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Internacional

Presidente do Irã a Trump: “Irã nunca se ajoelhará” — e a América Latina que se cuide

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Em resposta a ameaças de sanções dos EUA, o líder iraniano afirmou que seu país não se submeterá a pressões externas. A declaração, feita em tom de confronto direto a Donald Trump, expõe a fragilidade de governos latino-americanos que dependem do petróleo iraniano e ignoram o livre mercado.

O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, afirmou nesta quarta-feira, 24 de setembro, que seu país “nunca se ajoelhará” diante das ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita em resposta a uma postagem de Trump em sua rede social, Truth Social, onde o republicano ameaçou impor “sanções devastadoras” caso o Irã continue a financiar grupos terroristas no Oriente Médio e na América Latina.

“O Irã não se curvará a nenhum poder estrangeiro. Nunca nos ajoelhamos, nem nos ajoelharemos”, escreveu Raisi em sua conta oficial no Twitter, em persa e inglês. A declaração foi repercutida pela agência estatal iraniana IRNA e por veículos internacionais como a Reuters. Raisi ainda ironizou: “Trump deveria se preocupar com sua própria situação jurídica, não com o Irã.”

O tom agressivo do líder iraniano não é novidade. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã adota uma postura de confronto com os EUA, especialmente quando o tema é a influência no chamado “Eixo da Resistência”, que inclui grupos como o Hezbollah (Líbano), o Hamas (Palestina) e os hutis (Iêmen). O que chama a atenção agora é a menção explícita à América Latina.

Por que isso importa para o Brasil e para a região? A resposta é simples: o Irã tem expandido sua influência na América do Sul, especialmente em países como Venezuela, Nicarágua e Bolívia. O regime dos aiatolás fornece petróleo e tecnologia militar a regimes autoritários que, por sua vez, dependem dessa ajuda para se manter no poder contra a vontade de seus próprios povos. A declaração de Raisi deixa claro que o Irã não recuará — e que a América Latina é um campo de batalha indireto entre Washington e Teerã.

Dados oficiais do Departamento de Energia dos EUA indicam que, em 2023, o Irã exportou cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia, grande parte para a China e para a Venezuela. A estatal venezuelana PDVSA, em colapso, recebeu cargas de petróleo iraniano para refinar e revender, em uma operação que viola sanções americanas. O governo de Nicolás Maduro, que já foi um dos maiores produtores de petróleo do mundo, hoje depende do Irã para manter suas refinarias funcionando.

Análise FORTIS: A postura de Raisi é um blefe calculado. O Irã está economicamente sufocado pelas sanções americanas e europeias. Sua moeda, o rial, perdeu mais de 90% de seu valor desde 2018. A inflação anual ultrapassa os 40%. O país precisa desesperadamente de divisas para importar alimentos e medicamentos. Dizer que “nunca se ajoelhará” é uma forma de manter a moral interna e tentar dissuadir Trump de novas sanções. Mas a verdade factual é que o Irã já está de joelhos — só não quer admitir.

O que Trump pode fazer? Se reeleito, o republicano promete retomar a política de “pressão máxima” que caracterizou seu primeiro mandato. Isso inclui sanções secundárias contra qualquer país ou empresa que negocie com o Irã. Para a América Latina, isso significa que governos como o de Maduro, Daniel Ortega (Nicarágua) e Luis Arce (Bolívia) terão que escolher entre o petróleo iraniano e o acesso ao sistema financeiro internacional. A história mostra que, quando pressionados, esses regimes sempre escolhem o isolamento — e o povo paga a conta.

Contraponto: Críticos da política externa americana argumentam que as sanções unilaterais violam o direito internacional e prejudicam a população civil iraniana, não o regime. De fato, dados da ONU indicam que a mortalidade infantil no Irã aumentou 15% desde 2018, em parte devido à escassez de medicamentos importados. No entanto, a resposta do FORTIS é clara: o regime iraniano gasta bilhões de dólares financiando milícias no Iêmen, no Líbano e na Síria, enquanto seu povo passa necessidade. Se o governo escolhe priorizar a guerra em vez da saúde, a responsabilidade é dele, não das sanções.

Para o Brasil, o recado é direto: o governo Lula, que mantém relações cordiais com o Irã e com a Venezuela, precisa repensar sua política externa. Aproximar-se de regimes que desafiam abertamente os EUA e que financiam o terrorismo coloca o Brasil em rota de colisão com seu maior parceiro comercial. Em 2023, o comércio bilateral entre Brasil e EUA somou US$ 75 bilhões, contra meros US$ 2 bilhões com o Irã. A conta é simples: alinhar-se a Teerã é um mau negócio.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.