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Internacional

EUA e Dinamarca fecham acordo: Washington assume controle permanente da segurança na Groenlândia

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-19

Em uma jogada geopolítica ousada, Estados Unidos e Dinamarca anunciaram nesta sexta-feira um acordo histórico que transfere para Washington o controle permanente da segurança da Groenlândia. A decisão reconfigura o mapa estratégico do Ártico e tem implicações diretas para a América Latina, sinalizando um reforço da presença americana em um dos polos mais disputados do planeta.

O anúncio conjunto feito por Washington e Copenhague pegou analistas de surpresa, mas era um movimento que já vinha sendo gestado nos bastidores diplomáticos. Pelo acordo, os Estados Unidos assumem o “controle permanente da segurança” da Groenlândia, substituindo a Dinamarca como principal responsável pela defesa do território autônomo. A base aérea de Thule, vital para sistemas de alerta precoce de mísseis, passa a ser operada integralmente pelos EUA, e novas instalações militares poderão ser construídas ao longo da costa ártica.

A Groenlândia, maior ilha do mundo, detém imensas reservas de petróleo, gás e minerais raros, além de controlar rotas marítimas que se abrem com o derretimento do gelo. Para a Dinamarca, o acordo representa um alívio estratégico e financeiro – a manutenção da segurança na região consumia parcela significativa do orçamento de defesa dinamarquês, sem que o país tivesse capacidade de projetar poder diante de Rússia e China. Já para os EUA, é a consolidação de um arco de contenção no Atlântico Norte.

Por que isso importa para a América Latina? A primeira razão é simbólica: Washington demonstra que está disposto a assumir compromissos de longo prazo com a segurança de aliados, mesmo em territórios distantes. Em um momento em que potências revisionistas testam os limites da OTAN e do sistema de alianças ocidental, o acordo envia um sinal claro de que a hegemonia americana não está em retração. Para países como Brasil, Argentina e Chile, que mantêm relações comerciais e militares com os EUA, a estabilidade no Ártico reduz riscos de desestabilização global que poderiam afetar o comércio e os fluxos de investimento.

Além disso, o controle americano sobre a segurança groenlandesa libera recursos da Dinamarca para outras áreas, como cooperação em defesa na América do Sul. Copenhague já sinalizou interesse em ampliar parcerias com países latino-americanos na área de inteligência marítima. Em uma perspectiva liberal, a segurança é a base para a prosperidade: com menos incerteza geopolítica, as empresas podem planejar investimentos de longo prazo, e os mercados se beneficiam.

Análise FORTIS: O acordo é uma vitória do realismo liberal aplicado à política externa. Os EUA não estão anexando a Groenlândia – respeitam a autonomia interna do território e a soberania formal dinamarquesa –, mas garantem que a defesa da ilha esteja nas mãos de quem tem capacidade e vontade de protegê-la. Do ponto de vista do livre mercado, a presença militar americana funciona como um provedor de bens públicos globais: segurança das rotas comerciais, proteção de ativos estratégicos e dissuasão de potências que não respeitam regras de comércio aberto. A China, que vinha cortejando a Groenlândia com investimentos em mineração e infraestrutura, sofreu um revés. Pequim agora terá que reavaliar suas ambições no Ártico, e isso é positivo para todos os que acreditam em uma ordem baseada em regras.

Contraponto: Críticos apontam que o acordo ignora a vontade do povo groenlandês, que em consultas informais já demonstrou preferência por uma política externa mais independente. Ambientalistas alertam que a militarização da região pode acelerar impactos ecológicos. Do ponto de vista de parte da esquerda latino-americana, o movimento seria mais uma prova do imperialismo ianque. No entanto, para quem defende a liberdade e a segurança como pré-condições para o desenvolvimento, a presença americana na Groenlândia é, antes de tudo, um escudo contra autocracias que não hesitam em usar a força para expandir sua influência. A história mostra que a ausência de liderança ocidental não gera paz, mas vácuo de poder – e neste vácuo entram os lobos.

O acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento dinamarquês, mas o governo de centro-direita em Copenhague já garantiu os votos necessários. Nos EUA, a aprovação no Senado é considerada certa. Para a América Latina, o recado é claro: os Estados Unidos continuam sendo o principal garantidor da segurança no Ocidente, e a parceria com aliados confiáveis é o caminho para um futuro de liberdade e prosperidade.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.