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Internacional

Por que Trump mirou na Groenlândia, a maior ilha do mundo coberta de gelo — em 3 gráficos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-20

Enquanto a esquerda ridicularizou a proposta de compra da Groenlândia em 2019, os números revelam uma visão estratégica impecável de livre mercado. Recursos minerais, rotas comerciais e segurança nacional explicam o interesse do presidente americano.

Em agosto de 2019, Donald Trump fez algo que nenhum presidente americano ousava desde Harry Truman: sugeriu comprar a Groenlândia. A reação da imprensa progressista foi imediata — piadas, memes, manchetes histéricas. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, chamou a ideia de “absurda”.

Mas três gráficos — que o establishment ignorou — mostram que Trump enxergou, com anos de antecedência, o que hoje é consenso entre estrategistas militares e investidores: a Groenlândia é o ativo geopolítico mais subvalorizado do planeta. E o movimento do presidente não foi impulso, e sim cálculo de risco-retorno típico de um empresário que entende de ativos reais.

**Gráfico 1: A riqueza mineral que ninguém quer ver**

O primeiro gráfico, compilado pelo Serviço Geológico dos EUA (USGS) e atualizado em 2023, mostra que a Groenlândia abriga as maiores reservas de terras raras fora da China. Enquanto Pequim controla 70% da produção global de neodímio e disprósio — fundamentais para turbinas eólicas, carros elétricos e mísseis —, a ilha danesa possui depósitos estimados em 33 milhões de toneladas de óxidos de terras raras.

Segundo relatório do Departamento de Defesa americano de 2024, a dependência dos EUA em relação à China nesses minerais é de 80%. Trump, em tweet de 2019, disse: “A Groenlândia tem recursos incríveis. A Dinamarca não sabe o que tem.” Ele estava certo. Empresas como a Energy Transition Minerals já mapearam o projeto Kvanefjeld, que sozinho pode fornecer urânio e terras raras por décadas.

**Gráfico 2: O derretimento do gelo e a nova Rota do Ártico**

O segundo gráfico, produzido pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), mostra a redução da cobertura de gelo no Ártico desde 1979 — uma queda de 13% por década. Em 2024, o gelo marinho atingiu o menor nível registrado para o mês de setembro. Isso abriu a passagem Noroeste, que corta o tempo de viagem entre a Ásia e a Europa em 40%.

Trump, que sempre defendeu a expansão da infraestrutura portuária americana, viu na Groenlândia uma base logística perfeita. Em declaração à imprensa em 2019, o então secretário de Estado Mike Pompeo afirmou: “O Ártico é uma arena de competição estratégica. Precisamos de presença física.” A base aérea de Thule, já operada pelos EUA, seria o trampolim para controlar a rota que cortará custos de frete em bilhões de dólares anuais — dinheiro que hoje vai para o Canadá e a Rússia.

**Gráfico 3: O custo-benefício da segurança nacional**

O terceiro gráfico, do Instituto de Estudos Estratégicos do Hudson Institute, compara o custo de manter bases militares americanas no exterior. Enquanto uma base na Alemanha custa US$ 1,2 bilhão por ano, uma base na Groenlândia — já existente — custa menos de US$ 300 milhões. Além disso, a localização permite monitorar submarinos russos e chineses que usam o Ártico como rota de ataque.

Trump, em entrevista à Fox News em 2019, questionou: “Por que pagamos tanto para proteger a Europa e não podemos comprar uma ilha que nos dará segurança por centavos?” A lógica é brutalmente simples: adquirir a Groenlândia, mesmo que como território associado, eliminaria a necessidade de negociações com a Dinamarca para cada exercício militar. O Parlamento dinamarquês, em nota oficial em 2020, recusou vender, mas admitiu que “a discussão sobre a soberania da Groenlândia está na agenda”.

**Por que isso importa agora?**

Com a China construindo bases no Ártico e a Rússia modernizando suas forças na região, a janela de oportunidade se fecha. Trump, ao mirar na Groenlândia, estava aplicando o princípio básico do livre mercado: comprar quando ninguém quer vender. Os gráficos mostram que o valor intrínseco da ilha — em recursos e posição — supera qualquer preço de compra.

**Análise FORTIS**

A resistência da esquerda à ideia foi ideológica, não técnica. Preferem acusar Trump de “imperialismo” a discutir números. Mas os fatos são teimosos: a Groenlândia tem os minerais que a transição energética exige; tem a localização que o comércio global precisará; e tem a vantagem de ser habitada por 56 mil pessoas dispostas a negociar autonomia, como mostrou o referendo de 2009.

**Contraponto**

Críticos apontam que comprar a Groenlândia seria violar a soberania dinamarquesa e gerar instabilidade diplomática. O primeiro-ministro dinamarquês, em 2019, disse à TV2 que “a Groenlândia não está à venda”. E, de fato, a população local rejeita a ideia em pesquisas recentes. Mas Trump nunca propôs uma invasão — propôs um negócio. Negócios, no livre mercado, envolvem oferta e contra-oferta. A história mostra que ilhas como o Alasca e a Louisiana foram compradas e se tornaram sucesso.

**1. Trump realmente ofereceu dinheiro pela Groenlândia?** Sim. Em 2019, a Casa Branca confirmou que o presidente havia discutido a compra da Groenlândia com assessores. Em publicação nas redes sociais, Trump disse que “estudava a ideia há semanas”. A Dinamarca recusou formalmente, chamando a proposta de “absurda”, segundo declaração da primeira-ministra Mette Frederiksen à Reuters.

**2. A Groenlândia tem independência para decidir?** A Groenlândia é uma região autônoma da Dinamarca desde 1979, mas a política externa e de defesa são controladas por Copenhague. Em 2009, um referendo aprovou maior autonomia, incluindo o direito à independência total. Pesquisas locais mostram que 70% dos groenlandeses preferem permanecer na Dinamarca, mas a mineração estrangeira é bem-vista — cerca de 60% apoiam a exploração de terras raras, conforme levantamento do jornal Sermitsiaq de 2023.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.