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Internacional

Trump fecha acordo histórico com Groenlândia e Dinamarca: duas bases militares na ilha para a Espanha

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

O presidente americano e os governos dinamarquês e groenlandês assinaram um pacto que prevê a construção de duas instalações militares na região ártica, operadas sob concessão espanhola. O acordo quebra o monopólio estatal da defesa na ilha e abre caminho para a privatização de serviços logísticos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na última quinta-feira um acordo tripartite com a Dinamarca e o governo autônomo da Groenlândia para a construção de duas bases militares no território gelado. O diferencial do pacto é que as bases serão operadas pela Espanha, sob modelo de concessão de longo prazo, com investimentos privados.

Segundo comunicado conjunto divulgado pela Casa Branca, o acordo prevê a instalação de uma base na costa oeste, próxima a Nuuk, e outra no nordeste, perto do fiorde de Scoresby. Ambas terão pistas de pouso, hangares e sistemas de defesa antimísseis. A operação ficará a cargo de uma joint venture entre a construtora espanhola Ferrovial e a americana KBR, vencedoras da licitação internacional.

O contexto geopolítico é decisivo. O Ártico se tornou o novo tabuleiro da disputa entre potências. A Rússia expandiu sua presença militar na região, com bases na península de Kola e no arquipélago de Franz Josef. A China, por sua vez, tenta se infiltrar através do chamado “Cinturão Polar”, financiando projetos de infraestrutura na Groenlândia. Até agora, a ilha era protegida apenas pela pequena força de defesa dinamarquesa e pela presença simbólica da base aérea de Thule, controlada pelos EUA.

Por que isso importa? O acordo representa uma virada liberal na forma de pensar segurança nacional. Em vez de ampliar o orçamento militar estatal, Trump optou por um modelo de parceria público-privada que reduz custos ao contribuinte americano e europeu. A Espanha, membro da OTAN, ganha acesso estratégico ao Ártico sem precisar construir bases próprias em seu território continental. A Dinamarca, que enfrenta pressões orçamentárias, cede terras em troca de royalties de 3% sobre a receita operacional das bases — dinheiro que será destinado ao fundo soberano groenlandês.

Na análise FORTIS, o movimento é coerente com a visão de Trump de que a segurança não deve ser um monopólio estatal ineficiente. A gestão privada de bases militares já é testada em outros países, como nos Emirados Árabes Unidos e no Catar. O acordo com a Groenlândia segue a mesma lógica: empresas competem por contratos, entregam mais qualidade por menos dinheiro e geram empregos locais. Além disso, a Espanha, que há anos busca projeção no Ártico sem sucesso, consegue isso pagando apenas pelos serviços — sem os custos políticos de uma ocupação permanente.

No entanto, há contrapontos. Críticos apontam que a privatização de bases militares pode criar conflitos de interesse e fragilizar a cadeia de comando. O Partido Inuit Ataqatigiit, de oposição na Groenlândia, afirmou em nota que o acordo “entrega soberania a corporações estrangeiras” e pediu um referendo. Ambientalistas também reagiram: o Greenpeace Dinamarca classificou a construção como “devastadora para o ecossistema ártico”, citando o risco de vazamentos de combustível e ruído para a fauna local. O governo espanhol, por sua vez, garantiu que as bases seguirão protocolos ambientais da União Europeia.

As negociações foram discretas. Trump já havia manifestado interesse em comprar a Groenlândia em 2019, proposta rejeitada. Agora, em 2026, conseguiu um acordo de cooperação que não envolve transferência de território, mas sim concessão temporária de 50 anos. A Dinamarca aceitou, segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores, após garantias de que os EUA arcariam com 70% dos custos de construção e que a Espanha contribuiria com tropas e equipamentos. O restante do financiamento virá de títulos de infraestrutura emitidos pela OTAN, lastreados em ativos da base.

Para o mercado, a notícia foi positiva. Ações da Ferrovial subiram 4,2% na Bolsa de Madri, e a KBR registrou alta de 2,8% em Nova York. Analistas do Credit Suisse classificaram o acordo como “pioneiro na externalização de defesa”. O economista liberal Thomas Sowell, em artigo recente, defendeu que a segurança é um bem público que pode ser provido de forma mais eficiente por contratos privados — desde que haja supervisão estatal robusta. O pacto Groenlândia-Dinamarca-Espanha é um teste real dessa tese.

Enquanto isso, a Rússia já reagiu. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse à agência Interfax que o acordo “militariza o Ártico” e prometeu “medidas de retaliação”. Especialistas acreditam que Moscou pode reforçar sua frota de quebra-gelos nucleares e aumentar o patrulhamento aéreo na região. A China, por meio de seu ministério das Relações Exteriores, pediu “transparência” e “respeito à desmilitarização do Ártico” — posição que gera ironia, dado o investimento chinês em bases comerciais na ilha.

O acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dinamarquês e espanhol, além da aprovação do Conselho da Groenlândia. O processo legislativo deve levar de seis a doze meses. Se aprovado, as obras começarão em 2028, com previsão de conclusão em 2032. Até lá, o mundo assistirá a um experimento inédito de como o capital privado pode moldar a geopolítica.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.