O cenário geopolítico na América Latina se aproxima de um ponto de inflexão. De acordo com fontes do Pentágono e declarações recentes de membros do Congresso dos EUA, a administração Biden prepara o terreno para uma ação militar direta em solo latino-americano, possivelmente na Colômbia ou na Venezuela, sob o pretexto de combater o narcotráfico. A justificativa oficial, repetida à exaustão por porta-vozes do Departamento de Estado, é a de que os cartéis de drogas representam uma ameaça existencial à segurança nacional americana — uma narrativa que, para os liberais-conservadores, esconde uma agenda de expansão do poder estatal e de controle de recursos estratégicos.
O precedente mais recente desse tipo de operação foi a fracassada e desastrosa guerra às drogas no México, que, segundo dados oficiais do governo mexicano, resultou em mais de 350 mil homicídios entre 2006 e 2024, sem reduzir significativamente o fluxo de cocaína para os EUA. A diferença agora, segundo analistas do Council on Foreign Relations, é que o novo alvo seria um país com reservas petrolíferas comprovadas e uma crise humanitária fabricada pelo chavismo. A coincidência é no mínimo curiosa: a região com as maiores reservas de petróleo leve da América do Sul, o Arco Minero del Orinoco, na Venezuela, está exatamente nas áreas onde a presença de grupos guerrilheiros e narcotraficantes é mais intensa.
Por que isso importa para o contribuinte brasileiro e latino-americano? Primeiro, porque qualquer intervenção militar americana desestabiliza economias inteiras, derruba moedas locais e provoca ondas migratórias que sobrecarregam os sistemas de saúde e segurança pública de países como Brasil, Peru e Chile. Segundo, porque o histórico de intervenções dos EUA na região — do Panamá (1989) à Colômbia (Plano Colômbia, 2000) — mostra que o custo é sempre pago pelo contribuinte local, enquanto os lucros das operações de reconstrução e segurança vão para empreiteiras americanas como a Lockheed Martin e a Halliburton. Em declaração ao jornal The Washington Post, o senador republicano Marco Rubio afirmou que "não podemos permitir que a Venezuela se torne um narco-Estado", ecoando o mesmo discurso usado para justificar a invasão do Iraque em 2003.
Análise FORTIS: A verdade factual é que o combate ao narcotráfico nunca foi o objetivo real de Washington. Dados oficiais da Drug Enforcement Administration (DEA) mostram que, entre 2010 e 2020, a produção de cocaína na Colômbia aumentou 180%, mesmo com mais de US$ 10 bilhões investidos no Plano Colômbia. O que realmente cresceu foi o orçamento do Pentágono para operações na América Latina, que saltou de US$ 200 milhões para US$ 1,2 bilhão no mesmo período. A lógica do livre mercado é clara: onde há intervenção estatal, há ineficiência e desvio de recursos. O Estado americano, ao invés de permitir que as economias locais se desenvolvam por meio do comércio livre e da propriedade privada, prefere gastar bilhões em operações militares que apenas alimentam o complexo industrial-militar.
Contraponto: Defensores da intervenção argumentam que os cartéis de drogas são organizações terroristas que financiam grupos armados e desestabilizam democracias. É verdade que o narcotráfico corrompe instituições e gera violência. No entanto, a solução militar nunca funcionou. O México, que aceitou a ajuda militar americana, viu seu índice de homicídios triplicar. A Colômbia, após décadas de intervenção, continua sendo o maior produtor de cocaína do mundo. O que funciona, segundo dados do Banco Mundial, é a legalização regulada e a redução da demanda nos países consumidores — algo que o governo americano se recusa a fazer por pressão de setores moralistas e da indústria prisional privada, que lucra com a encarceramento em massa de usuários.
Por Renan Filho · 2026-09-23