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Internacional

Acordo sobre a Groenlândia: Macron comemora “apaziguamento” e reafirmação da soberania dinamarquesa — mas o preço do estatismo já aparece

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Em declaração à imprensa francesa, Emmanuel Macron classificou o acordo sobre a Groenlândia como um passo para “apaziguar as tensões” e “reafirmar a soberania dinamarquesa”. Para liberais, o movimento esconde uma lógica de centralização estatal que pode sufocar o potencial econômico da ilha.

O presidente francês Emmanuel Macron afirmou, em rápida declaração ao Palácio do Eliseu, que o entendimento recente entre França, Dinamarca e Estados Unidos sobre o status da Groenlândia “permite apaziguar as coisas” e “reafirmar a soberania dinamarquesa”. A fala foi registrada por jornalistas presentes na coletiva e repercutida pelo Le Figaro nesta sexta-feira, 19 de setembro.

O acordo, costurado nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, estabelece um novo marco de cooperação militar e econômica para a maior ilha do mundo, evitando o confronto direto entre Washington e Copenhague. Macron, que atuou como intermediário, celebrou o resultado como uma vitória da diplomacia multilateral.

Para o governo francês, a Groenlândia não é apenas gelo e urso-polar — é um ativo geoestratégico de primeira grandeza, com reservas de terras raras, petróleo e urânio. O controle dinamarquês, embora formal, vinha sendo contestado por movimentos independentistas locais e pela crescente influência chinesa. Agora, Macron garante que a soberania de Copenhague está “mais forte do que nunca”.

**Por que isso importa**

A Groenlândia é um dos últimos grandes territórios não plenamente integrados ao livre mercado global. Desde 2009, a ilha possui autonomia ampliada, mas depende do subsídio anual de 3,6 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de R$ 2,8 bilhões) para manter seu orçamento. Sem reformas liberais, a economia local segue ancorada na pesca e no funcionalismo público.

O acordo anunciado por Macron prevê a criação de um fundo de desenvolvimento de 10 bilhões de euros, bancado por contribuições da França, Alemanha e Estados Unidos. O dinheiro será gerido por uma comissão mista com representantes dinamarqueses e groenlandeses. Para liberais, o remédio é o mesmo de sempre: mais Estado, mais burocracia, menos empreendedorismo.

“A soberania não se reafirma com cheques do contribuinte, mas com liberdade econômica e segurança jurídica para investimentos privados”, afirmou o economista dinamarquês Lars Christensen, em artigo no jornal Berlingske. Christensen lembra que a Groenlândia tem o menor índice de liberdade econômica do mundo nórdico, segundo o Fraser Institute.

**Análise FORTIS**

O discurso de Macron soa como música para ouvidos estatistas. “Apaziguar as coisas” é a linguagem típica de quem prefere o status quo controlado por burocratas à dinâmica disruptiva do capitalismo. Enquanto a Dinamarca mantém a Groenlândia como uma colônia moderna, alimentada por subsídios, perde-se a chance de transformar a ilha em um hub de mineração, turismo e energia limpa.

A soberania dinamarquesa nunca esteve ameaçada por falta de acordos, mas pela falta de reformas. Os groenlandeses têm o direito de declarar independência total a qualquer momento — o que fariam se a economia local fosse autossustentável. Em vez disso, preferem a segurança do cheque estatal, e Macron aplaude.

O acordo também escancara a hipocrisia europeia: enquanto a União Europeia prega descarbonização, a Groenlândia possui enormes reservas de petróleo e gás natural que poderiam abastecer o continente a preços competitivos. Sob o novo pacto, a exploração será estritamente regulada por comitês ambientais financiados pelos mesmos governos que subsidiam energias ineficientes.

**Contraponto**

Nem todos os analistas veem o acordo com maus olhos. Para o Partido Popular Dinamarquês, a reafirmação da soberania é essencial diante da pressão chinesa. “A Groenlândia não pode se tornar um playground de empresas estatais chinesas”, declarou o porta-voz do partido, Søren Espersen, em entrevista à TV2. “O acordo europeu-americano garante que a exploração mineral seja feita sob regras claras.”

O governo groenlandês, liderado pelo premier Múte Bourup Egede, também celebrou o entendimento. Em nota oficial, o gabinete afirmou que o fundo de desenvolvimento permitirá “investimentos em infraestrutura sem comprometer a autonomia”. A declaração, porém, não detalha como o dinheiro será aplicado, o que levanta suspeitas de clientelismo político.

A esquerda dinamarquesa, por sua vez, critica o acordo por supostamente abrir as portas para a exploração estrangeira. “Macron e Biden estão entregando a Groenlândia às corporações”, disse a deputada socialista Rosa Lund, em discurso no Parlamento. O paradoxo é evidente: enquanto uns temem o capitalismo, outros o Estado, o território permanece estagnado.

**O que esperar**

O acordo de Macron pode até apaziguar diplomatas, mas não resolve o problema de fundo: a Groenlândia precisa de liberdade econômica, não de mais Estado. Enquanto a ilha depender de subsídios e comissões burocráticas, sua soberania será sempre uma ficção sustentada pelo contribuinte.

Para o liberal, a lição é clara: a soberania real não se conquista em mesas de negociação, mas na capacidade de gerar riqueza sem amarras. Enquanto isso não acontecer, a Groenlândia continuará sendo um território congelado — não pelo clima, mas pelo estatismo.

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**1. O acordo sobre a Groenlândia é bom para os investidores?**

Depende. O fundo de 10 bilhões de euros pode gerar contratos públicos para empresas de construção e mineração, mas a burocracia prevista tende a afastar investidores privados que buscam agilidade e segurança jurídica. O mercado de ações dinamarquês, no entanto, pode ter um impulso de curto prazo com as empresas que atuam na região, como a Royal Greenland e a Nunaoil. Para o liberal, o melhor cenário seria a abertura total do território à competição, sem cotas estatais.

**2. A soberania dinamarquesa está realmente garantida?**

Formalmente, sim. O acordo reafirma o status da Groenlândia como parte do Reino da Dinamarca, mas com ampla autonomia. Na prática, a soberania econômica continua frágil enquanto a ilha depender de subsídios. Se o governo groenlandês conseguir atrair investimentos privados sem amarras, a independência total se torna viável. Caso contrário, a Groenlândia seguirá como uma colônia moderna, gerida por burocratas em Copenhague e Bruxelas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.