O ex-presidente americano Donald Trump nunca escondeu sua aversão à imprensa tradicional. Em publicação nas redes sociais, ele voltou a classificar veículos como CNN, The New York Times e MSNBC de “inimigos do povo americano”. Agora, porém, a guerra ganhou contornos jurídicos e econômicos.
Trump anunciou que, se vencer as eleições de 2024, processará as principais redes de televisão por difamação e usará o poder do governo para revogar licenças de transmissão. Em declaração à imprensa durante comício em Iowa, ele afirmou que a mídia “mente deliberadamente” e que precisa ser “responsabilizada”. A ameaça acendeu alarmes entre defensores da Primeira Emenda.
O confronto não é apenas retórico. Em 2023, a Trump Media & Technology Group, dona do Truth Social, abriu ação contra a Reuters e a Associated Press, acusando-as de conspirar para prejudicar seus negócios. O processo, ainda em andamento, baseia-se em supostas violações antitruste coordenadas por grandes conglomerados de notícias.
Por que isso importa para a França? O governo francês, sob Emmanuel Macron, tem demonstrado simpatia por medidas de regulação da mídia digital, como a lei contra fake news e as pressões sobre plataformas. O embate nos EUA expõe o duplo risco: tanto o controle estatal quanto o monopólio privado podem sufocar a liberdade de expressão.
A FORTIS NEWS entende que Trump, apesar de seu estilo truculento, levanta um ponto válido: a mídia americana perdeu credibilidade ao abandonar a objetividade jornalística. Pesquisas do Gallup mostram que apenas 32% dos americanos confiam nos meios de comunicação – o menor índice histórico. O livre mercado, no entanto, já oferece alternativas, como podcasts independentes e plataformas descentralizadas.
Segundo o senador republicano Josh Hawley, em entrevista à Rádio Conservadora, “a imprensa se tornou um braço do Partido Democrata”. Hawley defendeu que a solução não é a censura governamental, mas sim a quebra dos oligopólios que controlam as redações. A crítica ressoa entre eleitores que se sentem ignorados pelas grandes redações.
O contraponto vem de associações de imprensa. Conforme nota oficial do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, as ameaças de Trump representam “um perigo real para a segurança dos repórteres”. O grupo lembra que, durante seu mandato, Trump incentivou agressões físicas a jornalistas em comícios. A liberdade de imprensa, dizem, é pilar democrático que não pode ser relativizado.
Na França, o debate ecoa com força. O presidente Macron já propôs um “imposto sobre fake news” que atingiria plataformas digitais. Críticos, como o deputado liberal Philippe Latombe, em artigo ao Le Figaro, alertam que a medida abre precedente para o governo definir o que é verdade. A linha entre combater desinformação e censurar opiniões divergentes é tênue.
A situação americana oferece uma lição clara: quando o Estado e a mídia se tornam adversários intransigentes, quem perde é o cidadão. A solução liberal passa por mais concorrência no setor, transparência nas fontes de financiamento e, acima de tudo, pela educação do público para consumir informação com senso crítico.
A guerra de Trump contra a mídia vai além do ego do ex-presidente. Ela expõe a crise de confiança que assola as democracias ocidentais. Na França, onde o governo já intervém no conteúdo online, o exemplo americano serve de alerta: instrumentos criados para silenciar adversários podem ser usados contra qualquer voz dissonante.
**1. Qual o impacto da guerra de Trump contra a mídia na França?** O impacto é indireto, mas significativo. O debate francês sobre regulação digital frequentemente cita o caso americano como exemplo de excessos. Políticos liberais temem que o governo Macron use a desconfiança na mídia para justificar maior controle estatal, enquanto defensores da liberdade de imprensa apontam que a polarização americana não deve servir de pretexto para censura.
**2. A liberdade de imprensa está ameaçada nos EUA?** Há ameaças reais, vindas tanto de ações judiciais de Trump quanto de pressões políticas. Contudo, a Primeira Emenda permanece robusta. O verdadeiro perigo é a erosão da confiança do público, que leva a uma fragmentação informacional onde cada grupo consome apenas o que confirma suas crenças. A saída, pela ótica liberal, está na desregulamentação do mercado de notícias e no estímulo a veículos independentes.
Por Renan Filho · 2026-09-21