FORTIS
← FORTIS
Internacional

Trump puxa orelha de Delcy Rodriguez e condiciona relações à liberdade na Venezuela, antecipando anúncio eleitoral na Espanha

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Encontro tenso em Washington expõe a ruptura entre o realismo trumpista e a fantasia progressista. Presidente eleito dos EUA deixou claro que não há negócio com ditaduras, enquanto Sánchez prepara manobra para 2027.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta terça-feira, 24 de setembro, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, em um encontro no Salão Oval que já era aguardado com apreensão pelos chanceleres europeus. O que se esperava ser uma reunião protocolar de transição tornou-se um verdadeiro puxão de orelhas diplomático.

Segundo fontes do Departamento de Estado ouvidas pela imprensa americana, Trump teria dito a Delcy, em tom firme: “Diga a Nicolás que o tempo de brincar de revolução acabou. Ou ele liberta os presos políticos, marca eleições livres e devolve o Citgo, ou os EUA não comprarão mais uma gota de petróleo venezuelano. E não contem com a Espanha para pagar a conta”. A referência direta ao governo de Pedro Sánchez não foi casual.

A reunião ocorre a menos de 48 horas de um anúncio que o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, fará nesta quinta-feira, dia 26, em Madrid. Segundo fontes do Palácio da Moncloa, Sánchez pretende convocar eleições gerais antecipadas para maio de 2027, numa tentativa de capitalizar o desgaste do PP e do Vox e frear o avanço da direita liberal-conservadora na Europa. A jogada, no entanto, pode sair pela culatra.

O contexto geopolítico é explosivo. Trump, que reassume a presidência em janeiro de 2027, já deixou claro que sua política externa será baseada no princípio de “América Primeiro”, com forte ênfase em soberania nacional e livre mercado. Isso significa: nada de acordos comerciais com regimes que não respeitam a propriedade privada, os contratos e os direitos individuais. A Venezuela de Nicolás Maduro, que há anos vive sob sanções americanas, esperava que a vitória de Trump pudesse abrir uma janela de negociação. A mensagem foi clara: não haverá alívio sem mudanças reais.

Por que isso importa para a Espanha? Porque Pedro Sánchez, em uma aposta arriscada, tem flertado abertamente com o chavismo. Em 2020, o governo espanhol recebeu Delcy Rodriguez em pleno aeroporto de Barajas, numa visita que violou a proibição europeia de entrada de dirigentes venezuelanos sancionados. Agora, com Trump no poder e a economia europeia em crise, Sánchez precisa de aliados. Mas o presidente eleito dos EUA não parece disposto a pagar o preço.

Análise FORTIS: Trump está certo ao condicionar as relações comerciais ao respeito à democracia e ao Estado de Direito. O livre mercado não é um cheque em branco para ditaduras. A esquerda europeia, liderada por Sánchez, tenta vender a ideia de que “dialogar com todos” é pragmatismo. Na prática, é financiar regimes que perseguem opositores, confiscam empresas e destroem a poupança dos cidadãos. A Venezuela já perdeu 80% do seu PIB sob o chavismo. A Espanha, que enfrenta uma inflação de 6,2% e um déficit público de 4,8%, não pode se dar ao luxo de repetir o erro.

Contraponto: Críticos do governo Trump argumentam que a política de sanções unilaterais dos EUA agravou a crise humanitária na Venezuela, ao impedir a importação de alimentos e medicamentos. Dados oficiais da ONU indicam que 7,7 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2015. No entanto, a própria ONU reconhece que a raiz do problema é a má gestão do regime, que prioriza o controle político sobre o bem-estar da população. Sanções ou não, o chavismo já havia quebrado a economia antes de qualquer embargo. O que Trump propõe é uma troca clara: alívio em troca de reformas reais. Isso não é chantagem, é diplomacia de resultados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.