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Opiniao

A fúria contra os data centers e o espectro dos ludditas da IA: uma análise FORTIS

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

O jornalista Jacques-Olivier Martin, do Le Figaro, compara a crescente oposição aos data centers na França ao movimento ludista do século XIX. Para o FORTIS NEWS, essa resistência é um sintoma do medo irracional do progresso tecnológico, que ameaça o futuro econômico do país.

O avanço da inteligência artificial exige infraestrutura maciça de data centers, mas na França o clamor popular contra essas instalações cresce a cada anúncio de novo projeto. Em artigo recente no Le Figaro, o jornalista Jacques-Olivier Martin traça um paralelo incômodo: a ira contra os data centers seria o novo rosto do ludismo – o movimento operário do século XIX que destruía máquinas por temer a perda de empregos. Para o FORTIS NEWS, a analogia é precisa e revela uma tendência perigosa: a rejeição irracional da inovação sob o disfarce de preocupações ambientais ou sociais.

O artigo de Martin, intitulado “Derrière la colère contre les data centers, le spectre des Luddites de l’IA”, argumenta que os manifestantes de hoje, muitas vezes apoiados por grupos ecologistas e sindicatos, repetem o mesmo erro histórico. Em vez de enxergar os data centers como motores da economia digital, veem-nos como monstros devoradores de energia e água. O autor lembra que os ludditas originais quebravam teares mecânicos; hoje, tentam barrar a construção de centros de dados que viabilizam a inteligência artificial. A diferença é que, então, a mecanização criou mais empregos e riqueza a longo prazo – e o mesmo ocorrerá com a IA.

Por que isso importa? A França está numa corrida global pela liderança em IA. O presidente Emmanuel Macron anunciou investimentos bilionários e a construção de dezenas de novos data centers, muitos em regiões como Île-de-France e Marselha. No entanto, a reação local tem sido feroz. Em 2025, protestos em Val-de-Marne contra um projeto da empresa Digital Realty levaram a meses de atrasos. Moradores e ativistas citam consumo excessivo de água para resfriamento e impacto visual. O governo, em nota oficial, defende que os data centers são essenciais para a soberania digital e que as preocupações ambientais são mitigadas por tecnologias mais eficientes.

A análise do FORTIS NEWS aponta que a retórica dos opositores ignora os benefícios econômicos diretos e indiretos. Cada data center gera centenas de empregos na construção e operação, além de atrair empresas de tecnologia que pagam impostos e fomentam inovação. Dados da Federação Francesa de Telecomunicações indicam que o setor de data centers já contribui com mais de €5 bilhões anuais ao PIB. Impedir sua expansão é condenar a França a depender de infraestrutura estrangeira, principalmente nos Estados Unidos e na China, onde as restrições são mínimas.

O espectro dos ludditas da IA não se limita à França. Martin cita movimentos similares na Alemanha e no Reino Unido, onde comunidades rurais se opõem a parques eólicos e data centers com os mesmos argumentos. Porém, a França tem um agravante: a forte tradição de intervenção estatal e sindicatos poderosos que muitas vezes bloqueiam reformas. Em declaração à imprensa, o ministro da Transformação Digital, Jean-Noël Barrot, afirmou que o governo não cederá a “pressões irracionais” e que os data centers são “tão vitais quanto ferrovias no século XIX”.

Contraponto: ambientalistas rebatem que a comparação com os ludditas é desonesta. Em artigo no Le Monde, a ativista Camille Étienne argumenta que a luta é contra o modelo energético insustentável, não contra a tecnologia em si. Segundo ela, data centers consomem até 10% da eletricidade mundial em 2030, e a França, com sua matriz nuclear, não pode se dar ao luxo de desperdiçar energia. O FORTIS NEWS reconhece que o consumo é real, mas ressalta que o próprio progresso tecnológico – como resfriamento líquido e uso de energias renováveis – já reduz o impacto. Além disso, barrar a infraestrutura não elimina a demanda; apenas a desloca para países com menos regulação, onde o controle ambiental é ainda pior.

A história mostra que o medo do novo sempre existiu. Os ludditas foram derrotados não pela repressão, mas pela evidência de que as máquinas aumentaram a produtividade e os salários. A IA e seus data centers seguirão caminho semelhante. A França precisa escolher: ser um polo de inovação ou um museu de resistência ao progresso.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.