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Internacional

A Morte de Raúl Castro: O Fim de uma Era e a Janela de Oportunidade para Cuba

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Com a saúde debilitada de Raúl Castro, Cuba se aproxima de um momento crucial. Sua morte pode abrir caminho para reformas econômicas e políticas há décadas adiadas pelo regime.

Aos 94 anos, Raúl Castro, o último dos irmãos Castro a deter influência real sobre Cuba, vive os capítulos finais de sua vida. Sua morte, iminente segundo relatos de fontes diplomáticas em Havana, representa mais do que a perda de uma figura histórica: é o fim de um sistema de poder que, por mais de seis décadas, manteve a ilha sob controle autoritário e economia estatal. Para a América Latina, a transição que se avizinha pode redefinir alianças, fluxos migratórios e o equilíbrio regional.

Raúl Castro assumiu a presidência em 2008, após a renúncia de Fidel, e implementou reformas pontuais – como a permissão para pequenos negócios privados e a compra e venda de imóveis –, mas jamais tocou no monopólio do Partido Comunista de Cuba (PCC). Hoje, o regime enfrenta a pior crise econômica desde o Período Especial dos anos 1990. Segundo dados oficiais do Escritório Nacional de Estatísticas, o PIB cubano encolheu 11% em 2020 e a recuperação tem sido anêmica, com inflação superior a 50% e escassez generalizada de alimentos, remédios e combustíveis.

A morte de Raúl Castro remove o último pilar da geração revolucionária que legitimava o sistema. Sem ele, o PCC se vê diante de uma disputa interna entre duas facções principais: a ala reformista, liderada pelo atual presidente Miguel Díaz-Canel, e os setores ortodoxos, apoiados pelas Forças Armadas e pela segurança de Estado. Em entrevista à agência Reuters em 2023, Díaz-Canel sinalizou que "não há tabus" quanto a mudanças econômicas, mas até agora as medidas concretas foram tímidas. Já os hardliners, segundo relatos de ex-funcionários do governo, temem que qualquer abertura desencadeie uma "Primavera Cubana" — algo que o regime reprimiria com violência.

Por que isso importa para a América Latina? Cuba, apesar de seu isolamento, ainda exerce influência sobre a Venezuela de Nicolás Maduro e sobre movimentos de esquerda no continente. Uma transição para um modelo mais aberto poderia enfraquecer regimes aliados e reduzir o fluxo de migração cubana que sobrecarrega países como Colômbia e México. Além disso, a normalização das relações com os Estados Unidos, paralisada desde a gestão Trump, ganharia novo fôlego com um raulista reformista no poder.

A análise do FORTIS NEWS, alinhada aos princípios de livre mercado e Estado mínimo, aponta que a verdadeira oportunidade reside na abertura econômica. Cuba tem potencial turístico, agrícola e farmacêutico (com a exportação de vacinas) que poderia ser explorado por investidores privados. No entanto, o histórico de má gestão estatal é gritante: o governo cubano tributa excessivamente os pequenos negócios e entrega serviços públicos precários. Dados da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) mostram que a produtividade cubana é uma das mais baixas da região, e o salário médio oficial cobre apenas 20% da cesta básica.

Contraponto realista: alguns analistas, como o economista cubano Mauricio de Miranda (em artigo no The Dialogue), argumentam que a morte de Raúl pode fortalecer a linha dura, que reagiria com mais repressão a qualquer protesto. O exemplo da China — que mantém o monopólio do partido enquanto permite capitalismo de Estado — é frequentemente citado, mas Cuba não tem o mesmo peso geopolítico nem a capacidade de gerar excedentes rapidamente. Sem Raúl, o PCC pode rachar, e o cenário de transição caótica não está descartado.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.