A Converse, marca icônica do grupo Nike, anunciou nesta sexta-feira, 19 de setembro de 2026, a retirada imediata de uma campanha publicitária considerada "profundamente perturbadora" por consumidores e ativistas nas redes sociais. Em publicação oficial no perfil da marca no X (antigo Twitter), a empresa pediu desculpas e afirmou que o material "não reflete os valores da marca". A polêmica, porém, não é um acidente de percurso: é o sintoma de um mercado que aprendeu a monetizar a indignação.
A campanha, veiculada em painéis digitais e mídias sociais no Brasil e em outros países da América Latina, trazia a imagem de um tênis clássico da marca com uma etiqueta pendurada em um tom de pele escuro, acompanhada da frase "tom de pele autêntico". A associação entre o produto e a cor da pele gerou revolta imediata, com usuários apontando falta de diversidade e reforço de padrões estéticos excludentes. A empresa removeu o material em menos de 48 horas, mas o estrago já estava feito.
Para o consumidor liberal, o episódio vai muito além da estética publicitária. A Converse, que sempre se posicionou como uma marca disruptiva e conectada à cultura jovem, errou ao tentar surfar em uma pauta identitária sem o menor cuidado com a mensagem. O erro é duplo: primeiro, pela insensibilidade crassa com a questão racial; segundo, pela tentativa de transformar um debate sério em ferramenta de vendas. A reação do mercado foi imediata, com ações da Nike caindo 1,2% na bolsa de Nova York após o anúncio da retirada, segundo dados da Bloomberg.
O caso expõe o que a FORTIS já vem alertando há anos: o chamado "woke marketing" não é uma estratégia de crescimento, mas um tiro no pé. Empresas que abraçam causas sociais sem entender o próprio produto ou o público-alvo acabam alienando consumidores que buscam autenticidade, não espetáculo. A Converse, que construiu sua reputação em cima da rebeldia e da liberdade individual, agora se curva ao tribunal da internet, que exige cancelamento em vez de diálogo. A marca não teve coragem de defender sua própria criação, preferindo o silêncio cúmplice a um debate franco sobre estética e representatividade.
POR QUE ISSO IMPORTA: o caso Converse não é isolado. Nos últimos dois anos, marcas como Dove, Heineken e até a gigante de cosméticos Natura enfrentaram crises semelhantes por campanhas que tentaram abraçar a diversidade sem aprofundamento real. O padrão é claro: empresas contratam agências de publicidade que confundem choque com criatividade, e depois recuam ao primeiro sinal de polêmica, deixando o consumidor órfão de referências e a marca mais fraca. Para o liberal, o problema não é a retirada em si — é a hipocrisia de quem quer lucrar com pauta social sem arcar com as consequências.
A ANÁLISE FORTIS: o livre mercado não é um espaço de vale-tudo, e a Converse errou ao tratar o consumidor como um idiota que compra qualquer discurso. A marca tinha a oportunidade de transformar a crise em aprendizado, explicando a intenção por trás da campanha e ouvindo críticas legítimas. Em vez disso, optou pela covardia corporativa, demitindo a agência responsável e prometendo "revisar processos internos". Isso não é responsabilidade social; é medo de perder margem de lucro. O consumidor brasileiro, em especial, está cansado de sermões de marcas que, na prática, continuam com a mesma estrutura de poder e pouca diversidade nos cargos de liderança.
CONTRAPONTO: há quem defenda que a retirada foi uma resposta necessária à pressão de movimentos sociais, que enxergam na publicidade um campo de batalha por representatividade. Para esses grupos, manter o anúncio no ar seria validar um padrão estético racista, e a ação da Converse seria um exemplo de "acountability". No entanto, essa visão ignora que o cancelamento não resolve o problema racial estrutural — apenas empurra o debate para debaixo do tapete, enquanto as empresas seguem com políticas de diversidade superficiais. O que falta é coragem para um diálogo honesto, não mais uma carta de desculpas genérica.
No fim, o que sobra é um mercado cada vez mais refém do mimimi, onde a criatividade é podada pelo medo e a inovação é substituída por comitês de revisão. A Converse, que nasceu para ser o tênis da contracultura, agora se tornou mais um robô corporativo. E o consumidor, mais uma vez, paga a conta com preços mais altos e menos liberdade de escolha. Se a marca quer mesmo se redimir, que comece por reconhecer que o erro não foi a cor da etiqueta, mas a ausência de caráter para sustentar o que cria.
Por Renan Filho · 2026-09-21