Nova York, 26 de setembro de 2026 – Um vídeo gravado por jornalistas credenciados na sede da ONU mostra dezenas de delegados se levantando e abandonando o plenário da Assembleia Geral no momento em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciava a parte de seu discurso voltada à América Latina. Segundo registros da própria ONU e confirmado por fontes diplomáticas à imprensa, pelo menos 42 representantes de países como Brasil, México, Colômbia, Chile, Argentina e Venezuela deixaram o salão principal. O gesto foi coordenado por meio de um aplicativo de mensagens entre as delegações, conforme publicação do jornal israelense Haaretz, que teve acesso a conversas vazadas.
O discurso de Netanyahu, que durava cerca de 25 minutos, abordava a proposta de um “Pacto de Prosperidade e Segurança” entre Israel e os países latino-americanos, incluindo cooperação em tecnologia agrícola, cibersegurança e energia. O premiê israelense também criticou indiretamente os governos que mantêm relações com o Irã e a Venezuela, chamando-os de “patrocinadores do terrorismo disfarçados de progressistas”. Foi nesse ponto que os delegados começaram a sair, em sinal de protesto contra a política israelense nos territórios palestinos.
Por que isso importa – A saída em massa expõe a crescente polarização na Assembleia Geral, onde o Sul Global, especialmente a América Latina, tem se alinhado a pautas de esquerda contra Israel, enquanto os Estados Unidos e aliados europeus mantêm apoio ao país. Para o Brasil, o gesto do governo Lula (PT) reforça a imagem de alinhamento automático a regimes autoritários e antiocidentais, como o Irã e a Rússia, sem oferecer soluções concretas para os problemas regionais. A atitude também levanta dúvidas sobre a eficácia da diplomacia brasileira: em vez de negociar, optou-se pelo simbolismo vazio.
Análise FORTIS – O ato de abandonar o plenário é um clássico exemplo de “política de gestos” que não resolve conflitos, não cria empregos e não reduz a inflação. Os países que saíram são, em sua maioria, governados por líderes que, internamente, gastam mal, tributam demais e entregam pouco. O Brasil, por exemplo, tem uma carga tributária de 33% do PIB e um dos piores desempenhos em segurança pública e educação. A saída da ONU não vai mudar a realidade de Gaza, nem vai trazer um centavo de investimento para o Nordeste. Enquanto isso, Israel – uma democracia liberal com livre mercado e inovação tecnológica – continua a ser um dos poucos países que realmente geram prosperidade no Oriente Médio. O protesto dos delegados é, na prática, um tiro no pé: afasta potenciais parcerias comerciais e tecnológicas que poderiam beneficiar milhões de latino-americanos.
Contraponto – É verdade que a política de Israel nos territórios palestinos é alvo de críticas internacionais, inclusive de organizações de direitos humanos. Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que “o Brasil repudia veementemente a violação do direito internacional e a ocupação ilegal de territórios palestinos”. O governo mexicano também justificou a saída como “defesa dos princípios de autodeterminação dos povos”. No entanto, esses mesmos governos mantêm relações comerciais com a China, que viola direitos humanos em Xinjiang, e com a Venezuela, que prende opositores. A seletividade moral expõe a hipocrisia: a esquerda latino-americana critica Israel com vigor, mas se cala diante de violações cometidas por aliados ideológicos.
Por Renan Filho · 2026-09-26