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Politica

Édouard Philippe, a candidatura liberal engolida pelo intervencionismo de Macron

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

A pré-campanha de Édouard Philippe para 2027 virou um campo de batalha silencioso contra o Palácio do Eliseu. Enquanto o ex-primeiro-ministro tenta se posicionar como a alternativa liberal, Emmanuel Macron age nos bastidores para sabotar cada movimento — e a direita francesa observa com apreço.

A eleição presidencial francesa de 2027 ainda está a mais de um ano de distância, mas o tabuleiro político já treme com as movimentações de Édouard Philippe. O ex-premiê, que lidera as pesquisas de intenção de voto entre os candidatos declarados, enfrenta um adversário inesperado: o próprio presidente Emmanuel Macron, que, mesmo sem concorrer, insiste em controlar cada etapa do jogo.

Philippe, que governou a França ao lado de Macron entre 2017 e 2020, rompeu publicamente com o chefe de Estado em 2023, ao lançar seu partido Horizon. Desde então, o ex-aliado tornou-se a principal ameaça ao campo macronista, justamente por defender exatamente o que o eleitorado de centro-direita deseja: cortes de gastos, reformas estruturais e menos intervenção estatal na economia.

A perturbação, no entanto, não vem apenas das pesquisas. Em declaração à imprensa francesa, Philippe tem repetido que "a França não pode ser governada por um homem que quer ser candidato sem nunca se declarar". A indireta não poderia ser mais clara: Macron, que já não pode concorrer a um terceiro mandato, tenta desesperadamente manter influência sobre o processo sucessório.

O presidente, porém, não se contenta em observar. Nos bastidores, articula a formação de uma aliança com a esquerda moderada, na tentativa de esvaziar o eleitorado de Philippe. A estratégia, conhecida como "frente republicana contra a extrema direita", tem efeito colateral direto: sufoca a candidatura de centro que mais cresce nas pesquisas.

Para os liberais franceses, a situação é um paradoxo. Philippe, que em 2017 era visto como o braço direito de Macron, hoje é tratado como um traidor pelos próprios aliados do Eliseu. Em publicação nas redes sociais, o deputado do Horizon, Christophe Béchu, afirmou que "o presidente deveria se preocupar em governar, não em destruir aqueles que já o serviram".

O intervencionismo de Macron não se limita a ataques verbais. O chefe de Estado tem promovido uma série de decretos nos últimos meses — desde o congelamento de preços de energia até a nacionalização parcial de empresas de infraestrutura — que contradizem diretamente a plataforma de Philippe. A mensagem é clara: o liberalismo só é aceitável se for sob o controle do Palácio.

Por que isso importa? Porque a França, a segunda maior economia da zona do euro, enfrenta uma crise fiscal sem precedentes, com dívida pública acima de 110% do PIB. Em vez de debater o tamanho do Estado, o debate público foi sequestrado por uma disputa de egos entre o presidente e seu ex-primeiro-ministro.

A análise da FORTIS é direta: a interferência de Macron não é um acidente de percurso, mas uma estratégia deliberada para manter o controle do partido governista. Ao invés de permitir que Philippe apresente um plano de redução do déficit, o presidente prefere criar uma cortina de fumaça com promessas de intervenção estatal, apostando que o medo da extrema direita garanta a vitória de um candidato fraco.

O contraponto, é preciso reconhecer, vem dos próprios números. Pesquisas recentes indicam que a candidatura de Marine Le Pen segue forte, com cerca de 32% dos votos no primeiro turno. Para muitos eleitores de centro, a prioridade é barrar o avanço do Reagrupamento Nacional, mesmo que isso signifique apoiar um candidato menos liberal.

Philippe, no entanto, parece disposto a enfrentar o desafio. Em comício em Lyon, no último final de semana, ele declarou que "a liberdade econômica não é um luxo, é uma necessidade" — uma frase que, se não fosse pelo contexto, poderia ter sido dita por qualquer economista da Escola de Chicago.

A pergunta que fica é: até quando o eleitorado francês vai tolerar que o presidente transforme a sucessão presidencial em um cabo de guerra pessoal? A resposta, caro leitor, será dada nas urnas em abril de 2027. Enquanto isso, o liberalismo francês espera ansiosamente que alguém corte o nó górdio.

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**1. Por que Emmanuel Macron não pode concorrer a um terceiro mandato?** A Constituição da Quinta República Francesa, em seu artigo 6º, limita o mandato presidencial a dois turnos consecutivos. Macron já foi eleito em 2017 e reeleito em 2022, portanto, está impedido de disputar a eleição de 2027. Apesar disso, ele permanece no cargo até maio de 2027 e tem usado seus poderes executivos para influenciar a sucessão.

**2. Qual é a principal diferença entre a plataforma de Édouard Philippe e a de Emmanuel Macron hoje?** Enquanto Philippe defende reformas estruturais — como a redução do déficit público, a desburocratização do mercado de trabalho e a privatização de empresas estatais —, Macron, sob pressão dos movimentos sociais, tem adotado uma postura mais intervencionista, com subsídios, controle de preços e nacionalizações pontuais. Na prática, Philippe representa a ala liberal clássica, enquanto Macron tenta equilibrar a base socialista e a centro-direita.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.