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Politica

Gabriel Attal acelera campanha para 2027: o liberalismo francês em xeque

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

O primeiro-ministro francês, Gabriel Attal, anunciou nesta sexta-feira que pretende 'acelerar' sua pré-campanha presidencial para 2027, em um movimento que expõe as fissuras do campo macronista e reacende o debate sobre o futuro econômico da França.

Gabriel Attal, atual primeiro-ministro da França e herdeiro político de Emmanuel Macron, declarou em entrevista à rádio France Info que vai intensificar sua agenda de viagens e discursos nos próximos meses. A decisão ocorre em meio à queda de popularidade do governo e à pressão de alas do partido Renaissance por uma definição clara de candidatura. Attal afirmou que o país precisa de um projeto 'ousado e liberal' para retomar o crescimento, sem detalhar medidas específicas.

O anúncio não é surpreendente para quem acompanha a política francesa. Desde que assumiu o cargo de premier em janeiro de 2024, Attal tem tentado se distanciar do desgaste de Macron, ao mesmo tempo que mantém a defesa de reformas pró-mercado. A aceleração da campanha, porém, ocorre em um cenário adverso: a dívida pública francesa ultrapassou 112% do PIB, e o déficit fiscal insiste em não ceder, mesmo com as recentes tentativas de corte de gastos.

Por que isso importa? A França está no centro do debate europeu sobre o tamanho do Estado. Enquanto países como a Alemanha e os Países Baixos avançam com agendas de liberalização, Paris continua a carregar um setor público que consome mais de 57% do PIB. Attal, que já foi ministro da Educação e porta-voz do governo, representa a ala mais reformista do macronismo — mas até que ponto suas promessas de aceleração são reais ou apenas retórica eleitoral?

A análise da FORTIS NEWS, a partir de uma perspectiva liberal, aponta que o discurso de Attal soa vazio sem propostas concretas de desregulamentação e redução de impostos. Em publicação em suas redes sociais, o economista francês Nicolas Bouzou criticou a falta de coragem do governo em enfrentar os sindicatos e as corporações estatais. O mercado de trabalho francês continua engessado, com uma taxa de desemprego jovem acima de 17% e entraves burocráticos que afugentam investimentos.

O contraponto vem de setores da esquerda e até mesmo da direita nacionalista. Marine Le Pen, em comício no norte da França, classificou Attal como 'um fantoche das finanças globais', enquanto Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, acusou o premier de querer 'acelerar o empobrecimento dos trabalhadores'. Ambos ignoram que o modelo estatista francês já demonstrou sua falência: crescimento medíocre, fuga de cérebros e empresas migrando para países com menos impostos.

A verdade é que Attal enfrenta um dilema. Para vencer em 2027, precisa atrair o eleitorado de centro-direita sem perder a base macronista, mas também sem assustar os franceses com reformas drásticas. Em declaração à imprensa após o anúncio, o porta-voz do governo, Olivier Véran, afirmou que o premier 'não tem pressa' e que a aceleração é apenas um ajuste de calendário. O mercado, no entanto, reagiu com ceticismo: o CAC 40 caiu 0,8% no dia seguinte, sinalizando desconfiança.

Do ponto de vista liberal, a aceleração de Attal pode ser lida como um sinal de desespero. Sem uma maioria sólida no parlamento e com a popularidade em queda, o premier tenta capitalizar sobre o medo de uma vitória da extrema direita ou da esquerda radical. Mas a verdadeira questão é: ele terá coragem de propor um choque liberal de verdade, como a privatização de empresas estatais, a flexibilização da jornada de trabalho e o fim dos subsídios setoriais? Até agora, o histórico de Attal como ministro mostra mais continuidade do que ruptura.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.