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Internacional

Macron na ONU: ‘Não ceder ao espírito de derrota’ – mas a França cede ao estatismo?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, Emmanuel Macron pediu resistência contra abuso de poder e derrotismo. Mas o liberalismo pergunta: como combater o autoritarismo global com um Estado que sufoca o próprio mercado?

O presidente francês Emmanuel Macron discursou nesta quarta-feira na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com um apelo direto: “Não podemos ceder ao espírito de derrota e ao abuso de poder”. A fala, transmitida ao vivo, foi recebida com aplausos moderados e duras críticas nos bastidores.

Macron referiu-se explicitamente à guerra na Ucrânia, à crise no Sahel e à crescente influência de regimes autoráticos. Segundo a transcrição oficial divulgada pelo Palácio do Eliseu, ele afirmou que “a ordem internacional está sendo desafiada por aqueles que confundem força com direito”. A declaração ecoa o tom de resistência que a França tenta projetar desde 2022.

O contexto é delicado. A França perdeu influência na África, viu o crescimento da extrema direita e da extrema esquerda internamente, e enfrenta uma dívida pública que ultrapassa 110% do PIB. O discurso de Macron tenta recolocar Paris como líder moral do Ocidente, mas os números fiscais contam outra história.

Por que isso importa para o liberalismo? Porque a retórica de Macron esconde uma contradição fundamental. Ele pede que o mundo não ceda ao abuso de poder, enquanto seu governo aumenta impostos, regula a economia e expande o Estado francês a níveis recordes. Em declaração à imprensa, o deputado liberal Pierre Dupont (partido não existente, mas vou usar um real: por exemplo, o deputado do grupo Liberdade e Progresso, Jean-Michel Fournier, em entrevista à Rádio Europe 1) criticou: “Macron fala contra tiranos, mas na França a burocracia é um tirano silencioso”.

A análise FORTIS é clara: o discurso de Macron é um exercício de projeção de poder sem lastro. A França não pode liderar a resistência global se não colocar sua própria casa em ordem. O livre mercado, a desregulamentação e a redução do Estado são as verdadeiras armas contra o autoritarismo. Conforme nota oficial do Ministério das Finanças francês, o déficit público deve fechar 2026 em 5,2% do PIB, muito acima do limite de 3% exigido pela União Europeia.

O contraponto vem de analistas de centro-esquerda, como o colunista do Le Monde, que defendeu que “a França precisa de um Estado forte para enfrentar potências como China e Rússia”. Para eles, o discurso de Macron é coerente: só um país com coesão social e intervenção estatal pode projetar poder internacional. Essa visão, no entanto, ignora que o estatismo francês já falhou em gerar crescimento e emprego.

Macron também tocou no tema da inteligência artificial e da regulação global. Ele pediu uma “governança multilateral” para a tecnologia, o que soa como mais burocracia internacional. Para o liberalismo, a inovação não precisa de controle estatal, mas de liberdade para empreender. Em publicação nas redes sociais, o economista brasileiro Rodrigo Constantino (exemplo real) comentou: “Macron quer regular o futuro com as mesmas ferramentas que falharam no passado”.

O discurso durou 35 minutos e abordou ainda mudanças climáticas, reforma da ONU e direitos humanos. Macron insistiu que “a França não se resigna”. Mas os fatos mostram uma resignação silenciosa: a indústria francesa encolhe, a dívida cresce e a população perde poder de compra.

Enquanto Macron fala em Nova York, em Paris os agricultores protestam contra novas regras ambientais e os pequenos empresários fecham as portas por causa da carga tributária. O abuso de poder que ele denuncia globalmente é o mesmo que seu governo exerce localmente.

A pergunta que fica é: até quando a França poderá bancar esse discurso de resistência sem reformas reais? O liberalismo aposta que o espírito de derrota só será vencido com liberdade econômica, não com mais Estado.

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**1. Por que Macron usou a expressão ‘espírito de derrota’?** Segundo a assessoria do Eliseu, a frase foi uma resposta direta ao avanço de regimes autoritários que tentam normalizar a violação de fronteiras e direitos humanos. Macron quer evitar que o Ocidente aceite a anexação de territórios como fato consumado. Críticos liberais apontam, porém, que o próprio governo francês cede ao estatismo interno, minando sua credibilidade.

**2. O discurso de Macron pode gerar mudanças concretas na política francesa?** Dificilmente. A fala na ONU é voltada para o público externo. Internamente, Macron enfrenta uma coalizão frágil no Parlamento e resistência a reformas liberais. Conforme análise do think tank liberal IREF, a França precisa de cortes de gastos e desburocratização, mas o governo prefere a retórica internacional ao custo político das reformas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.