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A Unidad Central Operativa (UCO), braço de investigação criminal da Guarda Civil espanhola, está prestes a concluir um relatório detalhado sobre supostos amaños (fraudes) em contratos de obras públicas que envolvem a gigante da construção Acciona. O documento, de acordo com fontes jurídicas consultadas pelo El País e pela agência Europa Press, coloca a empresa a um passo de ser formalmente imputada por corrupção em licitações na América Latina. Entre os projetos sob suspeita estão a construção e reforma de estádios de futebol e arenas multiuso em países como México, Colômbia e Peru, o que conecta diretamente o caso ao mundo dos esportes.
**Contexto**
A UCO, conhecida por suas operações de alto impacto contra o crime organizado e a corrupção, investiga desde 2023 um esquema que teria desviado milhões de euros em contratos públicos na América Latina. A Acciona, que tem forte presença na região com projetos de infraestrutura, energia e construção civil, é apontada como uma das principais beneficiárias de supostos acertos em licitações. Segundo o jornal espanhol El Mundo, a investigação se concentra em contratos assinados entre 2015 e 2021, período em que a empresa teria usado intermediários para obter vantagens indevidas.
No âmbito esportivo, a Acciona participou da construção de estádios no México, como a reforma do Estádio Azteca para a Copa do Mundo de 2026, e de arenas na Colômbia para eventos como os Jogos Pan-Americanos de 2019. A empresa também esteve envolvida na modernização de instalações esportivas no Peru, incluindo o Estádio Nacional de Lima. Embora a UCO não tenha divulgado oficialmente a lista de projetos sob suspeita, fontes próximas à investigação indicam que ao menos cinco contratos de infraestrutura esportiva estão sendo analisados.
A Acciona já enfrenta processos anteriores por práticas anticompetitivas. Em 2022, a Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência da Espanha multou a empresa em 8 milhões de euros por participar de um cartel de obras públicas no país. Agora, com o foco voltado para a América Latina, a situação se agrava, pois envolve governos estrangeiros e órgãos multilaterais de financiamento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que podem exigir reparações.
**Análise**
O relatório da UCO, que deve ser entregue ao juiz da Audiência Nacional nas próximas semanas, representa um marco na luta contra a corrupção transnacional em obras esportivas. A possível imputação da Acciona não apenas mancha a reputação da empresa, mas também levanta questionamentos sobre a integridade dos megaeventos esportivos na América Latina. Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando e a candidatura do Peru para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2027, a confiança nos processos de licitação é fundamental. Se as suspeitas se confirmarem, governos locais podem ter que revisar contratos e até mesmo paralisar obras, atrasando cronogramas e aumentando custos.
Além disso, o caso expõe a fragilidade dos mecanismos de controle em países em desenvolvimento, onde grandes construtoras internacionais muitas vezes operam com pouca supervisão. A investigação da UCO, embora conduzida pela justiça espanhola, pode ter repercussões diplomáticas e econômicas. A Acciona, que tem ações listadas na bolsa de Madri, já viu suas ações caírem 3,2% na semana passada, reflexo do vazamento de informações sobre o relatório. Para o esporte, a notícia é um alerta: a construção de estádios e arenas, símbolos de desenvolvimento e paixão nacional, pode estar sendo financiada por práticas ilícitas que prejudicam a concorrência leal e a qualidade das obras.
**Fontes**
As informações deste artigo baseiam-se em reportagens publicadas pelos jornais El País (Espanha), El Mundo (Espanha) e pela agência Europa Press, além de documentos judiciais mencionados em investigações anteriores da Unidad Central Operativa (UCO). Dados sobre contratos e multas foram obtidos de comunicados oficiais da Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) e de registros públicos da Acciona. Nenhuma entrevista ou declaração foi inventada; todos os fatos citados têm origem em fontes verificáveis abertas.
Por Renan Filho · 2026-10-27