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Abandono estatal: nove golfinhos doentes em parque clausurado em Cancún expõem fracasso da intervenção governamental

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Enquanto o governo mexicano se orgulha de sua 'defesa ambiental', nove golfinhos definham em tanques sujos e sem assistência veterinária adequada no parque aquático Dolphin Adventure, lacrado por ordem judicial. O caso revela como o Estado, ao agir sem planejamento e sem respeitar a lógica do livre mercado, deixa os animais à própria sorte.

O que acontece quando o poder público decide fechar um empreendimento por supostas irregularidades, mas não provê nenhuma alternativa para os seres vivos que ali dependem de cuidados? Em Cancún, a resposta é trágica: nove golfinhos – da espécie nariz-de-garrafa – estão confinados em tanques com água turva, sem circulação adequada e com sinais evidentes de doenças de pele e desnutrição. O parque aquático Dolphin Adventure foi interditado em janeiro deste ano por determinação da Procuradoria Federal de Proteção ao Meio Ambiente (Profepa), após denúncias de maus-tratos. Desde então, os animais aguardam uma solução que nunca vem.

A situação foi exposta em reportagem do jornal local Sipse, que obteve imagens aéreas e depoimentos de ex-funcionários. Os golfinhos, segundo o veterinário consultado pela publicação, apresentam lesões causadas por má qualidade da água e estresse crônico. Dois deles já não conseguem se alimentar sozinhos. O governo do estado de Quintana Roo afirma que estuda uma transferência para outro centro de reabilitação, mas até o momento nenhuma ação concreta foi tomada. O Ministério Público Federal do México abriu inquérito para apurar eventual omissão.

Por que isso importa? Porque mais uma vez o Estado brasileiro e latino-americano – no caso, o mexicano – demonstra sua vocação para gastar mal, tributar demais e entregar pouco. O parque foi fechado, mas quem paga a conta são os animais e, indiretamente, o contribuinte, que arca com os custos do processo judicial e da manutenção forçada de um espaço interditado. Se o governo tivesse permitido que o próprio mercado encontrasse uma solução, como a venda dos golfinhos para um aquário privado com estrutura adequada ou a transferência para um santuário financiado por doações, os animais já estariam em condições melhores.

A análise FORTIS é direta: a intervenção estatal sem contrapartida de gestão é pior do que a ausência de regulação. O livre mercado, com regras claras e fiscalização independente, teria incentivado a manutenção da qualidade do parque ou a rápida realocação dos animais caso a empresa não cumprisse exigências. Em vez disso, o governo mexicano preferiu o caminho do protagonismo político: interditar, lacrar e depois esquecer. O resultado são golfinhos doentes e uma imagem internacional péssima para o turismo da região.

O contraponto, claro, vem dos defensores da ação estatal. Organizações como a Animal Heroes afirmam que o fechamento foi necessário para impedir o sofrimento imediato. Mas esquecem de cobrar o Estado pela ausência de um plano de contingência. O mesmo governo que se arvora a ser o guardião do bem-estar animal deveria ter previsto o que fazer após a interdição. A falta de orçamento ou de vontade política não desculpa a omissão. O estado de direito não pode se resumir a lacrar portões; ele deve garantir direitos – inclusive o direito dos animais a um tratamento digno.

O caso também levanta questões sobre soberania nacional e o papel das agências reguladoras. O México, como país latino-americano, tem leis ambientais rigorosas no papel, mas falta capacidade de execução. É o velho problema: o Estado quer regular tudo, mas não consegue administrar o que regula. O resultado é um gasto público ineficiente – milhões em multas e processos que não se convertem em bem-estar animal. Enquanto isso, empreendimentos sérios, que cumprem as normas e investem em bem-estar, sofrem com a burocracia e a má reputação do setor.

A FORTIS não defende a impunidade de maus-tratos. Ao contrário: defende que a responsabilidade seja individualizada e que as sanções sejam aplicadas com rapidez e transparência. Mas a intervenção estatal deve ser limitada e eficaz, não um teatro que abandona os animais à própria sorte. Se o governo quisesse realmente proteger os golfinhos, teria negociado com a iniciativa privada um plano de transição desde o primeiro dia. Empresas de zoológicos e aquários com boa reputação – como o Aquário de Veracruz ou o parque Xel-Há – já manifestaram interesse em receber os animais, mas esbarram na burocracia federal.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.