O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve usar seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, para traçar uma linha dura contra o programa nuclear iraniano, apresentar uma proposta de reconstrução de Gaza ancorada no setor privado e defender uma reforma radical do Conselho de Segurança da organização. Segundo assessores próximos, a fala será um contraponto direto ao que Trump chama de “fracasso do establishment globalista” em lidar com crises que se arrastam há décadas.
A expectativa é de que Trump anuncie a retomada da política de “pressão máxima” contra Teerã, com sanções ainda mais abrangentes e a ameaça de ação militar caso o regime continue enriquecendo urânio a níveis próximos ao de uso bélico. Em publicação nas redes sociais na última segunda-feira, Trump afirmou que “o Irã não pode ter armas nucleares, e ponto final”. A declaração ecoa a posição de seu governo anterior, que abandonou o acordo nuclear de 2015 e assassinou o general Qasem Soleimani.
O plano para Gaza, por sua vez, rompe com a abordagem de ajuda humanitária centralizada em burocracias internacionais. Conforme nota divulgada pela equipe de transição do ex-presidente, a proposta prevê a criação de uma zona econômica especial administrada por uma coalizão de empresas israelenses, árabes e americanas, com incentivos fiscais e garantias de segurança privada. A ideia é transformar o enclave em um hub logístico e de tecnologia, financiado por investidores e não por contribuintes americanos.
Trump também deve cobrar a saída de países como China e Rússia do Conselho de Segurança, ou ao menos a redução de seu poder de veto, que ele classifica como “instrumento de paralisia”. Em entrevista à Fox News no domingo, o ex-presidente disse que “a ONU virou um clube de debates onde tiranos se protegem”. A proposta é substituir o atual modelo por um sistema rotativo de cadeiras com base em contribuição financeira e respeito a direitos de propriedade.
Por que isso importa: a posição de Trump, mesmo fora do cargo, influencia diretamente as primárias republicanas e pode moldar a política externa dos EUA em 2027. Seu discurso na ONU serve como teste para a viabilidade de uma agenda que rejeita o intervencionismo militar ilimitado, mas defende o uso da força contra ameaças existenciais. Para investidores e mercados, a sinalização de um plano econômico para Gaza abre oportunidades em construção civil, energia e logística no Oriente Médio.
Análise FORTIS: a abordagem de Trump é coerente com os princípios liberais de soberania e livre mercado. Ao tratar a ameaça iraniana como um problema de dissuasão crível — e não de diplomacia infinita —, ele reconhece que regimes teocráticos só entendem a linguagem do poder. O plano para Gaza, se implementado, pode quebrar o ciclo de dependência de ajuda externa que alimenta o Hamas e dá à burocracia da ONU poder de barganha. A reforma do Conselho de Segurança, por sua vez, é uma pauta que liberais de todo o mundo deveriam abraçar: instituições que não se reformam perdem legitimidade.
Contraponto: críticos apontam que a estratégia de “pressão máxima” contra o Irã fracassou em 2019-2020, quando o regime acelerou o enriquecimento de urânio. Além disso, um plano econômico para Gaza sem uma solução política duradoura pode ser visto como uma tentativa de normalizar a ocupação israelense. Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, já classificaram a proposta como “colonialismo disfarçado de desenvolvimento”. A reforma da ONU, por sua vez, enfrenta resistência de China e Rússia, que usam o veto para bloquear qualquer mudança no Conselho de Segurança.
Por Renan Filho · 2026-09-22