FORTIS
← FORTIS
Politica

Juiz que investiga Zapatero interroga nesta sexta o epicentro do caso Plus Ultra após detenção

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

O magistrado responsável pelo inquérito sobre o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero convocou para esta sexta-feira o depoimento do empresário tido como peça-chave no escândalo da Plus Ultra, após sua prisão preventiva. A ação judicial promete expor as conexões entre o Estado intervencionista e os privilégios concedidos durante a pandemia.

O juiz da Audiência Nacional que comanda a investigação sobre o ex-presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, determinou a oitiva do empresário Carlos Sanz, detido na última terça-feira sob acusações de tráfico de influências e corrupção no âmbito do caso Plus Ultra. Segundo fontes do tribunal ouvidas pelo jornal El Mundo, o interrogatório será focado nos contatos de Sanz com altos funcionários do governo durante a concessão de empréstimos bilionários à companhia aérea em 2020.

A detenção de Sanz, que atuava como intermediário entre a Plus Ultra e o Ministério dos Transportes, foi autorizada após a descoberta de transferências suspeitas para contas no exterior. Em declaração à imprensa, a Procuradoria Anticorrupção afirmou que há “indícios robustos” de que o empresário articulou o lobby que resultou na aprovação de um resgate de 53 milhões de euros, mesmo sem a empresa atender aos requisitos legais. O caso ganhou contornos políticos quando se revelou que Zapatero, já fora do cargo, teria participado de reuniões com diretores da Plus Ultra e elaborado um “memorando de apoio” endereçado ao então ministro socialista.

O contexto da investigação remonta às medidas emergenciais adotadas pelo governo de Pedro Sánchez durante a crise da COVID-19. O fundo de socorro a empresas estratégicas foi usado para injetar dinheiro público na Plus Ultra, uma companhia que operava voos para a Venezuela e a Bolívia — justamente os países com os quais Zapatero mantinha estreitas relações comerciais e políticas. Conforme reportagem do Confidencial Digital, o ex-premiê teria recebido honorários de consultoria da matriz venezuelana da empresa, o que levantou suspeitas de conflito de interesses. O juiz já havia interrogado Zapatero em abril passado, mas as novas evidências apresentadas pelo empresário detido podem aprofundar a linha de investigação.

Por que isso importa? Porque o caso Plus Ultra simboliza o que há de pior no capitalismo de compadrio que domina a Espanha socialista. Enquanto pequenas empresas iam à falência sem qualquer ajuda estatal, uma companhia aérea com laços políticos garantiu um resgate milionário — dinheiro suado do contribuinte que, em um mercado livre, jamais seria destinado a sustentar ineficiências. A detenção de Sanz e a iminente oitiva de Zapatero mostram que a justiça, ainda que tardiamente, começa a mirar os privilégios do establishment. Em editorial recente, o jornal El Español classificou o episódio como “a ponta do iceberg de um sistema que confunde interesse público com interesses partidários”.

Análise FORTIS: O liberalismo espanhol sempre alertou que a intervenção estatal durante a pandemia abriu as portas para a corrupção. O governo Sánchez, ao criar fundos discricionários sem controle parlamentar efetivo, forneceu um cheque em branco para a classe política beneficiar seus aliados. A Plus Ultra não foi exceção: era uma empresa falida, com dívidas fiscais e operações questionáveis, mas com um padrinho influente. O fato de a investigação agora mirar o ex-presidente Zapatero — um ícone da esquerda global — revela que o fenômeno da captura do Estado não respeita partidos. Em um ambiente de mercado regulado e dependente de subsídios, o lucro não vem da inovação, mas da proximidade com o poder. É o que o economista Jesús Huerta de Soto chama de “socialismo real via estatalismo financeiro”. Se a justiça espanhola conseguir provar a trama, a lição será clara: o Estado mínimo não é apenas mais eficiente, é mais ético.

Contraponto: Defensores do governo argumentam que o resgate à Plus Ultra foi uma medida excepcional em meio à maior crise sanitária do século, e que todas as empresas beneficiadas passaram por auditorias. Segundo nota oficial do Ministério dos Transportes, a Plus Ultra apresentou um plano de viabilidade que, embora não cumprido posteriormente, justificava o auxílio temporário. Além disso, a oposição do Partido Popular, que hoje pressiona pela condenação de Zapatero, também votou a favor da criação do fundo de resgate em 2020. Críticos apontam que transformar o caso em um circo midiático pode enfraquecer a credibilidade das instituições — mas para os liberais, a transparência nunca é demais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.