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Internacional

“Probabilidades de a humanidade viver mais 50 anos são muito baixas”: o alerta que a esquerda ambientalista não quer ouvir

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Um novo estudo baseado em dados demográficos e fiscais lança um balde de água fria no otimismo climático: a conta do excesso de regulação e da dívida pública pode chegar antes do colapso ambiental. Em Espanha, o cenário é particularmente preocupante.

Um relatório divulgado esta semana pelo Instituto de Estudos para o Progresso (IEP), um think tank independente com sede em Londres, conclui que as probabilidades de a humanidade prolongar a sua existência por mais 50 anos, no atual modelo de governança global, são inferiores a 5%. O documento, baseado em dados do Banco Mundial, da ONU e de agências fiscais europeias, não culpa o aquecimento global nem o uso de combustíveis fósseis. Aponta, sim, para uma combinação explosiva de estagnação económica, sobre-endividamento público e colapso institucional.

O estudo cruzou indicadores de sustentabilidade fiscal, produtividade do trabalho, inovação tecnológica, liberdade económica e estabilidade demográfica. A conclusão é frontal: as promessas de transição energética financiadas por dívida pública e o aumento brutal da carga tributária, sem contrapartida em eficiência, estão a corroer a base material que sustenta a vida em sociedade. Em Espanha, onde a dívida pública já supera os 1,5 biliões de euros (cerca de 120% do PIB), a margem de manobra é quase nula.

Por que é que isto importa? Porque durante décadas o discurso dominante — tanto da esquerda política como de parte do establishment conservador — vendeu a ideia de que o maior risco para a humanidade eram as alterações climáticas. Curiosamente, quando se analisam os dados de investimento em adaptação e mitigação, verifica-se que os países que mais gastam em políticas verdes são também os que registam maior queda na produtividade e maior endividamento. A Alemanha, que liderou a chamada “transição energética”, viu a sua produção industrial cair 7% desde 2019 e a sua dívida pública disparar 30% no mesmo período.

A análise do FORTIS News sobre estes números é clara: o modelo de Estado grande, burocrático e fiscalmente predatório está a matar o futuro. A esquerda ambientalista costuma defender que “não há Planeta B”, mas esquece-se que também não há PIB B nem dívida B. Sem crescimento económico real, qualquer discussão sobre sustentabilidade ambiental é pura ideologia. O que o estudo do IEP demonstra é que, se a humanidade continuar a usar o Estado como um aspirador de recursos privados para financiar promessas irrealistas, a conta chegará sob a forma de falência soberana, fome e conflitos sociais.

É importante fazer um contraponto factual: críticos do estudo, como o professor de economia ambiental da Universidade de Barcelona, José María Roca, argumentam que a metodologia utilizada subestima o potencial da inovação tecnológica verde e sobrestima o peso da dívida pública. “A Alemanha recuperou mais rápido do que se esperava da crise energética”, afirmou Roca em declaração ao jornal El País. De facto, a Alemanha registou um crescimento de 0,8% no último trimestre, mas isso não anula o facto de o seu modelo fiscal estar a estrangular o investimento privado. A crítica, porém, não invalida o cerne do argumento: a dívida pública europeia é insustentável e o Estado português, espanhol ou italiano gasta mal, tributa demais e entrega pouco.

O estudo do IEP não é um apocalipse climático. É um aviso demográfico e fiscal. Se a humanidade quer viver mais 50 anos, precisa de menos Estado e mais mercado. Precisa de liberdade para inovar, para empreender e para gerar riqueza real. Em Espanha, onde a taxa de desemprego jovem ronda os 27% e a carga fiscal sobre as empresas é das mais altas da OCDE, o alerta soa como um tiro de partida para um debate que a classe política insiste em adiar.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.