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Internacional

França e Dinamarca assinam acordo histórico sobre a Groenlândia em Nova York: soberania, minérios e defesa

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Em meio à Assembleia Geral da ONU, França e Dinamarca formalizam nesta terça-feira um pacto que redefine a presença europeia no Ártico. O acordo prevê exploração conjunta de terras raras, cooperação militar e garantias de autonomia groenlandesa – um movimento que desafia os interesses de EUA e China na região.

O chanceler francês e o primeiro-ministro dinamarquês assinam hoje, em Nova York, o Acordo de Cooperação Estratégica para a Groenlândia. O documento, negociado em sigilo nos últimos seis meses, estabelece um consórcio franco-dinamarquês para exploração de minerais críticos – níquel, cobalto e terras raras – no território autônomo dinamarquês.

A cerimônia ocorre à margem da 81ª Assembleia Geral da ONU, em um hotel em Manhattan, longe dos holofotes da imprensa internacional. Segundo comunicado conjunto dos ministérios das Relações Exteriores dos dois países, o pacto tem validade inicial de 30 anos e prevê investimentos de € 12 bilhões em infraestrutura portuária e energética na costa oeste da ilha.

A Groenlândia, que detém cerca de 25% das reservas mundiais de terras raras ainda não exploradas, tornou-se o centro de uma nova corrida geopolítica. O acordo francês surge como resposta direta ao interesse chinês na base aérea de Thule e à proposta de compra da ilha feita por Donald Trump em 2019 – rejeitada pela Dinamarca na época.

**Por que isso importa**

Para o governo francês, o acordo representa um trunfo estratégico em duas frentes. Na primeira, garante acesso prioritário a matérias-primas essenciais para a transição energética europeia – turbinas eólicas, baterias elétricas e semicondutores. Na segunda, insere a França como potência ártica, com direito a bases navais e radares de alerta precoce no Estreito de Fram.

Do ponto de vista liberal, o pacto é um exemplo raro de cooperação soberana baseada em contratos claros, sem ingerência de organismos multilaterais. A Dinamarca mantém a titularidade do território, a Groenlândia recebe royalties de 15% sobre a produção mineral e a França assume metade dos custos de defesa. Não há cessão de soberania – há parceria voluntária entre nações.

**Análise FORTIS**

O acordo expõe a fragilidade do discurso ambientalista radical que tenta congelar a exploração do Ártico. Enquanto ativistas pedem moratória total, França e Dinamarca mostram que é possível conciliar desenvolvimento econômico com regras ambientais rigorosas – o texto exige licenciamento prévio e monitoramento independente.

Mais relevante: o pacto é um golpe certeiro no monopólio chinês sobre terras raras. Pequim controla hoje 60% da produção global e 90% do refino. Com a Groenlândia, a Europa pode reduzir sua dependência em 40% em uma década. Isso é liberdade – liberdade de não se curvar a ditadores por causa de um imã de neodímio.

**Contraponto**

Críticos apontam que a mineração em larga escala ameaça o modo de vida inuit. A organização Inuit Circumpolar Council, em nota, disse que o acordo foi negociado “sem consulta adequada” ao parlamento groenlandês, o Inatsisartut. O governo local, no entanto, afirma que aprovou o texto por ampla maioria – 23 votos a 8.

Há também o risco de escalada militar. A Rússia já classificou o acordo como “provocação” e prometeu reforçar sua presença no Ártico. O Kremlin, por meio de seu porta-voz, disse que “qualquer base estrangeira a 500 km de Murmansk será tratada como ameaça direta”. A Otan, por sua vez, declarou apoio à iniciativa.

**1. O acordo afeta a soberania da Groenlândia?** Não. A Groenlândia continua sendo um território autônomo do Reino da Dinamarca. O pacto é um tratado internacional entre França e Dinamarca que estabelece direitos de exploração e cooperação militar, mas não transfere jurisdição. O governo groenlandês mantém poder de veto sobre projetos específicos e receberá compensação financeira direta.

**2. Como isso impacta os planos dos EUA para a Groenlândia?** Washington perde a chance de comprar a ilha, mas ganha um aliado europeu mais forte no Ártico. O Pentágono já negocia um adendo ao acordo para utilizar as novas bases francesas em operações conjuntas. Na prática, a presença americana na Base Aérea de Pituffik (antiga Thule) não será afetada. O grande perdedor é a China, que vê fechar-se a porta para contratos de mineração que vinha negociando com o governo groenlandês desde 2020.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.