempo Longo” é Desculpa para Estatismo na Gasolina e na Rússia

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

O colunista Guillaume Tabard, do Le Figaro, expõe a estratégia de Emmanuel Macron ao invocar o “tempo longo” para justificar o preço da gasolina e a política em relação à Rússia. Para os liberais, trata-se de retórica vazia que esconde o velho intervencionismo francês.

Emmanuel Macron tem um novo mantra: “le temps long”. O presidente francês repete a expressão em entrevistas, discursos e tuítes para explicar por que a gasolina continua cara e por que a França não se apressa em cortar laços com a Rússia. O colunista Guillaume Tabard, em artigo publicado no Le Figaro, dissecou essa estratégia e deixou claro: o “tempo longo” é um instrumento de poder, não de prudência.

Tabard escreveu que Macron usa o argumento para desarmar críticas imediatas, projetando uma visão de estadista que olha além do ciclo eleitoral. Mas, na prática, o governo francês mantém subsídios aos combustíveis que distorcem o mercado, enquanto negocia a compra de gás russo sob o pretexto de “planejamento energético de longo prazo”. Para quem defende livre mercado, isso não é visão — é estatismo disfarçado.

O contexto é claro. Desde o início da guerra na Ucrânia, Macron oscilou entre sanções duras e telefonemas conciliatórios a Vladimir Putin. O preço da gasolina na França subiu mais de 30% desde 2022, e as medidas de curto prazo — como o desconto de 15 cêntimos por litro implementado em 2023 — foram substituídas por um “bouclier tarifário” que custou € 40 bilhões aos cofres públicos. Em 2026, com o fim gradual do escudo, os consumidores sentem o impacto. Macron, em declaração à imprensa em 15 de setembro, disse que “a transição energética exige paciência e investimento de longo prazo”. Uma forma elegante de pedir que os franceses aceitem preços altos sem soluções de mercado.

Por que isso importa? Porque a retórica do “tempo longo” sufoca o debate sobre liberdade econômica. Se o governo admite que os preços da gasolina são altos por fatores globais, deveria então remover entraves à produção local — como a proibição de exploração de xisto betuminoso na França, que poderia reduzir a dependência externa. Mas Macron prefere falar em “soberania industrial” enquanto mantém regulações verdes que encarecem o refino. Na questão russa, o “tempo longo” serve para adiar o inevitável: cortar completamente as importações de gás, substituindo-as por fontes competitivas dos EUA ou do Qatar. A França ainda compra GNL russo via terminais belgas, segundo dados da Comissão Europeia de agosto de 2026. Tabard observa, com ironia, que “invocar o tempo longo é a arte de ganhar tempo — às custas do contribuinte e do consumidor”.

A análise FORTIS é implacável. O discurso de Macron é contraditório: ele se apresenta como defensor da “Europa potência” e da neutralidade climática, mas suas escolhas de curto prazo mostram um governo dependente de intervenções. O “tempo longo” só é invocado quando convém: para justificar subsídios que distorcem o mercado de combustíveis, para adiar sanções contra a Rússia que afetariam o PIB francês, e para evitar reformas estruturais, como a privatização da EDF ou a liberalização do setor de transporte. Em nota oficial do Palácio do Eliseu no dia 18 de setembro, Macron defendeu que “a França não pode tomar decisões precipitadas que comprometam a segurança energética das próximas décadas”. Precipitado, para o governo, é permitir que o mercado defina os preços.

Contraponto: defensores da estratégia presidencial argumentam que o “tempo longo” é realista. Em entrevista à Rádio France Info, o ministro da Economia, Bruno Le Maire, afirmou que “desvincular-se completamente da Rússia da noite para o dia teria causado um choque inflacionário pior do que em 2022”. Há mérito no argumento: a transição energética requer investimentos em infraestrutura que não surgem do nada. Mas por que o Estado precisa administrar tudo? Um sistema de precificação de carbono com devolução de receitas aos cidadãos (como o modelo suíço) resolveria a questão da gasolina sem subsídios distorcivos. Quanto à Rússia, a demora apenas financia o Kremlin. O mais recente relatório do Centro de Política Europeia mostra que a França importou € 4,2 bilhões em gás russo em 2025 — 18% a menos que em 2024, mas ainda um fluxo significativo. O “tempo longo” de Macron está dando tempo a Putin.

No fim, Guillaume Tabard acerta ao desnudar o jogo: o “tempo longo” é uma cortina de fumaça para a ausência de coragem liberal. Os franceses pagam caro por gasolina e caro por uma política externa ambígua. Enquanto isso, o mercado aguarda — mas não por muito tempo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.