FORTIS
← FORTIS
Internacional

Sob o signo de Trump: como a nova direita latino-americana enterra o populismo e abraça o livre mercado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

De San Salvador a Buenos Aires, passando por Santiago e Brasília, uma nova geração de líderes conservadores demonstra alinhamento estratégico com a Casa Branca. Mais do que adesão ideológica, os dados mostram convergência em soberania, segurança e reformas econômicas.

Enquanto a esquerda global ainda tenta digerir a derrota de 2024 nos Estados Unidos, um fato concreto já se consolidou no hemisfério: a nova direita que governa a América Latina não apenas aceitou a vitória de Donald Trump, como está reorientando suas políticas domésticas e diplomáticas para um alinhamento explícito com Washington.

O movimento não é retórico. Dados oficiais e declarações públicas de líderes como Nayib Bukele (El Salvador), Javier Milei (Argentina) e, em menor grau, Gabriel Boric (Chile) — que, embora de origem esquerdista, adotou uma guinada pragmática na segurança — mostram que a região está passando por uma realinhamento geopolítico silencioso, mas profundo.

Em El Salvador, Bukele foi o primeiro líder latino-americano a parabenizar Trump publicamente após a vitória eleitoral de 2024, em uma publicação no X (antigo Twitter) que dizia: "Que venham os tempos de liberdade e ordem. América Latina precisa de um parceiro que entenda de segurança." A frase não foi casual. Bukele, que já havia enviado tropas para treinamento conjunto com forças especiais dos EUA em 2025, agora negocia a expansão do modelo de megaprojetos de infraestrutura financiados por capital americano, em troca de maior cooperação migratória e de combate ao narcotráfico.

Na Argentina, Javier Milei não apenas adotou o dólar como referência cambial de facto, como também promoveu uma reforma ministerial que eliminou 12 secretarias e cortou 30% dos gastos públicos — exatamente o que a equipe econômica de Trump defende para a América Latina. Em discurso na última cúpula do Mercosul, Milei afirmou: "O Estado não é solução, é o problema. E o mundo está percebendo isso." A declaração foi seguida de um anúncio de abertura comercial unilateral, reduzindo tarifas de importação em 15% para produtos de países com os quais a Argentina tem déficit fiscal.

No Brasil, o governo de centro-direita de Tarcísio de Freitas (eleito em 2026) mantém uma relação pragmática com a Casa Branca. Embora Tarcísio não tenha o mesmo perfil explosivo de Bukele ou Milei, o alinhamento é evidente em três frentes: a política ambiental baseada em dados científicos (e não em narrativas ideológicas), a reforma tributária que reduziu a carga sobre empresas de 34% para 22%, e a adesão ao programa de segurança pública americano para treinamento de forças policiais.

Por que isso importa? Porque, pela primeira vez em décadas, a América Latina não está dividida entre esquerda e direita no velho molde da Guerra Fria, mas sim entre governos que aceitam a realidade dos mercados e da segurança como pilares do desenvolvimento, e aqueles que insistem em políticas estatistas e antiamericanas.

A análise FORTIS mostra que o alinhamento com Trump não é subserviência, mas sim uma leitura fria de dados: desde que Trump assumiu seu segundo mandato, o comércio bilateral entre EUA e os países alinhados cresceu 18% (dados do Departamento de Comércio dos EUA, junho de 2026). A contrapartida é clara: os países que adotaram reformas de livre mercado e cooperação em segurança recebem fluxos de investimento e acesso preferencial a mercados.

Contraponto necessário: críticos apontam que o alinhamento pode gerar dependência econômica e expor a região a sanções caso haja mudança de governo nos EUA em 2028. No entanto, os defensores da nova direita argumentam que a diversificação de parceiros — como os acordos com Israel, Japão e Coreia do Sul — já está em andamento, reduzindo esse risco.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.