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Internacional

Eleições na Rússia: urnas sob controle do Kremlin e céu sob fogo ucraniano

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Enquanto Vladimir Putin consolida seu domínio sobre o Parlamento russo em eleições sem oposição real, ataques ucranianos a refinarias e bases militares expõem a fragilidade do regime. Para a França, o cenário impõe dilemas entre sanções e dependência energética.

As eleições legislativas russas de 2026, realizadas entre 17 e 19 de setembro, confirmaram o que analistas independentes já previam: um Parlamento inteiramente subordinado ao Kremlin. Com a exclusão de candidatos opositores, o controle da mídia e a manipulação digital, o partido Rússia Unida obteve mais de 75% dos assentos na Duma, segundo dados oficiais divulgados pela Comissão Eleitoral Central. A ausência de observadores internacionais credenciados pela OSCE tornou o pleito uma mera formalidade.

Enquanto as urnas eram fechadas, mísseis e drones ucranianos atingiam pelo menos três refinarias na região de Krasnodar e uma base aérea em Rostov. O Ministério da Defesa russo informou, em nota oficial, que 37 drones foram abatidos, mas reconheceu danos em instalações civis. A Ucrânia, por meio do Estado-Maior General, afirmou que os ataques visam reduzir a capacidade logística russa e interromper o fornecimento de combustível para as tropas no front.

O contexto eleitoral não poderia ser mais contraditório. De um lado, o Kremlin apresenta uma imagem de estabilidade e controle absoluto. De outro, a guerra escancara vulnerabilidades: a Rússia perdeu cerca de 15% de sua capacidade de refino desde o início do conflito, segundo estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). Para a França, que ainda importa gás natural liquefeito russo – cerca de 13% do total em 2025, conforme dados da Agência Internacional de Energia –, o cenário é delicado.

Por que isso importa? As eleições não mudam a dinâmica de poder em Moscou, mas reafirmam a ausência de canais políticos legítimos para uma transição. Empresas francesas como a TotalEnergies, que mantém participação no projeto Yamal LNG, enfrentam pressão crescente de acionistas e do governo para desinvestir. Em declaração à imprensa, o ministro da Economia francês, Antoine Armand, reiterou que a França segue as sanções da União Europeia, mas evitou comentar novos embargos ao gás russo.

Análise FORTIS: A Rússia de Putin é um exemplo clássico de captura do Estado por uma oligarquia estatal. O sistema eleitoral não passa de um mecanismo de ratificação do poder pessoal, onde a propriedade privada é frágil e o mercado livre, sufocado. A guerra acelerou a estatização de ativos estratégicos – como a venda forçada da participação da Danone e da Carlsberg para empresas russas em 2023 –, afastando investimentos estrangeiros. Para liberais, a lição é clara: regimes autoritários geram insegurança jurídica e destroem o valor de longo prazo. A França, ao vacilar na diversificação energética, financia indiretamente a máquina de guerra de Putin.

Contraponto: Há quem defenda que a estabilidade autoritária russa permite negócios previsíveis, especialmente no setor de commodities. O empresário francês Bernard Arnault, em entrevista à revista Challenges, já afirmou que “negócios não podem depender de moralidade”. No entanto, a história recente mostra o oposto: a invasão da Ucrânia congelou ativos de centenas de empresas ocidentais, e a Rússia não hesita em expropriar quando lhe convém. A falsa estabilidade de um regime sem freios e contrapesos é, na verdade, o maior risco para qualquer investidor.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.