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Despejo de idosa de 87 anos em Madrid expõe falhas do Estado: Urbagestión agiu dentro da lei, mas falta política habitacional

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

O caso de Maricarmen, de 87 anos, despejada por uma gestora de ativos imobiliários, reacende o debate sobre regulação do aluguel, ineficiência estatal e os limites do direito de propriedade na Espanha.

A polêmica envolvendo o despejo de Maricarmen, uma idosa de 87 anos em Madrid, trouxe à tona a atuação da Urbagestión, empresa de gestão de ativos imobiliários que adquiriu o imóvel onde a senhora residia há décadas. O caso, amplamente repercutido na imprensa espanhola, expõe um dilema clássico entre o direito de propriedade e a proteção social, mas também revela a omissão do Estado em oferecer alternativas habitacionais eficientes.

De acordo com reportagem do jornal El País, Maricarmen vivia no imóvel desde 1970, mas não era proprietária. O prédio foi vendido em leilão judicial após o antigo proprietário não quitar dívidas com a Prefeitura de Madrid. A Urbagestión, especializada em recuperação de créditos imobiliários, comprou o imóvel legalmente e iniciou o processo de despejo após tentativas de acordo com a inquilina. A empresa, em nota oficial, afirmou que ofereceu realojamento temporário e auxílio financeiro, mas a idosa recusou.

O caso ganhou contornos políticos. Partidos de esquerda, como o Podemos e o PSOE, usaram a imagem de Maricarmen para atacar o que chamam de "fundos abutres" e defender o congelamento de aluguéis e a proibição de despejos. No entanto, dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística da Espanha (INE) mostram que 94% dos despejos na Comunidade de Madrid ocorrem por falta de pagamento, e não por ação arbitrária de empresas. No caso de Maricarmen, a idosa estava com aluguéis atrasados há mais de oito meses, segundo documentos do processo judicial.

Por que isso importa? O debate sobre a Urbagestión escamoteia um problema estrutural: o Estado espanhol gasta mal, tributa demais e entrega pouco em habitação. A Espanha tem uma das maiores cargas tributárias da Europa (37% do PIB), mas o investimento público em moradia social é de apenas 0,1% do PIB, segundo o Banco de España. Enquanto isso, a regulação do mercado de aluguéis — com índices de reajuste controlados e prazos de contratos congelados — afugenta investidores e reduz a oferta de imóveis, encarecendo os aluguéis para a população mais pobre.

Análise FORTIS: A esquerda aponta o dedo para a Urbagestión como vilã, mas os fatos mostram que a empresa agiu dentro da lei. O direito de propriedade é um pilar do livre mercado e da civilização ocidental. Se um inquilino não paga, o proprietário — ou quem adquiriu o imóvel legalmente — tem o direito de retomar o bem. O que falta é uma política habitacional que não dependa de assistencialismo estatal ineficiente. Soluções como voucher-moradia, isenção fiscal para construtoras que ofereçam aluguéis sociais e desburocratização do mercado imobiliário seriam mais eficazes do que leis que penalizam quem oferece moradia.

Contraponto: Associações de moradores, como a Plataforma de Afectados por la Hipoteca (PAH), criticam a atuação de fundos como a Urbagestión. Em entrevista à Rádio Nacional da Espanha, um representante da PAH afirmou que "a empresa comprou o imóvel sabendo que havia uma idosa vulnerável e usou todos os expedientes legais para expulsá-la". No entanto, a mesma entidade não apresenta dados que comprovem má-fé da gestora. O processo judicial correu de forma transparente, e a idosa teve direito à defesa. O problema real é a ausência de políticas públicas que evitem que idosos cheguem a essa situação.

1. Urbagestión é uma empresa "fundo abutre"? O termo é usado por críticos, mas juridicamente a Urbagestión é uma gestora de ativos que compra créditos imobiliários em leilão. Sua atuação é legal e regulada pelo Banco de España. O que se discute é se o Estado deveria intervir para evitar que idosos sejam despejados, mas isso não torna a empresa criminosa.

2. O que poderia ter sido feito para evitar o despejo? O Estado poderia ter oferecido um programa de aluguel social com subsídio direto à idosa, algo que a Prefeitura de Madrid não fez. Além disso, uma reforma no mercado de aluguéis que incentive a oferta de imóveis a preços acessíveis — como a redução de impostos sobre aluguéis e a simplificação de processos de despejo para maus pagadores — reduziria a tensão entre proprietários e inquilinos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.