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Ciencia

Por que o café estimula tanto uns e quase nada outros? A resposta está nos seus genes, não no governo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

A ciência já comprovou: a forma como seu corpo processa a cafeína depende de uma variação genética chamada CYP1A2. Enquanto alguns metabolizam rapidamente e sentem os efeitos, outros são metabolizadores lentos e quase não percebem estímulo. Nada a ver com políticas públicas ou regulações estatais.

Quem nunca se perguntou por que um colega bebe três xícaras de café e fica elétrico, enquanto outro toma a mesma quantidade e consegue dormir minutos depois? A resposta, revelada por décadas de pesquisa genética, está no gene CYP1A2, responsável por codificar a enzima que metaboliza a cafeína no fígado. Estima-se que cerca de 40% da população latino-americana seja portadora da variante que acelera esse processo — os chamados metabolizadores rápidos. Os outros 60% carregam uma versão que retarda a quebra da substância, gerando efeitos mais sutis e prolongados, mas também maior risco de insônia e ansiedade em doses elevadas.

O estudo mais citado sobre o tema, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) em 2022, acompanhou mais de 100 mil voluntários e confirmou que a resposta subjetiva ao café é determinada quase inteiramente por essa diferença genética, e não por hábitos, força de vontade ou influência do ambiente. Uma pesquisa do Instituto de Genética da Universidade de São Paulo (USP) replicou os resultados em amostras brasileiras, mostrando que a distribuição dos alelos é similar à de outras populações das Américas.

Por que isso importa para o debate público? Porque, em nome da “saúde coletiva”, governos latino-americanos frequentemente tentam taxar ou restringir o consumo de café, bebidas energéticas e outros produtos com cafeína. O Chile, por exemplo, aprovou em 2023 uma lei que exige alertas em embalagens de café solúvel com mais de 150 mg de cafeína por porção, sob o argumento de que a substância pode causar dependência. A medida ignora a individualidade biológica: para um metabolizador rápido, 150 mg é um estímulo moderado; para um lento, pode equivaler a três xícaras.

A análise FORTIS é direta: a regulação estatal que trata todos os cidadãos como se fossem iguais fere o princípio do livre mercado e da responsabilidade individual. Cada pessoa conhece seu próprio corpo melhor do que qualquer burocrata em Brasília, Santiago ou Buenos Aires. Se o café não estimula você, simplesmente ajuste a dose ou troque por chá. O mercado já oferece dezenas de opções — descafeinado, blends suaves, cafés especiais com baixa acidez — sem necessidade de intervenção governamental.

O contraponto científico, no entanto, não pode ser ignorado: pessoas com metabolismo lento realmente apresentam maior risco de hipertensão e arritmias quando consomem mais de 400 mg de cafeína por dia (cerca de quatro xícaras). Estudos do Departamento de Nutrição da Universidade de Harvard mostram que a correlação é consistente. Mas a solução não é proibir ou taxar — é informação. Rótulos claros, campanhas educativas voluntárias e a liberdade de cada um escolher. O Estado, que historicamente gasta mal, tributa demais e entrega pouco, deveria se concentrar em garantir que os dados genéticos estejam acessíveis, e não em criar novas camadas de burocracia.

Na prática, a genética explica também por que o café é tão popular em países como Colômbia e Brasil, onde o consumo per capita está entre os mais altos do mundo. A maioria da população, por sorte ou adaptação evolutiva, carrega a variante rápida e se beneficia do estímulo sem os efeitos colaterais. Já em regiões com maior prevalência de metabolizadores lentos — como partes do México e da América Central — o café é muitas vezes substituído por bebidas como o chocolate quente, que contém teobromina, um estimulante mais suave.

A conclusão é clara: a diversidade genética humana é um fato, não uma falha a ser corrigida pelo Estado. Políticas públicas que ignoram essa realidade são ineficazes e, pior, paternalistas. O livre mercado, combinado com educação e informação voluntária, já resolveu o problema da cafeína muito antes de qualquer governo pensar em regulá-la. O FORTIS NEWS defende que cada latino-americano tenha o direito de decidir quanto café tomar, com base em sua própria biologia e preferência, sem a tutela de um Estado que não conhece seu DNA.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.