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Economia

França estende venda de diesel de verão até novembro: intervencionismo que custa caro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

O governo francês autorizou a venda de diesel de verão até 15 de novembro, empurrando com a barriga uma crise de abastecimento que insiste em bater à porta. A medida paliativa escancara o fracasso de décadas de política energética estatizante.

O governo francês, por meio de decreto publicado no Journal Officiel, autorizou a manutenção da venda de diesel de verão (gazole d'été) até o dia 15 de novembro, estendendo o prazo original que se encerraria em outubro. A decisão, tomada em meio à crise de abastecimento que assola as refinarias do país, tenta evitar o desabastecimento total nas bombas, mas trata apenas o sintoma, não a doença.

A medida, anunciada pelo Ministério da Transição Ecológica, na prática, permite que os postos vendam o combustível com ponto de entupimento a frio mais alto por mais um mês, numa tentativa de desafogar os estoques. Contudo, a decisão ignora o elefante na sala: a França depende de refinarias que operam com capacidade ociosa crônica, enquanto a burocracia ambiental e as amarras sindicais afugentam qualquer investimento produtivo.

O contexto é dramático. A França enfrenta a maior greve do setor de refino em décadas, com paralisações que já derrubaram a produção de diesel para menos da metade da capacidade instalada. A escassez de combustível levou motoristas a horas de fila em postos de Lyon e Marselha, enquanto o governo corre para liberar reservas estratégicas e flexibilizar regras de segurança. É a política do improviso, típica de quem insiste em planejar a economia na base do carimbo e da canetada.

Por que isso importa? Porque o diesel de verão, com maior teor de componentes mais leves, é um produto mais barato de produzir, mas inadequado para temperaturas negativas. Ao estender sua venda, o governo joga para frente o problema do inverno, quando o diesel de inverno (gazole d'hiver) será mais necessário do que nunca. A decisão, portanto, não resolve a crise; apenas a adia, enquanto a população paga a conta com preços mais altos e risco de desabastecimento.

Para a FORTIS NEWS, a medida é um atestado de falência do modelo intervencionista francês. Em vez de atacar as causas estruturais — como a carga tributária paralisante, as regras trabalhistas que inviabilizam a operação das refinarias e a transição energética forçada que afugenta investidores —, o governo opta por estender prazos e afrouxar regras de segurança. É o livre mercado sendo punido por uma crise que ele não criou; a intervenção estatal, na verdade, é a raiz do problema, não a solução.

Não é de hoje que a França coleciona decisões desse tipo. Em 2018, os coletes amarelos explodiram contra o aumento de impostos sobre combustíveis, e o governo recuou. Agora, com a inflação energética corroendo o poder de compra das famílias, o Estado novamente age como bombeiro, mas com um balde furado. A alternativa liberal seria desregulamentar o setor, reduzir a carga tributária sobre os combustíveis e permitir que os preços refletissem a escassez, incentivando a oferta e a eficiência energética.

Os críticos, claro, argumentarão que a medida é necessária para evitar o caos imediato. E estão certos: ninguém quer ver postos secos em pleno outono. Mas a pergunta que fica é: até quando o Estado vai continuar administrando a escassez em vez de criar as condições para a abundância? A resposta, infelizmente, é conhecida por qualquer estudante de economia: enquanto houver votos para colher no curto prazo, a canetada será sempre mais atraente do que a reforma estrutural.

Enquanto isso, a população francesa segue refém de uma política energética que prioriza a ideologia à realidade. A extensão da venda de diesel de verão é mais um capítulo dessa novela, com final previsível: mais impostos, mais regulação e mais Estado. A FORTIS NEWS, como sempre, seguirá defendendo que a liberdade econômica é o único caminho para a prosperidade — e que o Brasil, que enfrenta dilemas semelhantes, deveria aprender com os erros alheios, não com os próprios.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.