A Justiça espanhola decidiu levar ao banquillo o fundador do Glovo, Oscar Pierre, pelo suposto uso sistemático de entregadores como falsos autônomos. A decisão, divulgada nesta semana pela Audiência Nacional, ocorre depois de sucessivas sentenças contra a empresa, que já foi obrigada a indenizar milhares de trabalhadores. O caso é um dos maiores já analisados no país envolvendo a chamada economia de plataforma.
A acusação sustenta que a Glovo mantinha seus repórteres sem vínculo empregatício, apesar de existirem indícios de subordinação e dependência econômica. Para o juiz, há elementos suficientes para que Pierre e outros executivos respondam por supostos crimes contra os direitos dos trabalhadores. A defesa do executivo nega as acusações, segundo informações veiculadas pela imprensa espanhola, e afirma que o modelo de atuação da empresa sempre esteve amparado na legislação vigente.
O caso tem origem em uma batalha jurídica que se arrasta desde 2019, quando a Justiça espanhola começou a reconhecer o vínculo empregatício dos entregadores. Em 2021, o governo aprovou a chamada "lei rider", que obrigou as plataformas a formalizarem seus funcionários. No entanto, a Globo resistiu durante anos, acumulando multas e decisões desfavoráveis. Agora, o processo criminal contra o fundador representa uma escalada inédita na responsabilização pessoal de executivos.
Para o FORTIS NEWS, o que está em jogo não é apenas a situação jurídica de um empresário, mas o futuro da liberdade de trabalho em um setor que transformou a vida de milhares de pessoas. A criminalização do modelo de negócios do Glovo é um ataque direto à inovação e à autonomia dos trabalhadores que escolhem quando, onde e quanto querem trabalhar. O Estado, em vez de proteger o cidadão, impõe amarras que beneficiam quem já está empregado e dificultam a entrada de milhões de desempregados no mercado.
A decisão do juiz ignora que a relação entre a plataforma e o entregador é voluntária. Nenhum profissional é obrigado a abrir uma conta no Glovo. Se a flexibilidade é o principal atrativo do aplicativo, por que o governo a trata como fraude? A resposta é simples: o sistema tributário e previdenciário espanhol é tão caro e burocrático que o vínculo formal se tornou um fardo. Em vez de reduzir impostos e simplificar regras, o Estado prefere culpar o empregador pela própria incompetência.
Ainda assim, é preciso reconhecer que a tese da acusação não é desprovida de fundamento. Em depoimentos e documentos, há indícios de que a Globo exercia controle sobre a atividade dos repórteres, inclusive com punições por recusas de pedidos. Se o modelo fosse genuinamente independente, a empresa não precisaria interferir na liberdade do trabalhador. Nesse ponto, o mercado deveria ter autorregulado o setor, mas a ganância de alguns atores acabou jogando luz sobre os abusos.
A diferença entre o liberalismo e o estatismo não está em defender a exploração, mas em confiar que a concorrência e a informação geram soluções mais justas do que a caneta do juiz. Se a Globo realmente explorava os entregadores, o caminho não é prender um fundador, mas criar condições para que os trabalhadores tenham alternativas reais. Isso inclui menos impostos sobre a folha, mais segurança jurídica e a possibilidade de negociação coletiva sem a intermediação do governo.\nO julgamento de Oscar Pierre, portanto, será um teste para a sociedade espanhola. Ou ela abraça a economia digital como uma força libertadora, ou preferirá condená-la à margem da história. Enquanto isso, o Globo segue operando, mas com um pé atrás: se a Justiça criminalizar a prática, o setor de entregas pode entrar em colapso, deixando milhões de pessoas sem renda e sem autonomia. Quem sairá ganhando com isso? Certamente não os trabalhadores, que perderão a liberdade que hoje têm.
Por Renan Filho · 2026-09-22