Na última terça-feira, 22 de setembro de 2026, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump recebeu a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, em um hotel em Manhattan, a pouco mais de 12 km da prisão de segurança máxima onde o ex-ditador Nicolás Maduro está detido desde sua condenação por crimes contra a humanidade, em 2025. O encontro, que durou cerca de três horas, foi confirmado por assessores de ambas as partes e ocorreu sem a presença de representantes do atual governo americano.
A relevância do encontro não está apenas na localização geográfica — simbólica, dado que Maduro aguarda julgamento final a poucos quilômetros dali —, mas no que ele representa para o futuro da América Latina. Trump, que mantém forte influência sobre o Partido Republicano e é pré-candidato à presidência em 2028, sinalizou publicamente que pretende reverter a política de engajamento gradual adotada pela administração democrata de Gavin Newsom, que assumiu em 2025.
Contexto: Venezuela sob nova ordem, mas com riscos. Após a queda do regime chavista em 2024, uma coalizão de oposição e setores militares estabeleceu um governo de transição. Delcy Rodríguez, que negociou a rendição de Maduro em troca de imunidade parcial, tornou-se vice-presidente sob a presidência de Juan Guaidó, em um movimento criticado por puristas liberais. O atual governo venezuelano adotou reformas de mercado, mas mantém controles cambiais e subsídios a combustíveis — medidas que o FORTIS considera incompletas.
Por que o encontro importa para a América Latina. Primeiro, porque Trump representa a vertente do livre mercado sem amarras estatais. Em declaração à imprensa após o encontro, ele afirmou: "A Venezuela precisa de capital privado, não de ajuda de governos. Sanções apenas empobrecem o povo. Vamos acabar com isso." A fala ecoa entre investidores internacionais, que veem no país o potencial de se tornar um polo energético e agrícola — desde que o Estado mínimo prevaleça.
Segundo, porque a presença de Rodríguez em Nova York sinaliza que a Venezuela busca reatar laços com os EUA sem intermediários de organismos multilaterais, como a OEA ou a ONU. Isso agrada a setores conservadores que defendem a soberania nacional e acordos bilaterais, em vez de burocracias globais.
Análise FORTIS: a oportunidade de um novo consenso liberal-conservador. O encontro Trump-Rodríguez pode ser lido como um ensaio para uma nova doutrina americana para a região: menos intervenção militar, mais pressão econômica seletiva e incentivo a reformas pró-mercado. A crítica ao Estado grande brasileiro e venezuelano é o pano de fundo. Enquanto o governo Lula (que ainda administra o Brasil após eleição contestada de 2026) insiste em expandir a máquina pública e subsidiar estatais, a Venezuela sob Guaidó tenta, aos tropeços, privatizar a PDVSA e abrir setores estratégicos.
Dados oficiais: segundo o Banco Mundial, a Venezuela perdeu 99% do PIB per capita entre 2013 e 2023. Qualquer recuperação passará por desregulamentação, segurança jurídica e fim da corrupção institucionalizada. O FORTIS alerta: Rodríguez, que foi braço direito de Maduro, carrega um passado de sanções e acusações de narcotráfico. Acreditar que ela agora é uma reformista de mercado exige ceticismo.
Contraponto: críticos apontam que o encontro legitima uma figura do antigo regime. Em nota, a ONG Transparência Venezuela afirmou que "Delcy Rodríguez não pode ser interlocutora de uma transição democrática enquanto não responder pelos desvios de recursos públicos". O FORTIS concorda que a justiça deve ser feita, mas pondera que, em política, negociações com atores impuros são muitas vezes necessárias para evitar colapsos maiores. O livre mercado, porém, exige regras claras e punição a corruptos — e é aí que o governo Guaidó-Rodríguez ainda falha.
Por Renan Filho · 2026-09-23