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Milhares de empresas argentinas fecharam as portas nos primeiros meses de 2026, em um movimento que analistas vinculam às políticas de desregulamentação e ajuste fiscal do governo de Javier Milei. O fenômeno, concentrado principalmente em pequenos e médios empreendimentos, já é visto como um sinal de alerta para o resto da América Latina, onde a receita ultraliberal do presidente argentino ganha adeptos, mas também críticos.
**Contexto**
A Argentina encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma queda histórica no número de empresas ativas. Segundo dados da Administração Federal de Ingresos Públicos (AFIP), a quantidade de contribuintes registrados como pessoa jurídica encolheu de forma expressiva em relação ao mesmo período do ano anterior. A situação é agravada pela alta inflação acumulada — que supera os três dígitos anuais — e pela eliminação de subsídios e controles de preços, medidas centrais do programa de Milei.
O governo argentino defende que o fechamento de empresas faz parte de um processo de “destruição criativa” necessário para eliminar companhias ineficientes que sobreviviam às custas do Estado. No entanto, entidades empresariais como a União Industrial Argentina (UIA) e a Confederación Argentina de la Mediana Empresa (CAME) apontam que a maioria dos fechamentos atinge setores como comércio varejista, serviços e indústria de transformação, sem que novas empresas estejam surgindo no mesmo ritmo.
**Análise**
O fenômeno argentino ecoa em países latino-americanos que observam com atenção o experimento Milei. O presidente argentino, eleito em 2023 com a promessa de dolarizar a economia e extinguir o Banco Central, implementou um plano de choque que incluiu desvalorização cambial drástica, fim de subsídios energéticos e flexibilização trabalhista. Para a região, o caso argentino serve como teste de estresse do modelo liberal radical: se falhar ou gerar um colapso social, pode desacreditar receitas semelhantes no Brasil, no Peru e no Chile.
Por outro lado, defensores do modelo argumentam que a dor atual é temporária e que a Argentina precisa eliminar distorções herdadas de décadas de populismo. O fechamento de empresas ineficientes, segundo essa visão, abriria espaço para investimentos produtivos, especialmente nos setores de energia e mineração, onde a desregulamentação já atraiu capital estrangeiro. No entanto, o encolhimento da base empresarial eleva o desemprego e reduz a arrecadação, criando um círculo vicioso que pode corroer o apoio político a Milei.
**Fontes**
Administração Federal de Ingresos Públicos (AFIP) — dados de registro de contribuintes. União Industrial Argentina (UIA) — comunicados sobre fechamento de fábricas. Confederación Argentina de la Mediana Empresa (CAME) — relatórios setoriais. Fundação Getúlio Vargas (FGV) — estudos comparativos de políticas econômicas na América Latina. Banco Mundial — indicadores de ambiente de negócios na Argentina.
Por Renan Filho · 2026-09-29