O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a usar o púlpito da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na última terça-feira, 22 de setembro de 2026, em Nova York. Em seu discurso, ele criticou duramente a política de defesa dos aliados europeus, a carga tributária americana e as consequências da imigração irregular para países como o Brasil e o México.
A BBC News Mundo, serviço da emissora britânica para a América Latina, submeteu três das principais afirmações de Trump a uma verificação de fatos, confrontando-as com dados do Banco Mundial, da OCDE e do Departamento de Defesa dos EUA. Abaixo, o FORTIS NEWS expõe o que foi dito, o que a BBC constatou e qual a interpretação dentro do prisma do livre mercado e da soberania nacional.
**1ª afirmação: “Os países da Europa gastam muito menos com defesa do que os EUA, e esperam que Washington pague a conta.”**
De acordo com a BBC, a afirmação de Trump é factualmente correta. Os dados da OTAN (2025) mostram que apenas 11 dos 32 países-membros atingem a meta de 2% do PIB em gastos militares. Os Estados Unidos, por sua vez, destinam 3,4% do seu PIB para defesa, valor superior ao de Alemanha (1,7%), França (1,9%) e Itália (1,5%). A diferença absoluta é ainda mais gritante: o orçamento militar americano (cerca de US$ 800 bilhões) supera o gasto somado dos nove maiores aliados europeus.
**Por que isso importa:** O liberal-conservadorismo defende que cada nação assuma a responsabilidade primária por sua própria segurança. O parasitismo fiscal disfarçado de “aliança” não é sustentável. O contribuinte americano — e, de forma análoga, o brasileiro — não pode ser obrigado a subsidiar exércitos de países que preferem gastar com subsídios agrícolas e burocracia sindical.
**2ª afirmação: “A imigração ilegal custa ao contribuinte americano mais de US$ 150 bilhões por ano, e o Brasil sofre o mesmo problema com venezuelanos e haitianos.”**
A BBC classificou essa declaração como “exagerada”. O governo americano, por meio do Congressional Budget Office (CBO), estima custos líquidos entre US$ 80 e US$ 100 bilhões anuais, considerando despesas com educação, saúde e justiça criminal. O número de US$ 150 bilhões, usado por Trump, inclui custos indiretos e externalidades contestadas por economistas liberais como o prêmio Nobel Gary Becker (já falecido) e o brasileiro Marcos Mendes.
Quanto ao Brasil, a checagem da BBC aponta que o governo federal gastou, em 2025, R$ 4,3 bilhões (aproximadamente US$ 850 milhões) com a Operação Acolhida e programas de interiorização de imigrantes venezuelanos, segundo dados da Casa Civil. Para uma economia de mais de R$ 10 trilhões, o impacto fiscal é pequeno, mas o custo social e a pressão sobre serviços públicos em Roraima e Manaus são reais e crescentes.
**Análise FORTIS:** O problema central não é o valor absoluto, mas o princípio. O imigrante irregular impõe custos que não compensa com tributos, já que trabalha majoritariamente no setor informal. Em um Estado de direito minimalista, a imigração deve ser legal, qualificada e fiscalizada. A complacência ideológica de governos latino-americanos com fronteiras abertas é uma transferência de renda dos pobres locais (que perdem empregos e salários) para políticos que fingem “solidariedade internacional”.
**3ª afirmação: “Os EUA têm a maior carga tributária do mundo desenvolvido, e por isso as empresas fogem para o México e para a Ásia.”**
A BBC aponta que a afirmação é falsa. Segundo dados da OCDE (2025), a carga tributária total dos EUA (incluindo todas as esferas de governo) é de 27,3% do PIB, inferior à média da OCDE (34,1%) e muito abaixo de países como França (45,2%), Alemanha (40,6%) e Brasil (33,9%). Trump confunde “alíquota máxima de imposto corporativo” — que é de 21% nos EUA, contra 32% no Brasil e 35% na França — com carga tributária total.
**Contraponto:** Apesar de a carga total não ser a maior, o sistema tributário americano é extremamente complexo e ineficiente. O custo de conformidade fiscal nos EUA é estimado pela Tax Foundation em US$ 300 bilhões anuais. A simplificação — ideal defendida por liberais brasileiros como os economistas da Fundação Getulio Vargas — é urgente em qualquer economia.
**Por que isso importa para o leitor latino-americano:** O Brasil, com carga de 33,9% do PIB e retorno pífio em serviços públicos, é um exemplo clássico do Estado ineficiente que tributa demais e entrega pouco. A crítica de Trump, ainda que imprecisa nos números, aponta para o mesmo diagnóstico liberal: impostos altos e mal desenhados destroem emprego e competitividade.
Por Renan Filho · 2026-09-23