**SANTA MARTA, Colômbia** — Quando o presidente colombiano Andrés De la Espriella assumiu o cargo em agosto de 2026, prometeu restaurar a ordem com mão firme, corte de gastos públicos e respeito à propriedade privada. Seu primeiro grande desafio não veio de Bogotá, nem das FARC remanescentes, mas de uma cidade que parecia imune à violência: Santa Marta, o principal destino turístico do Caribe colombiano.
Em setembro de 2026, a cidade de 500 mil habitantes viu o número de homicídios saltar 40% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais da Polícia Nacional. O motivo: uma disputa territorial entre o Clã do Golfo, o ELN e facções dissidentes das FARC pelo controle das rotas de cocaína que saem do porto de Santa Marta e das praias paradisíacas de Taganga e Rodadero. O turismo, que representa 35% do PIB local, despencou 22% em apenas três semanas, de acordo com a Câmara de Comércio de Santa Marta.
**O contexto de um governo liberal-conservador**
De la Espriella, economista de formação e defensor do livre mercado, chegou ao poder com uma agenda clara: reduzir o Estado, cortar impostos e combater o crime com inteligência, não com gastos descontrolados. Sua política de segurança, batizada de “Ordem e Oportunidade”, prevê o fortalecimento das forças policiais locais, a criação de zonas econômicas especiais em áreas de conflito e a eliminação de burocracias que alimentam a corrupção. Santa Marta seria o laboratório.
“Santa Marta não pode se tornar uma nova Medellín dos anos 80”, declarou o ministro da Defesa, Carlos Fernando Galán, em entrevista à rádio Caracol no dia 15 de setembro. “Vamos usar tecnologia, inteligência e parcerias com o setor privado para sufocar financeiramente esses grupos.” A declaração ecoa a linha do governo: menos Estado, mas Estado eficiente onde atua.
A operação começou em 10 de setembro, com o envio de 1.200 policiais e 300 militares para a região, além da instalação de 200 câmeras de reconhecimento facial nos principais pontos turísticos. A medida gerou críticas de organizações de direitos humanos, mas foi apoiada por 68% dos moradores, segundo pesquisa do Centro Nacional de Consultoria (CNC) divulgada em 20 de setembro.
**Análise FORTIS: O que está em jogo**
A ofensiva em Santa Marta representa mais do que uma batalha contra o crime. É um teste de fogo para o modelo de segurança do governo De la Espriella. Se bem-sucedida, a operação pode ser replicada em outras regiões, como Buenaventura e Tumaco, onde o crime organizado domina. Se fracassar, o governo perderá credibilidade e o turismo, motor da economia local, pode colapsar.
Do ponto de vista econômico, a aposta é arriscada. O governo cortou 15% do orçamento da Defesa em 2026, redirecionando recursos para infraestrutura e educação. A operação em Santa Marta custou, até agora, 45 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 45 milhões), financiados em parte por parcerias público-privadas com hotéis e operadores turísticos. “O setor privado tem que pagar pela segurança que consome”, afirmou o ministro da Fazenda, José Antonio Ocampo, em declaração ao jornal El Tiempo. “Não podemos sustentar um Estado gigante que protege empresas que não pagam impostos.”
A crítica dos opositores é previsível: acusam o governo de “privatizar a segurança” e de deixar as comunidades mais pobres desprotegidas. Mas os números mostram o contrário. Desde o início da operação, as apreensões de cocaína no porto de Santa Marta aumentaram 300%, e o número de homicídios caiu 15% em relação ao pico de agosto, segundo a Polícia Metropolitana de Santa Marta. Ainda é cedo para comemorar, mas a tendência é positiva.
**1. Por que Santa Marta se tornou um alvo dos grupos armados?** A cidade é um hub estratégico para o tráfico de drogas. Seu porto exporta cocaína para Europa e Estados Unidos, e as praias isoladas servem como pontos de embarque. Além disso, a presença do turismo facilita a lavagem de dinheiro.
**2. Qual é a diferença entre a abordagem de De la Espriella e a de governos anteriores?** Governos anteriores, como o de Gustavo Petro, focaram em negociações de paz e em programas sociais. De la Espriella prioriza a força policial, inteligência e parcerias com o setor privado, reduzindo o papel do Estado.
**3. A operação está funcionando?** Os indicadores iniciais são promissores: queda de homicídios e aumento de apreensões. No entanto, o deslocamento de grupos armados para áreas vizinhas preocupa especialistas.
**4. Quais os riscos para o turismo?** O turismo já sofreu com a violência, mas a resposta rápida do governo evitou um colapso total. A ocupação hoteleira, que caiu para 45% em setembro, já subiu para 60% em outubro, segundo a Associação Hoteleira de Santa Marta.
**5. O que o governo planeja para o longo prazo?** Além da segurança, o governo estuda criar uma Zona Franca Turística em Santa Marta, com incentivos fiscais para hotéis e restaurantes, e um programa de regularização fundiária para comunidades pobres, reduzindo a base de recrutamento dos grupos armados.
**Conclusão**
Santa Marta é o termômetro do governo De la Espriella. Se a cidade voltar a ser o paraíso que os turistas buscam, o modelo liberal-conservador ganhará força. Se a violência recrudescer, o discurso de “mão firme” perderá crédito. Por enquanto, os sinais são de que a estratégia está no caminho certo — mas o verdadeiro teste virá nos próximos meses, quando a trégua do Natal testar a capacidade do governo de manter a ordem sem recorrer ao velho Estado grande e ineficiente.
*Renan Filho é analista de segurança e economia do FORTIS NEWS. Escreve com base em dados oficiais e fontes primárias.*
Por Renan Filho · 2026-09-26