FORTIS
← FORTIS
Internacional

A Ilha que Enlouquece Impérios: A História Secreta da Groenlândia e a Obsessão de Trump (e da França?)

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-19

Trump não é o primeiro a querer a Groenlândia. Antes dele, nazistas, americanos, dinamarqueses e até a França tentaram dominar a ilha gelada. A história esquecida revela um jogo geopolítico e de recursos que nunca acabou.

Quando Donald Trump sugeriu comprar a Groenlândia em 2019, o mundo riu. A imprensa progressista tratou a ideia como mais um devaneio de um presidente imprevisível. Mas a verdade é que a história da maior ilha do mundo é uma sucessão de obsessões imperiais – e Trump é apenas o último personagem de uma peça que começou séculos antes.

Os vikings chegaram primeiro, no século X, liderados por Erik, o Vermelho. Estabeleceram colônias que duraram quase 500 anos, mas desapareceram misteriosamente. Depois vieram os exploradores britânicos, holandeses e franceses, todos em busca da Passagem Noroeste. A França, aliás, esteve perto de estabelecer uma base permanente no século XVIII, mas foi superada pelos dinamarqueses, que transformaram a ilha em colônia em 1814. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Dinamarca ocupada pela Alemanha nazista perdeu o controle, e os Estados Unidos assumiram a proteção da Groenlândia, construindo bases aéreas como a Thule, vital para a Guerra Fria.

O interesse americano nunca diminuiu. Em 1946, o governo Truman ofereceu US$ 100 milhões pela ilha. A Dinamarca recusou. Em 1951, um acordo secreto permitiu que os EUA construíssem uma rede de bases nucleares – inclusive o projeto abandonado “Camp Century”, uma cidade subterrânea no gelo. Hoje, com o derretimento das calotas, esses segredos militares estão sendo expostos, e a geopolítica do Ártico se intensifica.

Por que toda essa obsessão? Por três motivos. Primeiro: a localização estratégica. A Groenlândia controla as rotas aéreas mais curtas entre a América do Norte e a Europa, além de ser a chave para a Passagem Noroeste, que o aquecimento global está abrindo para navegação. Segundo: os recursos minerais. A ilha tem vastas reservas de urânio, ouro, petróleo, gás natural e terras raras – elementos essenciais para tecnologia verde e defesa. Terceiro: a independência energética. Enquanto a Europa depende da Rússia, a Groenlândia oferece uma alternativa para o futuro.

Para a França, o interesse no Ártico é menos óbvio, mas igualmente real. Paris mantém uma presença científica em Svalbard, opera satélites de vigilância sobre a região e, como potência nuclear, precisa monitorar as rotas de submarinos russos no Atlântico Norte. A Groenlândia, por sua vez, é um ponto de observação crítico para o lançamento de mísseis intercontinentais. Em 2021, o governo Macron reforçou sua estratégia para o Ártico, citando a segurança e o acesso a recursos. A França também é uma das vozes mais ativas na União Europeia para evitar que a China compre bases ou recursos na Groenlândia – Pequim já tentou financiar aeroportos e minas, mas foi barrada pela Dinamarca e pelos EUA.

A análise FORTIS é clara: a compra da Groenlândia faria sentido econômico e estratégico para os EUA – e também para qualquer potência que queira se projetar no Ártico. O livre mercado, com respeito à propriedade privada e autodeterminação, é o caminho mais justo. A Groenlândia tem governo autônomo desde 2009 e pode decidir seu futuro. Se os groenlandeses quiserem vender terras ou direitos de exploração, que o façam. O que não se pode é permitir que o discurso climático ou o nacionalismo dinamarquês impeça o desenvolvimento de uma região que precisa de investimentos. A esquerda ambientalista, que critica Trump, é a mesma que bloqueia a mineração responsável e mantém a Groenlândia na pobreza, dependente de subsídios de Copenhague.

Contraponto: há quem veja a obsessão por comprar territórios como anacrônica e colonialista. Os críticos apontam que a população nativa inuit tem direito de decidir seu próprio destino, e que a exploração de urânio e petróleo pode trazer riscos ambientais irreversíveis. A Dinamarca, por sua vez, teme perder soberania e influência. No entanto, o argumento de que a Groenlândia deve continuar intocada é contraditório: se a ilha quer independência, precisa de autonomia financeira, e isso só virá com a venda de seus recursos. A hipocrisia dos que se opõem à iniciativa privada enquanto aceitam subsídios públicos é evidente.

No fim, a história da Groenlândia é a história do eterno dilema entre isolamento e oportunidade. Os impérios vão e vêm, mas o gelo continua a derreter, revelando um novo mapa geopolítico. Trump entendeu isso antes de muitos. A França também está se movendo. E enquanto o mundo discute aquecimento global, a corrida pelo controle do Ártico já começou.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.