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Politica

Glucksmann em Bram: a ‘cura de apoios’ que esconde o vício estatista

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

O candidato social-democrata reuniu prefeitos e pequenos empresários no sul da França para anunciar seu pacote de ‘proteção ao emprego’. Por trás do discurso de união, as mesmas receitas de aumento de impostos e regulação que afugentam investimentos.

Raphaël Glucksmann escolheu Bram, uma pequena comuna de 3.500 habitantes no departamento de Aude, para lançar aquilo que sua equipe chamou de “cura de soutiens” — uma maratona de encontros com lideranças locais. O evento, ocorrido nesta quinta-feira, 18 de setembro, no salão polivalente da cidade, reuniu cerca de 200 pessoas entre prefeitos da região Occitanie, representantes de associações comerciais e sindicalistas simpáticos à sua candidatura.

Em publicação nas redes sociais, Glucksmann afirmou que “a França precisa de um choque de proximidade” e que “Bram simboliza a França que trabalha, que não pede esmola, mas que exige respeito”. O discurso foi aplaudido de pé, mas os números contam outra história. Bram tem uma taxa de desemprego de 12,3%, acima da média nacional de 7,8%, e depende de subsídios regionais para manter seu único polo industrial, uma fábrica de processamento de alimentos que emprega 80 pessoas.

O contexto da visita não é trivial. Glucksmann, que oscila entre 9% e 11% nas pesquisas para a Presidência de 2027, precisa consolidar o eleitorado de centro-esquerda que fugiu para Jean-Luc Mélenchon ou para o macronismo desgastado. A estratégia é clara: vestir a roupagem de “social-democrata pragmático” e apresentar um programa que, na prática, amplia o Estado em setores já engessados.

Por que isso importa? Porque a “cura de soutiens” de Glucksmann revela o modus operandi da esquerda francesa: prometer proteção ao emprego enquanto multiplica encargos trabalhistas. Durante o evento, o candidato defendeu o aumento do salário mínimo para 1.600 euros líquidos, a redução da jornada semanal para 35 horas sem perda salarial e a criação de um “imposto solidário sobre grandes fortunas” que, segundo ele, financiaria a recapitalização de pequenas empresas.

O economista Nicolas Bouzou, em artigo no Le Figaro, classificou a proposta como “um tiro no pé do empreendedorismo local”. Bouzou apontou que, para cada euro arrecadado com o novo imposto, 1,50 euro deixariam de ser investidos em inovação e contratações. A análise é corroborada pelo relatório do Instituto Montaigne de 2025, que mostrou que as PMEs francesas já perdem 22% de sua competitividade frente às alemãs devido ao custo do trabalho.

Na análise FORTIS, o que Glucksmann chama de “cura” é, na verdade, uma dose maior do mesmo veneno que transformou a França no país com a maior carga tributária da OCDE (46,1% do PIB). Bram, com sua economia frágil, não precisa de mais promessas de subsídios — precisa de desregulamentação, redução de impostos sobre a folha de pagamento e liberdade para contratar e demitir. Sem isso, qualquer “apoio” é apenas paliativo que adia o colapso.

O contraponto veio do próprio partido de Glucksmann, o Place Publique, que em nota oficial rebateu as críticas: “Nosso programa é financiado por uma tributação mais justa e pelo fechamento de brechas fiscais que beneficiam multinacionais”. O problema é que a “justiça fiscal” invariavelmente se traduz em mais burocracia. Em 2024, o Conselho de Análise Econômica francês estimou que cada nova regra trabalhista custa, em média, 3.200 euros por funcionário para as microempresas.

Enquanto isso, a prefeita de Bram, Marie-Hélène Fabre (Partido Socialista), declarou à imprensa local que a visita de Glucksmann “traz esperança para uma cidade que o governo atual abandonou”. Esperança que, se depender do programa do candidato, virá na forma de mais Estado — e menos liberdade econômica.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.