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Internacional

“Contratacaremos se nos atacarem”: Lituânia revela à BBC planos de contingência contra Rússia; lições para a América Latina

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

O governo lituano detalhou à BBC planos de evacuação civil e resposta militar diante de ameaças russas. Enquanto países bálticos gastam 3% do PIB em defesa, Brasil e Argentina seguem com orçamentos militares defasados e Estados ineficientes.

Em meio ao aumento das tensões no flanco leste da Otan, a Lituânia tornou públicos seus planos de evacuação e resposta a um eventual ataque russo. A informação foi confirmada à BBC por fontes do Ministério da Defesa lituano, que afirmaram: “Contratacaremos se nos atacarem. Não há espaço para hesitação.” A declaração ocorre após a recente movimentação de tropas russas na região de Kaliningrado e o envio de mísseis Iskander para o enclave, que faz fronteira com a Lituânia.

Os planos incluem a evacuação de civis das principais cidades — Vilnius, Kaunas e Klaipėda — em até 48 horas, utilizando uma rede de abrigos subterrâneos e corredores humanitários previamente mapeados. Do lado militar, a Lituânia conta com a presença de tropas da Otan em seu território (cerca de 1.500 soldados, com capacidade de reforço em 72 horas) e um orçamento de defesa que já ultrapassa 3% do PIB — um dos maiores da Europa. “Não estamos pedindo permissão para nos defender”, disse um porta-voz do governo lituano em entrevista gravada pela BBC.

Por que isso importa para a América Latina? O contraste é gritante. Enquanto a Lituânia, com 2,8 milhões de habitantes e um PIB de cerca de 70 bilhões de dólares, consegue manter um Estado enxuto mas eficiente na defesa, países como Brasil (214 milhões de habitantes, PIB de 2,2 trilhões de dólares) gastam apenas 1,1% do PIB em defesa — abaixo da média global de 1,9%. Mais grave: o orçamento militar brasileiro é inchado por aposentadorias e pensões, que consomem quase 60% dos recursos. O resultado é um equipamento obsoleto e uma capacidade operacional reduzida.

A Lituânia não é membro da Otan por acaso. Após décadas de ocupação soviética, o país entendeu que soberania se defende com orçamento, treinamento e, acima de tudo, vontade política. A decisão de gastar mais em defesa foi acompanhada de reformas liberais na economia — imposto único de 15% sobre a renda, simplificação tributária e abertura comercial —, que permitiram ao país crescer a taxas superiores a 4% ao ano na última década. Ou seja, livre mercado financia defesa.

Na América Latina, a narrativa é inversa. Estados que tributam até 35% da renda nacional (como Brasil, com carga tributária de 33% do PIB) entregam segurança pública deficiente, forças armadas sucateadas e burocracia paralisante. A Lituânia mostra que não é o tamanho do Estado que importa, mas sua inteligência. Gastar bem, gastar onde importa: defesa, infraestrutura, educação técnica. O resto, que o setor privado resolva.

Contraponto: Críticos, como o Movimento pela Paz e Desarmamento da ONU, argumentam que o aumento dos gastos militares na Europa Oriental alimenta uma corrida armamentista e aumenta o risco de conflito. De fato, dados do SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo) mostram que os gastos militares globais atingiram recorde de 2,5 trilhões de dólares em 2025, com a Europa crescendo 12% ao ano. No entanto, para países na fronteira com a Rússia, como a Lituânia, o custo da paz é o preparo para a guerra — como demonstrou a invasão da Ucrânia em 2022, quando a falta de preparo custou milhares de vidas e uma economia devastada.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.