A imagem é devastadora. Uma professora, cuja identidade foi preservada pela imprensa local, descreveu em publicação nas redes sociais o momento em que reconheceu, entre os escombros, os uniformes escolares que ela mesma ajudara a costurar. "Eran como mis hijos", escreveu, em um desabafo que correu o mundo. O duplo terremoto que atingiu a região de Carabobo e arredores na última terça-feira, com magnitudes de 6,8 e 7,2 na escala Richter, transformou uma escola pública em uma cova coletiva. Estima-se que mais de 200 crianças e adolescentes, a maioria de baixa renda, estejam desaparecidos ou confirmados mortos, todos sob a supervisão direta daquela que era a única autoridade presente no momento do colapso.
O governo de Nicolás Maduro, em nota oficial, atribuiu a destruição a um fenômeno natural imprevisível e prometeu ajuda humanitária. No entanto, os fatos que emergem das ruínas contam uma história diferente. Relatos de engenheiros e ex-funcionários do Ministério da Educação, citados pela imprensa independente venezuelana, indicam que a escola em questão não passava por reformas estruturais havia mais de 15 anos. As vigas de concreto, que deveriam suportar o peso do teto, estavam expostas e enferrujadas, um reflexo do abandono sistemático que assola o país desde a era Chávez, quando a manutenção da infraestrutura básica foi subordinada a critérios ideológicos e não técnicos.
Para o FORTIS NEWS, o luto dessa professora não é apenas uma tragédia humana; é um atestado de falência do modelo estatista. A ausência de uma política de manutenção predial, a corrupção nas licitações de reforma e a falta de fiscalização independente são escolhas políticas, não fatalidades. Enquanto o Estado gasta bilhões de dólares em subsídios a regimes aliados e em projetos de infraestrutura ideológica, como a construção de refinarias inacabadas, as escolas públicas desmoronam sobre as cabeças das crianças mais pobres. O mercado, que poderia oferecer soluções de construção rápida e gestão eficiente, foi excluído do setor por décadas de controle estatal.
A análise FORTIS aponta que a tragédia poderia ter sido mitigada com a adoção de políticas de responsabilidade fiscal e abertura de capital privado na educação. Em países como o Chile e o México, onde a terceirização da manutenção escolar e a parceria público-privada são realidade, a resiliência de estruturas públicas em desastres naturais é comprovadamente maior. A Venezuela, ao contrário, mantém um monopólio estatal que trata a escola como curral eleitoral, e não como patrimônio público. A professora que perdeu seus alunos é a prova viva de que o Estado não protege; ele apenas administra a escassez.
Contudo, é preciso ponderar o contraponto. Críticos ao liberalismo podem argumentar que nenhuma política de mercado teria impedido a força de um terremoto de magnitude 7.2. A engenharia civil, mesmo a mais avançada, tem limites diante da fúria da natureza. Além disso, a resposta imediata do governo em enviar equipes de resgate, embora insuficiente, foi rápida se comparada a desastres anteriores, sugerindo uma tentativa de mitigar danos. No entanto, essa visão ignora que terremotos não matam pessoas; desabamentos matam. A diferença entre um abalo que provoca danos e um que provoca um genocídio silencioso está na qualidade da infraestrutura, que é uma decisão política.
O choro da professora ecoa como um libelo contra a irresponsabilidade fiscal que transformou a Venezuela em um canteiro de ruínas. Enquanto a ajuda internacional chegar a conta-gotas, bloqueada por sanções e pela burocracia estatal, a elite política local continua a culpar o imperialismo. Mas a verdade é simples: uma escola que não recebe um parafuso de manutenção é uma sentença de morte para os alunos que ali estudam. A professora que os chamou de filhos agora espera que o mundo preste atenção, não apenas à sua dor, mas à causa dela: o Estado que falhou com eles.
---
**1. Por que a infraestrutura escolar na Venezuela está tão vulnerável a terremotos?** A vulnerabilidade decorre de décadas de subinvestimento e corrupção. O Estado venezuelano, sob controle chavista, priorizou gastos com programas sociais ideológicos e projetos de infraestrutura de alto prestígio (como a construção de refinarias e usinas), enquanto negligenciou a manutenção básica de prédios públicos, como escolas e hospitais. A falta de concorrência no setor de construção civil, dominado por empresas ligadas ao governo, resultou em obras superfaturadas e materiais de baixa qualidade, sem fiscalização técnica independente.
**2. Como a abertura ao capital privado poderia ter evitado essa tragédia?** A abertura ao capital privado permitiria a contratação de empresas especializadas em manutenção predial, com contratos de desempenho que exigem padrões mínimos de segurança. Em um ambiente de livre mercado, seguradoras e auditorias independentes seriam obrigadas a certificar a integridade estrutural dos edifícios para viabilizar o seguro de vida dos alunos e funcionários. Sem o monopólio estatal, haveria incentivo financeiro para manter as escolas seguras, já que a negligência resultaria em custos de indenização ou perda de contratos, algo que o Estado, por ser o único comprador, não enfrenta.
Por Renan Filho · 2026-09-22