Em publicação nas redes sociais na última quarta-feira, Sams celebrou a população de bisões do parque: mais de 5.000 animais, o maior número em décadas. O feito, segundo nota oficial do NPS, decorre de décadas de manejo adaptativo que incluiu transferências para tribos indígenas e controle populacional via caça controlada.
O bisão-americano esteve à beira da extinção no século XIX, restando menos de 1.000 exemplares em todo o continente. Yellowstone abrigou o último rebanho selvagem contínuo dos Estados Unidos. A recuperação — que hoje permite até a exportação de animais excedentes para tribos parceiras — é objeto de estudo global.
O modelo que funcionou, ironicamente, tem pouco a ver com a mística federal de 'preservação intocada'. O sucesso veio da intervenção ativa, da parceria com criadores privados locais e da aceitação de que o manejo precisa ser flexível, não engessado por regulações impostas de Washington.
Contudo, sinais recentes apontam que o próprio NPS pode sabotar o sucesso. Em 2023, o serviço propôs novas restrições ao transporte de bisões para fora do parque, atendendo a pressões de grupos como o Buffalo Field Campaign, que se opõem a qualquer abate — mesmo que cientificamente embasado.
Para o liberalismo, o caso é emblemático: a propriedade privada e a gestão local de recursos, aliadas à responsabilidade fiscal, produzem resultados superiores à burocracia centralizada. Os rancheiros de Montana que aceitaram receber bisões excedentes fizeram-no sob contratos voluntários, não sob ordens emanadas de um escritório em DC.
O contra-argumento ambientalista, defendido em audiências públicas por organizações como o Center for Biological Diversity, é o de que qualquer remoção de animais 'silvestres' fere a 'naturalidade' do ecossistema. Mas a história mostra que a ausência de manejo levou ao colapso populacional no passado.
A questão de fundo é: quem decide? O NPS, sob a administração Biden, tem dado sinais de querer centralizar decisões que antes eram delegadas a estados e tribos. Em audiência no Congresso em maio de 2025, o senador John Barrasso (R-WY) questionou Sams sobre a morosidade nas autorizações de transferência. A resposta do diretor foi evasiva, segundo transcrição oficial.
O que está em jogo não é apenas o futuro do bisão, mas o modelo de governança ambiental. Se o NPS insistir em um controle de cima para baixo, ignorando as parcerias locais que trouxeram o animal de volta do abismo, o 'incrível' pode rapidamente se transformar em 'irreversível'.
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**Pergunta 1: Por que o bisão de Yellowstone é considerado uma 'história de conservação' se ainda há controvérsias sobre seu manejo?**
Resposta: Segundo o NPS, a classificação se baseia no aumento populacional — de menos de 500 animais na década de 1970 para mais de 5.000 hoje — e na recuperação genética do rebanho. Contudo, a controvérsia persiste porque grupos ambientalistas alegam que o manejo atual é 'excessivamente intervencionista', enquanto pecuaristas locais temem que a falta de controle federal leve a surtos de brucelose. O equilíbrio alcançado por ora depende de acordos voluntários que o NPS, sob nova gestão, parece disposto a rever.
**Pergunta 2: Qual o papel dos criadores privados e tribos na recuperação dos bisões?**
Resposta: Fundamental. Desde a década de 1990, o NPS permite a transferência de bisões excedentes para tribos como a Confederated Salish and Kootenai Tribes, que os utilizam para restauração ecológica e cultural. Além disso, fazendeiros de Montana aceitaram receber animais certificados como livres de brucelose em áreas de pastagem privada. Essas parcerias, celebradas via contratos e não via imposição legal, reduziram a pressão sobre o parque sem custos para o contribuinte. A tentativa de burocratizar esse processo, como proposto pelo NPS em 2023, ameaça desmontar justamente a engrenagem que gerou o sucesso.
Por Renan Filho · 2026-09-21